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DICIONÁRIO  DE  EXPRESSÕES  E  FRASES  LATINAS

Compilado por HENERIK KOCHER

 

O 1 O 2 O 3 O 4 O 5 O 6

 

1. O altitudo divitiarum sapientiae, et scientiae Dei: quam incomprehensibilia sunt iudicia eius, et investigabiles viae eius! [Vulgata, Romanos 11.33]. Ó profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus! quão incompreensíveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!

2. O amoris vim! Ó força do amor!

3. O beata sanitas! te praesente amoenum ver floret gratiis; absque te nemo beatus. [Stevenson 1102]. Ó bendita saúde! Contigo a amena primavera floresce com suas belezas; sem ti, ninguém é feliz.

4. O beata solitudo, o sola beatitudo! [Divisa de S.Bernardo de Clairvaux]. Ó abençoada solidão, ó única bem-aventurança! VIDE: lO solitudo, sola beatitudo!

5. O caecitatem mentis humanae! [Erasmo, Chiliades, Dulce Bellum]. Ó cegueira do espírito humano!

6. O causidici, venale genus! [Sêneca, Apocolocyntosis 12]. Ó causídicos, raça venal!

7. O cives, cives, quaerenda pecunia primum est: virtus post nummos! [Horácio, Epistulae 1.1.53]. Ó cidadãos, cidadãos, deve-se primeiro buscar o dinheiro: a virtude vem depois do dinheiro! VIDE: lVirtus post nummos. lVirtus post nummos, quaerenda pecunia primum.

8. O crux, ave, spes unica! Salve, ó cruz, minha única esperança!

9. O Cupido, quantus es! [Plauto, Mercator 846]. Ó Cupido, como és poderoso!

10. O curas hominum! O quantum est in rebus inane! [Pérsio, Satirae 1.1]. Oh! cuidados do homem! Oh! quanta futilidade há nas coisas humanas!

11. O di, reddite mi hoc pro pietate mea. [Catulo, Carmina 76.26]. Ó deuses, concedei-me isso em troca de minha devoção.

12. O di, si vestrum est misereri, me miserum aspicite. [Catulo, Carmina 76.17]. Ó deuses, se vós sois capazes de ter compaixão, olhai este sofredor.

13. O diem laetum, notandumque mihi candidissimo calculo! [Plínio Moço, Epistulae 6.11.3]. Ó dia feliz, que merece ser marcado por mim com uma pedra muito branca!

14. O dii immortales!. [Cícero, In Catilinam 1.4]. Ó deuses imortais!

15. O dulce otium, honestumque, ac paene omni negotio pulchrius. [Plínio Moço, Epistulae 1.9.6]. Ó doce e honesto ócio! mais belo, talvez, do que toda atividade.

16. O dulce tormentum, ubi reprimitur gaudium! [Publílio Siro]. Como é doce o sofrimento quando o prazer é retardado! nO melhor da festa é esperar por ela.

17. dulces comitum valete coetus. [Catulo, Carmina 46.9]. Adeus, ó doces reuniões de amigos. VIDE: lCoetus dulces, valete.

18. O durum iter! Que caminho difícil!

19. O facunde senex, aevi prudentia nostri! [Ovídio, Metamorphoses 12.178]. Ó eloqüente ancião, prudência de nosso tempo!

20. O fallacem hominum spem! [Cícero, De Oratore 3.2]. Oh! como é enganadora a esperança dos homens! nQuem espera desespera.

21. O fallax amor! [Sêneca, Hippolytus 633]. Ó pérfido amor!

22. O fallax rerum copia! [VES 92]. Ó enganadora abundância!

23. O fama ingens, ingentior armis. [Virgílio, Eneida 11.124]. Que prestígio enorme, maior do que as armas.

24. O felix culpa, quae talem ac tantum meruit habere redemptorem! [S.Agostinho / Bernardes, Nova Floresta 2.61]. Ó erro abençoado, que mereceu ter tal e tão grande redentor! (=O autor se refere ao pecado original).

25. O felix hominum genus, si vestros animos amor quo caelum regitur regat! [Boécio, De Consolatione Philosophiae, Metrum 2.8.28]. Como serás feliz, ó raça humana, se governar teu coração o amor por que se governa o céu!

