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SANTO ANTÔNIO
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Filho de ricos comerciantes
portugueses, Fernando de Bulhões e Taveira nasceu entre 1192 e 1195, cerca de 50
anos após a reconquista de Portugal do domínio mouro. É nesse ambiente
Cedo foi batizado na Sé de Lisboa e catedral de Santa Maria Maior. Próxima está sua igreja, erguida bem no local em que nasceu. Hoje é centro de peregrinação e de belas procissões no dia 13 de junho. No antigo bairro de Alfama, que não fica muito longe dali, é possível ver azulejos com sua imagem, e participar de sua festa. As ruas ficam coloridas com balões, flores de papel e há uma boa convivência entre as pessoas que se divertem, dançando e comendo sardinhas assadas.
Santo Antônio realizou seus
primeiros estudos na catedral, e lá também participou do coro. Pregações e milagres
Sua principal atividade foi a
pregação da Palavra de Deus em várias regiões da Itália, assim Além das pregações, estão relacionados dezenas de milagres. Na igreja de Penedo, Costa de Lisboa há o registro em azulejaria do milagre dos peixes, um dos mais conhecidos. Durante uma pregação em Rimini (Itália), os hereges, além de não quererem ouvir o santo até viraram-lhe as costas. Santo Antonio dirigiu-se aos peixes e milhares deles colocaram a cabeça fora d‘água para escutá-lo. Os hereges ficaram impressionados com o que viram e logo se converteram. Entre os milagres atribuídos ao Santo conta-se também como ele salvou a vida do pai. Estando a pregar em Pádua, sentiu que era necessária sua presença em Lisboa e recolheu-se, cobrindo a cabeça em sinal de reflexão. No mesmo instante, estava na cidade onde o pai havia sido injustamente condenado pelo homicídio de um jovem. Ressuscitado temporariamente e questionado pelo santo, o rapaz afirmou que o pai de Santo Antônio era inocente. O taumaturgo pôs-se a caminho e de repente despertou no púlpito em Pádua, retomando sua pregação. São dois milagres: a bilocação e o poder de reanimar os mortos. Devoção secular A intensidade da devoção antoniana levou os portugueses a levantarem várias construções medievais e barrocas e a criarem obras que remontam aos séculos XVI e XVII. Nessas iconografias, o santo é representado com o livro no braço esquerdo, símbolo do saber, do conhecimento das Escrituras e de observância da regra. Também aparece com o Menino Jesus, sinal do milagre na casa do conde Tiso, ao mesmo tempo segurando o lírio ou açucena, símbolos de pureza e castidade. Já a representação como militar é do século XVII, após dom Afonso VI tê-lo nomeado protetor do exército português nas guerras de Restauração da Independência. Os italianos também ergueram vários monumentos para santo Antônio. O mais conhecido deles é a sua basílica, em Pádua, onde se encontram seus restos mortais. A suntuosidade chama a atenção e é um dos santuários mais admirados e visitados, com obras de Altichiero, Menabuoi, Donatello, Giotto e Mantegna. Peregrinos do mundo inteiro acorrem ao lugar para rezar no túmulo do santo, que está abrigado entre uma variedade de estilos góticos, traços românicos, adornos barrocos e renascentistas. Toda essa popularidade foi alcançada também pelo jeito simples que o santo tinha de despertar a confiança do povo. Há sempre uma forma de recorrer à sua proteção para “achar o perdido” e encontrar o amor, que também pode ser expressa por meio de canções e versinhos na tradicional festa junina, que além de quermesses, quadrilha, jogos, comes e bebes, é a oportunidade para se realizar pedidos e promessas ao santo “casamenteiro”. Santo Antônio também é venerado às terças-feiras, quando se reza a trezena e se faz a entrega do pão bento, que é colocado entre os mantimentos para nunca faltar. Conta-se que, um dia no convento, o santo distribuiu todos os pães aos mendigos. O frade que cuidava da padaria foi queixar-se com ele. Este o mandou verificar novamente o baú que, agora, de tão cheio, não podia nem ser fechado. No convento do Largo da Carioca, no Rio de Janeiro, fundado em 1608, há registros de que a primeira trezena foi rezada em 1682. Maria José de Deus |