GLOSSÁRIO  INDÍGENA

Acuém (Acuên) — Grupo indígena que se subdivide em xavante, xerente e xacriabá.

 

Aimoré — ver botocudo.

 

Apinajé (Apinayé) — Grupo indígena do extremo norte de Goiás, ramo dos timbiras, que habita área entre os rios Araguaia e Tocantins. Língua da família jê.

 

Ariquém (Arikên) — Grupo indígena extinto. No início do século XX habitava uma área entre os rios Jamaré e Candeia, afluentes da margem direita do Madeira, em Rondônia. A família lingüística ariquém pertence ao tronco tupi e inclui as línguas caritiana e cabixiana.

 

Aruaque (Arawak) — Importante tronco lingüístico de tribos indígenas que se espalham entre a Flórida, o Paraguai, o litoral do Peru, o Amazonas e as Antilhas.

 

Baniua (Baníwa) — Grupo indígena do noroeste do Amazonas, habitante das margens do rio Içana. Subdivide-se em três subgrupos: carutana, cadaupuritana e coripaso. População (1985): 4.187 índios. Língua da família aruaque.

 

Bororo — Uma das maiores tribos do Brasil central, cujo território, no passado, atravessava todo o centro de Mato Grosso, estendendo-se da fronteira da Bolívia até o Triângulo Mineiro. Hoje vive em postos indígenas de Leverger MT e na missão salesiana do rio São Lourenço. Língua do tronco macro-jê.

 

Xb>Botocudo — Vários grupos indígenas, também conhecidos como aimorés, guerens e boruns, que no século XVI habitavam o litoral das capitanias de Ilhéus e Porto Seguro. Os sobreviventes da colonização espalharam-se pelas matas entre o rio Jequitinhonha e o vale do rio Doce, na Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. Pacificados em 1911, foram recolhidos a postos e estão hoje praticamente extintos. Língua pertencente ao tronco macro-jê.

 

Caeté (Kaeté) — Grupo indígena que no século XVI habitava o litoral entre a foz do rio São Francisco e a do Paraíba, numa área limitada ao norte pelas terras dos potiguaras e ao sul pelas dos tupinambás. Com a chegada dos europeus, emigrou para o Pará.

 

Caiabi (Kayabi) — Grupo indígena das margens do rio Manicauá-Açu, afluente do Xingu, em Mato Grosso. Foi contatado pelos irmãos Cláudio e Orlando Vilas Boas em 1951. Língua da família tupi-guarani.

 

Caiapó (Kayapó) — Grupo de tribos que compreende duas divisões: caiapós do sul, constituídos por vários grupos, hoje extintos, habitantes do sul de Goiás e de Mato Grosso do Sul, noroeste de São Paulo e Triângulo Mineiro; e caiapós do norte, que vivem no centro-sul do Pará e se compõem dos subgrupos gorotire, mentuctire, diore e xicrim, entre outros. Língua da família jê.

 

Caingangue (Kaingáng) — Grupo indígena que habita atualmente áreas do Paraná e Santa Catarina. Arredios até o início do século XX. Acredita-se que sejam descendentes dos antigos guaianás de São Paulo. Língua da família jê.

 

Caiuá (Kaywá) — Subgrupo indígena dos guaranis, habitante de Mato Grosso do Sul.

 

Calapalo (Kalapálo) — Grupo indígena da margem esquerda do rio Culuene, formador do Xingu, em Mato Grosso. Língua da família caribe.

 

Camacã (Kamakán) — Grupo indígena extinto. No início do século XX habitava ao norte do rio Pardo (Bahia) e às margens dos rios Cachoeira e Gravatá (Minas Gerais). Remanescentes vivem em posto indígena de Itabuna BA. A família lingüística camacã, do tronco macro-jê, inclui as línguas cotoxó (ou cutaxó), masacará e meniém.

 

Camaiurá (Kamayurá) — Grupo indígena das margens da lagoa Ipavu, perto do rio Curisevo, em Mato Grosso. Língua da família tupi-guarani.