26. O feros animos! [RH 4.12]. Ó corações selvagens!

27. O fili care, noli nimis alte volare. [Sweet 263]. Ó filho querido, não voes alto demais. (=Segundo a mitologia grega, palavras de Dédalo ao filho Ícaro, quando voavam com asas fixadas com cera). nNão estendas as pernas além do cobertor. nNão vás com muita sede ao pote. VIDE: lNoli nimis alte volare.

28. O filii et filiae! Ó filhos e filhas!

29. O formose puer, nimium ne crede colori. [Virgílio, Eclogae 2.17]. Ó belo rapaz, não confies demais na cor. VIDE: lNimium ne crede colori.

30. O formosum spectaculum! Que belo espetáculo!

31. O fortuna, nunquam perpetua es data! [Terêncio, Hecyra 405]. Ó sorte, nunca és dada para sempre!

32. O fortuna, ut nunquam perpetuo es bona! [Terêncio, Hecyra 406]. Ó sorte, como nunca és boa para sempre!

33. O fortuna viris invida fortibus, quam non aequa bonis praemia dividis! [Sêneca, Hercules Furens 524]. Ó sorte, tu que invejas os homens valentes, como distribuis injustamente tuas recompensas aos homens de bem!

34. O fortunatam rempublicam! [Cícero, In Catilinam 2.7]. Ó nação afortunada!

35. O fortunatissimi parentes! [Salvador Fernandes / Ramalho 100]. Ó pais muito afortunados!

36. O fortunatos nimium, sua si bona norint, agricolas. [Virgílio, Georgica 2.458]. Ó afortunadíssimos agricultores, se conhecessem os bens que têm.

37. O generatio incredula. [Vulgata, Marcos 9.19]. Ó geração incrédula.

38. O gens infortunata! cui morti reservat te fortuna! Ó raça infeliz! A que morte a sorte te reserva! VIDE: lInfelix! cui te exitio fortuna reservat!

39. O hebetudo et duritia cordis humani! [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 1.23.1]. Ó estupidez e dureza do coração humano!

40. O hominem mille mortibus dignum! [Sêneca, De Clementia 1.18.2]. Ó homem digno de mil mortes!

41. O hominem miserandum! Pobre homem!

42. O hominem nequam! [Cícero, Philippica 2.77]. Que homem desprezível!

43. O hominis impudentem audaciam! [Terêncio, Heauton Timorumenos 313]. Ó despudorada audácia do homem!

44. O imitatores, servum pecus! [Horácio, Epistulae 1.19.19]. Ó imitadores, rebanho servil!

45. O invisibilis Conditor mundi, Deus! [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 4.1.5]. Ó Deus, invisível Criador do mundo!

46. O Iuppiter! ubinam est fides? [Terêncio, Heauton Timorumenos 256]. Ó Júpiter! Onde está a lealdade?

47. O Iuppiter, tantam esse in animo inscitiam? [Terêncio, Heauton Timorumenos 631]. Ó Júpiter, pode haver tão grande tolice numa cabeça?

48. O laborum dulce lenimen medicumque. [Horácio, Carmina 1.32.14]. Ó doce consolo e remédio dos sofrimentos.

49. O licentiam iocularem! [Cícero, De Fato 15]. Oh! que audácia divertida!

50. O longum memoranda dies! [Estácio, Silvae 1.3.13]. Ó dia inesquecível!

51. O luce magis dilecta sorori! [Virgílio, Eneida 4.31]. Ó tu, que para tua irmã és mais querida que a luz!

52. O machinator fraudis, o scelerum artifex! [Sêneca, Troades 751]. Ó maquinador de fraudes, o artesão de crimes!

53. O magna vis veritatis, quae contra hominum ingenia, calliditatem, sollertiam contraque fictas omnium insidias facile se per se ipsam defendat! [Cícero, Pro Caelio 26.63]. Ó força poderosa da verdade, que se defende facilmente por si mesma das invenções dos homens, da astúcia, da habilidade, e das armadilhas inventadas por todos!

54. O magne Olympi rector et mundi artifex! Ó grande governador do Olimpo e criador do mundo! lO magne Olympi rector et mundi arbiter. [Sêneca, Hercules Furens 205]. Ó grande governador do Olimpo e juiz do mundo.

