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FESTA |
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O mesmo que função, brinquedo, festejo (MA). A festa popular acontece na comunidade e com alegria. Pode ser organizada, mas há gratuidade, é contagiante e tem sentido escatológico. Quer dizer, celebra uma infinita esperança no futuro e mostra a relatividade das coisas. Nos eleva e mostra algo maior do que nós. Diz um verso goiano: Esta festa não se acaba esta festa não tem fim. Se esta festa acabar, ai meu Deus, o que será de mim. Num dia de festa, espontaneamente são feitas coisas que em outros dias não se faz: dança, vestir roupa bonita, convidar parentes e amigos, soltar foguetes, comer com fartura. É preciso querer a festa. Dizem: O melhor da festa é esperar por ela. Anotamos um depoimento popular de Nova Era (MG): Agüentar, a gente agüenta. Porque a vida não é só sofrer não senhora. A gente adoece e sara; é pequeno, depois fica grande; uns estão morrendo, mas têm outros que ‘tão nascendo. Têm as horas de alegria também. Igual quando nasce um fio, as plantação dá certo, tem festa de congado... [1] E, Geraldo Vandré canta: Hoje é dia de festa todos vão se encontrar. Toda dor, todo pranto hoje vão se acabar. Várias festas populares coincidem com a abundância das colheitas. A festa popular cria e mantém tradições. Pedro Bandeira diz: As festas do meu sertão é reisado e vaquejada, é dibuia do feijão, adjunto, agrupamento. [2] Tudo o que foi dito acima, também vale da festa religiosa. O carnaval e as festas juninas são festas católicas. No congado em Nova Lima (MG), diz o canto de uma embaixada: Oi meus caros varsais que povo é aquele que vem entrando para o reino adentro, sem cumprir minha licença? Se for povo bom de guerra, dê um grito de guerra e mais guerra. Se for povo bom de festa, dê o grito de festa e mais festa. ô patrão, é o povo do Rosário, joelho dobrado e calcanhar desconjuntado que vem festejar o rosário de Maria. Hoje é dia dela? É sim senhor. Hoje é dia dela? É sim senhor. [3] Segundo um preconceito do velho socialismo, “a festa popular é fuga”. Mas parece que o contrário é verdade: quanto mais opressão e pobreza, tanto mais festa (liberdade celebrada). Para o pobre, a festa é o único dia certo do ano. Este não pode faltar. É um momento de esperança. A boa comida, a roupa bonita, a união de todos permitem acreditar que o mundo presente pode mudar. frei Francisco van der Poel ofm TINHORÃO, José Ramos. As Festas no Brasil Colonial. São Paulo, Ed. 34, 2000. JANES, István; KANTOR, Iris. Festa, Cultura e Sociabilidade na América Portuguesa. (2 vol.) São Paulo, Hucitec/USP/FAPESP/Impr.Oficial, 2001.
1. GOMES, Núbia
Pereira Magalhães. e PEREIRA, Edimilson de Almeida. Mundo Encaixado: significação
da cultura popular. Belo Horizonte, Mazza; Luiz de Fora: UFJF, 1992. p.VII.
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