 

Canela (Ramkókamekra) — Grupo indígena, ramo dos timbiras orientais, habitante de reservas nos municípios de Barra do Corda e Grajaú, no Maranhão. São chamados canelas pela população da região. Língua da família jê.

 

Carajá (Karayá) — Grupo indígena que habita ao longo do rio Amazonas, desde Leopoldina até Conceição do Araguaia. Língua do tronco macro-jê.

 

Cariri (Kariri) — Grupo indígena extinto. Remanescentes mestiçados, que nada conservam da língua ou da cultura, encontram-se em posto da Funai, em Itabuna BA. Língua do tronco macro-jê.

 

Caxinauál(Kaxináwa) — Grupo indígena do Acre, habitante da região dos rios Envira e seus tributários, alto Muru, Tarauacá, Gregório e Liberdade. O caranguejo é seu totem. Protegem esse crustáceo com a própria vida e proclamam-se a si mesmos a "gente do caranguejo". Língua da família pano.

 

Coroado — Nome dado pela população brasileira a um grupo indígena extinto. No início do século XIX habitava as serras São Geraldo e da Onça, na fronteira de Minas Gerais com Espírito Santo, e ao longo dos rios Paraíba do Sul, das Pombas e dos Coroados. Remanescentes habitam missão dos capuchinhos no alto Paraíba do Sul. A família lingüística coroado, do tronco macro-jê, inclui as línguas puri e coropó.

 

Cranhacarore ou crenhacarore (Kreen-Akarore) — Grupo indígena habitante das cabeceiras dos rios Peixoto de Azevedo e Jarina, no norte de Mato Grosso. Foram contatados pelos irmãos Vilas Boas em 1973.

 

Craô (Krahô) — Grupo indígena, ramo dos timbiras orientais, habitante das margens do rio Manuel Alves Pequeno, em Goiás. Língua da família jê.

 

Cuicuro (Kuikúro) — Grupo indígena da margem esquerda do rio Culuene, formador do Xingu, em Mato Grosso. Língua da família caribe.

 

Cunhã (Do tupi Ku’ñã) — Mulher.

 

Curumi ou curumim (do tupi kuru’mi) — Menino.

 

Guaianá ou goianá (Guayaná) — Grupo indígena que no século XVI habitava a capitania de São Vicente. Documentos antigos os localizam no planalto de Piratininga, onde a cidade de São Paulo foi fundada. Acredita-se que foram os ancestrais dos caingangues.

 

Guaitacá ou goitacá (Guayataká) — Grupo indígena extinto. No século XVI habitava as proximidades do litoral fluminense, entre os rios Paraíba e Macaé. Vivia em constantes lutas com os tupinambás. Em 1630 os portugueses apossaram-se de suas terras e os sobreviventes foram aldeados pelos jesuítas. Na segunda metade do século XIX alguns remanescentes viviam nas proximidades de Campos e Cabo Frio. Língua da família jê.

 

Guajajara — Grupo indígena, ramo dos teneteharas, habitante das margens dos rios Grajaú, Pindaré e Mearim, no oeste do Maranhão. Língua da família tupi-guarani.

 

Guarani — Grupo indígena integrado à sociedade nacional. Vive em postos da Funai ou em núcleos independentes nos estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Língua da família tupi-guarani, com três dialetos principais: nandeva ou nhandeva, mbiá e caiová.

 

Ianomâmi (Yanomân) — Grupo indígena habitante do noroeste de Roraima, na serra dos Surucucus e na região entre os rios Demini e Toototobi, na divisa de Roraima com o Amazonas. A partir de 1987 os garimpeiros invadiram sua área, rica em minérios, pondo em risco a sobrevivência da tribo. Em 15 de novembro de 1991 o governo demarcou sua reserva (9,4 milhões de hectares para cerca de dez mil índios). Um outro grupo vive na Venezuela. Falam língua da família xirianá.