55. O magnos viros, qui fortunae succumbere nesciunt et adversas res suae virtutis experimenta faciunt! [Sêneca Retórico, Controversiae 4.6]. Que grandes homens, esses que não sabem dobrar-se à sorte e fazem da adversidade a prova de seu valor!

56. O malum summum et acutissimum telum diaboli mulier! [S.João Crisóstomo, Homilia 14 / Rezende 4566]. Oh! a mulher é o mal supremo e a mais aguda arma do diabo!

57. O me felicem! O nox mihi candida! [Propércio, Elegiae 2.15.1]. Oh! Como sou feliz! Oh! Que noite de sorte!

58. O meae spes inanes! [Quintiliano, Institutio Oratoria 6.1.12]. Ó minhas vãs esperanças!

59. O mentes amentes! [S.Agostinho, De Civitate Dei 1.33.1]. Oh! que cabeças sem juízo!

60. O mihi praeteritos referat si Iuppiter annos! [Virgílio, Eneida 8.560]. Oh! Se Júpiter me trouxesse de volta os anos que se passaram!

61. O mirabilem sapientiam! [S.Agostinho, De Civitate Dei 8.21]. Oh! Que admirável sabedoria!

62. O mirum gaudium! [Salvador Fernandes / Ramalho 102]. Oh! que alegria de pasmar!

63. O miseras hominum mentes, o pectora caeca! [Lucrécio, De Rerum Natura 2.14]. Ó espíritos vãos dos homens, ó corações cegos! VIDE: lO vanae hominum mentes, o pectora caeca! lO stultas hominum mentes, o pectora caeca!

64. O mors amoris unum sedamen mali, o mors pudoris maximum laesi decus, confugimus ad te. [Sêneca, Hippolytus 1188]. Ó morte, único alívio do amor infeliz, ó morte, único alívio da honra ultrajada, nós nos refugiamos em ti.

65. O mors, bonum est iudicium tuum homini indigenti, et qui minoratur viribus, defecto aetate, et cui de omnibus cura est, et incredibili, qui perdit patientiam! [Vulgata, Eclesiástico 41.3-4]. Ó morte, que doce é a tua sentença para um homem necessitado, e que se acha falto de forças, para o de idade já decrépita, e para o que está cheio de cuidados, e para o que se vê sem esperança, e a quem falta a paciência!

66. O mors, cur mihi sera venis? [Propércio, Elegiae 2.13.50]. Ó morte, por que demoras tanto?

67. O mors, quam amara est memoria tua homini pacem habenti in substantiis suis. [Vulgata, Eclesiástico 41.1]. Ó morte, quão amarga é a tua memória para um homem que tem paz no meio das suas riquezas.

68. O mortalia nunquam gaudia plena satis! nunquam secura voluptas! [Jerônimo Vida]. Ó prazeres mortais nunca suficientes! prazeres nunca livres de inquietações!

69. O necessitas abiecta nascendi, vivendi misera, dura moriendi. [Sidônio Apolinário / Rezende 4663]. Ó necessidade abjecta de nascer, miserável de viver e cruel de morrer.

70. O noctem illam memorabilem! Que noite memorável!

71. O nimium miserabilem errorem! [S.Agostinho, De Civitate Dei 1.3]. Que erro lamentável!

72. O nomen dulce libertatis! [Cícero, In Verrem 2.5.163]. Ó doce nome da liberdade!

73. O nulla longi temporis felicitas! [Sêneca, Agamemnon 928]. Ó felicidade efêmera!

74. O nummi, vobis hunc praestat honorem. [Juvenal, Satirae 5.136]. Ó dinheiro, a ti se presta esta homenagem.

75. O nuntios tardos! o somniculosa diplomata! [Tertuliano, Apologeticus 25.2]. Ó mensageiros vagarosos! Ó serviço postal sonolento!

76. O passi graviora, dabit deus his quoque finem. [Virgílio, Eneida 1.199]. Ó vós, que suportartes coisas piores, o deus dará fim também a essas coisas. VIDE: lDabit deus his quoque finem.

77. O pessimum periclum, quod opertum latet! [Publílio Siro]. Como é terrível o perigo que está escondido!

78. O praeclaram sapientiam! [Cícero, De Amicitia 13]. Oh! Que inteligência brilhante!

79. O praeclarum custodem ovium lupum! [Cícero, Philippica 3.27]. Ó lobo, ilustre guardião das ovelhas!

80. O pueriles ineptias! [Sêneca, Epistulae 48.7]. Oh! que infantilidades!

81. O quae mutatio rerum! Oh! Como mudam as coisas!

82. O quale caput, et cerebrum non habet! [Esopo / Apostólio, Paroimiai 21.14]. O que bela cabeça, mas não têm cérebro! (=Trata-se de uma máscara). VIDE: lO quanta species... cerebrum non habet! lO sine voce genas, o sine mente caput!

83. O quam bonum tempus in re mala perdis! [Sêneca, De Ira 3.28.1]. Oh! quanto tempo bom perdes em assunto mau!

84. O quam cito transit gloria mundi! [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 1.3.30]. Oh! como passa rápida a glória mundana! VIDE: lSic transit gloria mundi. lUt flatus venti, sic transit gloria mundi. lUt stuppae flamma, sic transit gloria mundi.

85. O quam dura premit miseros condicio vitae! [Maximiano, Elegiae 1]. Oh! que dura condição de vida oprime os desgraçados!

86. O quam mirum est nescire mori! [Sêneca, Agamemnon 610]. Oh! Como é triste não saber morrer!

87. O quam saepe e malis generatur origo bonorum! [Rutílio Namaciano, De Reditu Suo 1.491]. Quantas vezes do infortúnio nasce a fonte da felicidade!

88. O quanta est veterum blasphemia grammaticorum, qui declinandum nos docuere Deum! [John Owen, Epigrammata 7.107]. Ó como é grande a blasfêmia dos velhos gramáticos, que nos ensinaram que Deus deve ser declinado. (=O poeta joga com os significados do verbo declinare, que tanto pode ser usado em gramática, com o significado de declinar, isto é, flexionar substantivos, adjetivos e pronomes, como pode significar afastar, desviar).

89. O quanta fragilitas humana, quae semper prona est ad vitia! [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 1.22.30]. Oh! como é grande a fragilidade humana, sempre inclinada ao pecado!

90. O quanta fuit tua stultitia! Como foi grande a tua insensatez!

91. O quanta species... cerebrum non habet! [Fedro, Fabulae 1.7.2]. Oh! Que beleza... mas não tem cérebro! (=Trata-se de uma máscara). VIDE: lO quale caput, et cerebrum non habet! lO sine voce genas, o sine mente caput!

92. O quantum cogit egestas! [Marcial, Epigrammata 11.87.3]. A quanta coisa obriga a necessidade!

93. O quantum eruditorum aut modestia ipsorum aut quies operit ac subtrahit famae! [Plínio Moço, Epistulae 7.25.1]. Oh! quantos homens cultos foram escondidos e roubados à glória pela própria modéstia ou pelo amor à tranqüilidade!

94. O quantum per se candida forma valet! [Propércio, Elegiae 2.29]. Oh! quanto vale por si mesma uma beleza pura!

95. O quid solutis est beatius curis? [Catulo, Carmina 31.7]. Que coisa mais feliz há do que viver sem cuidados?

96. O rectam sinceramque vitam! [Plínio Moço, Epistulae 1.9.6]. Ó vida honesta e pura!

97. O rus, quando ego te aspiciam? [Horácio, Satirae 2.6.60]. Ó campo, quando te verei?

98. O saeclum insipiens et inficetum! [Catulo, Carmina 43.8]. Ó século ignorante e sem graça!

99. O saeculum! O litterae! Iuvat vivere. Vigent studia, florent ingenia. [Ulrich von Hutten]. Ó tempos! Ó cultura! Dá prazer viver. Prosperam os estudos, florescem os talentos.

100. O saevum scelus! [Sêneca, Thyestes 743]. Ó crime desumano!

101. O sancta simplicitas! Ó santa credulidade! (=Exclamação que teria sido proferida por João Huss, ao ver uma velhinha colocar um galho na fogueira onde ele ardia).

102. O semper timidum scelus! [Estácio, Thebaida 2.490]. Oh! o crime é sempre medroso!

103. O si sic omnes! Oh! se todos fossem assim!

104. O si sic omnia! Oh! se tudo fosse assim!

105. O si simplicior essem in mente, in corde, in ore, in opere, maiore utique fruerer pace, maiorem gustarem laetitiam! Oh! Se eu fosse mais simples na mente, no coração, na boca, nas obras, gozaria de maior paz, de maior alegria!