 

Juruna — Grupo indígena habitante das terras próximas à confluência dos rios Maniaçauá-Miçu e Xingu, em Mato Grosso. Foram contatados pelos irmãos Vilas Boas em 1959. A família lingüística juruna, do tronco tupi, inclui as línguas maniçuá e xipaia.

 

Macuxi (Makuxi) — Grupo indígena habitante das margens dos rios Tacutu, Cotingo, Surumu e seus afluentes, em Roraima. Língua da família caribe.

 

Maxacali (Maxakali) — Grupo indígena habitante da região das nascentes do rio Itanhaém, no nordeste de Minas Gerais, perto da fronteira com a Bahia. Língua do tronco macro-jê.

 

Meinaco (Mehináku) — Grupo indígena habitante da margem esquerda do rio Curisevo, formador do Xingu, em Mato Grosso. Língua do tronco aruaque.

 

Mentuctire (Mentuktire) — Grupo indígena habitante da margem esquerda do rio Xingu, à altura da cachoeira Von Martius, no Pará. Os mentuctires foram chamados txucarramães pelos jurunas, com quem viviam em conflito em meados do século XX. Foram contatados pelos irmãos Vilas Boas em 1953. Língua da família jê.

 

Mondé — Grupo indígena extinto, também conhecido como sanamaicá. No início do século XX habitava as margens de afluentes do rio Pimenta Bueno, em Rondônia. A família lingüística mondé, do tronco tupi, inclui a língua dos cintas-largas.

 

Morubixaba (Do tupi morubi’xawa) — Ver tuxaua.

 

Mundurucu — Grupo indígena que habitava as margens dos rios Tapajós (Pará), Madeira, Maués-Acú, Abacaxis e Canumã (Amazonas). Concentra-se hoje nas margens dos rios Cururu e das Tropas, afluentes do Tapajós. Língua do tronco tupi.

 

Nhambiquara (Ñambikwára) — Grupo indígena habitante de área entre os rios Juruna e Aripuanã, na serra do Norte, a noroeste de Mato Grosso. A família lingüística nambiquara inclui as línguas munduca, txiuaisu, galera (manarisu), mamaindé, micadotisu e sabonês.

 

Nandeva ou nhandeva (Nandeva) — Subgrupo indígena dos guaranis que habita áreas dos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

 

Oca (Do tupi oka) — Cabana ou palhoça dos índios.

 

Paca-nova (Pakaanóva) — Grupo indígena habitante de área entre os ribeirões Pacas Novas e Ouro Preto, afluentes do Madeira, em Rondônia. Língua da família txapacura.

 

Pajé (Do tupi pa’yé) — Chefe espiritual dos índios, misto de sacerdote, profeta e médico-feiticeiro.

 

Pancararu (Pankararú) — Grupo indígena integrado à sociedade nacional. Habita áreas dos estados de Alagoas e Pernambuco. População (1985): 4.000 índios.

 

Pano — Família lingüística de indígenas do noroeste do Brasil, do leste do Peru e da Bolívia. Entre as línguas dessa família incluem-se a caxinauá, remo (nucuíni), poianaua, marinaua, amauaca, capanaua, tuxinaua, iaminaua, marubo e culino.

 

Potiguara — Grupo indígena que no século XVI habitava o litoral entre a foz dos rios Jaguaribe e Paraíba. Migrou para o Maranhão e o Pará. Remanescentes mestiçados, sem domínio da língua ou da cultura, vivem em postos da Funai, em Mamanguape, Paraíba. Língua da família tupi-guarani.

 

Suiá (Suyá) — Grupo indígena habitante da área a leste das cabeceiras do rio Culuene, formador do Xingu, no centro de Mato Grosso. Foi contatado pelos irmãos Vilas Boas, em 1959. Língua da família jê.

 

Taba (Do tupi tawa) — Aldeia dos índios.

 

Tabajara — Grupo indígena extinto que habitava o território entre os rios São Francisco e Paraíba. Língua da família tupi-guarani.

 

Tamoio — Indígenas do litoral do Rio de Janeiro, no século XVI. Organizados na chamada Confederação dos Tamoios, apoiaram os franceses quando estes tentaram fundar a França Antártica, na baía de Guanabara. Língua da família tupi-guarani.

 

Tapirapé — Grupo indígena que habita as margens do rio Tapirapé, no nordeste de Mato Grosso. Recebe assistência da Funai. Língua da família tupi-guarani.

 

Terena — Grupo indígena que habita o Mato Grosso do Sul. Subdivisão dos guanás, fala língua do tronco aruaque.

 

Timbira — Grupo indígena que habita área entre os rios Itapicuru e Corda, no Maranhão. Subdivide-se em timbiras ocidentais (apinajés) e timbiras orientais, entre os quais incluem-se os gaviões, craôs, apaniecras, cricatis, canelas e txamecras. Língua da família jê.

 

Tucano (Tukâno) — Grupo indígena da bacia do rio Uaupés (Amazonas) e de áreas vizinhas na Colômbia e no Peru. A família lingüística tucano inclui várias línguas e dialetos.

 

Tucuna (Tukúna) — Grupo indígena do Amazonas, habitante de área na confluência dos rios Içá e Solimões.

 

Tupari — Grupo indígena das matas da margem direita do rio Branco, afluente do Guaporé, em Rondônia. Família lingüística do tronco tupi que inclui as línguas macurape e quepequirivate.

 

Tuxaua (Do tupi tu’xawa) — Chefe temporal da tribo indígena (o chefe espiritual é o pajé). Também chamado morubixaba.

 

Txicã (Txikân) — Grupo indígena das margens do rio Jatobá, afluente do Ronuro, formador do Xingu, no nordeste de Mato Grosso. Foi contatado pelos irmãos Vilas Boas em 1964. Língua da família caribe.

 

Uaicá (Waiká) — Grupo indígena da Amazônia, habitante das nascentes dos rios Urariqüera, Mucajaí e Demeni, em Roraima. Fala dialetos da língua ianomâmi, família xirianá.

 

Uaimiri (Waimiri) — Grupo indígena habitante das margens dos rios Alalaú e Jauaperi, afluentes do rio Negro, no Amazonas. Língua da família caribe.

 

Uapichana (Wapitxâna) — Grupo indígena de Rondônia, habitante das margens dos rios Tacatu, Urariqüera, Amajari, Parimé e Cauamé. Língua da família aruaque.

 

Uaurá (Waurá) — Grupo indígena habitante das margens do rio Batovi, formador do Xingu, em Mato Grosso. Língua da família aruaque.

 

Urubu-caapor (Kaaporo) — Grupo indígena habitante das margens dos formadores dos rios Gurupi, Turiaçu e Pindaré, no Maranhão. Caapor é o nome que os índios dão a si mesmos. Os habitantes da região os chamam de urubus. Língua da família tupi-guarani.

 

Xavante — Tribo indígena, ramo do grupo maior acuém, habitante de área entre os rios Culuene e das Mortes, em Mato Grosso. Até o século XIX os xavantes formavam, com os xerentes, um só grupo, mas em 1824 já estavam separados: os xavantes a oeste do rio Tocantins e os xerentes a leste. Atraídos pelo SPI em 1946, recebem assistência do posto Pimentel Barbosa, no Parque Xingu. Língua da família jê.

 

Xerente — Tribo indígena habitante de área entre os rios Sono e Tocantins, em Goiás. Subdivisão do grupo maior acuém, fala língua da família jê. No passado formava uma só tribo com os xavantes.

 

Xicrim (Xikrín) — Grupo indígena habitante da margem direita do rio Itacaiúnas, afluente do Xingu, perto da cidade de Marabá, no Pará. Subdivisão dos caiapós, fala língua da família jê. Foi contatado pelos irmãos Vilas Boas em 1953.

 

Xipaia (Xipáya) — Grupo indígena extinto. No início do século XX habitava as margens dos rios Iriri e Curuá, afluentes do médio Xingu, no centro sul do Pará. Língua do tronco tupi, família juruna.