106. O sine voce genas, o sine mente caput! [Gualterius Anglicus, Fabulae Aesopicae 34.4]. Ó rosto sem voz, ó cabeça sem cérebro! VIDE: lO quale caput, et cerebrum non habet! lO quanta species... cerebrum non habet!

107. O solitudo, sola beatitudo! Ó solidão, única felicidade! VIDE: lO beata solitudo, o sola beatitudo!

108. O sortem acerbam! [Sêneca, Hercules Oetaeus 838]. Ó sorte cruel!

109. O spes amantum credula! O fallax amor! [Sêneca, Hippolytus 634]. Ó crédula esperança dos enamorados! Ó pérfido amor!

110. O stultas hominum mentes, o pectora caeca! [Lactâncio / Grynaeus, Adagia 627]. Ó espíritos vãos dos homens, ó corações cegos! VIDE: lO miseras hominum mentes, o pectora caeca! lO vanae hominum mentes, o pectora caeca!

111. O summe parens mundi, Neptune! [Lucano, Bellum Civile 4.110]. O Netuno, supremo pai do mundo!

112. O tacitum tormentum animi conscientia! [Publílio Siro]. Ó remorso, és um tormento silencioso!

113. O te beatum! [Plínio Moço, Epistulae 8.13]. Como és feliz!

114. O tempora! O mores! [Cícero, In Catilinam 1.2]. Ó tempos! Ó costumes! (=Traduzido jocosamente por Ó tempo de amoras!)

115. O tempora tetra, quibus non boves sed asini arant! [Salvador Fernandes / Ramalho 98]. Ó tempos negros, em que lavram burros e não bois!

116. O ter beata civitas! Ó cidade três vezes feliz!

117. O terque quaterque beati, quis ante ora patrum, Troiae sub moenibus altis contigit oppetere! [Virgílio, Eneida 1.94]. Oh! foram três e quatro vezes felizes aqueles que tiveram a oportunidade de morrer sob os olhos de seus pais ao pé das altas muralhas de Tróia!

118. O Tite, tute, Tatei, tibi tanta, tyranne, tulisti! [Ênio / RH 4.18]. Ó imperador Tito Tácio, quanta coisa suportaste!

119. O ubi campi! [Virgílio, Georgica 2.486]. Oh! Onde estão os campos?

120. O urbem venalem, et cito perituram, si emptorem invenerit! [Salústio, Bellum Iugurthinum 35.10]. Oh! que cidade venal, e pronta para cair, se encontrasse um comprador!

121. O utinam! Quem me dera!

122. O vanae hominum mentes, o pectora caeca! [Lucrécio, De Natura Rerum 2.14]. Ó espíritos vãos dos homens, ó corações cegos! VIDE: lO miseras hominum mentes, o pectora caeca! lO stultas hominum mentes, o pectora caeca!

123. O vane pudor, falsumque decus! [Sêneca, Hippolytus 987]. Ó vão pudor! Ó glória falsa!

124. O vita misero longa, felici brevis! [Publílio Siro]. Ó vida, és longa para o infeliz e curta para o afortunado! lO vitam misero longam, felici brevem!

125. O vitae philosophia dux, o virtutis indagatrix expultrix vitiorum! [Cícero, Tusculanae 5.5]. Ó filosofia, guia da vida, investigadora da virtude e perseguidora dos vícios!

126. O vos omnes qui transitis per viam, attendite, et videte si est dolor sicut dolor meus! [Vulgata, Lamentações 1.12]. Ó vós, todos os que passais pelo caminho, atendei, e vede se há dor semelhante à minha dor!

127. Ob maritorum culpas uxores inquietari leges vetant. [Codex Iustiniani 4.12.2]. As leis proíbem que as mulheres sejam perturbadas por causa dos crimes dos maridos.

128. Ob textoris peccatum coquus vapulavit. Pelo erro do tecelão foi açoitado o cozinheiro. nPelo mal do ferreiro matam o carpinteiro. nPaga o justo pelo pecador. lOb textoris erratum coquus vapulavit. VIDE: lAlius peccat, alius plectitur. lCanis peccatum sus dependit. lFaber cadit cum ferias fullonem. lFabrum caedere cum ferias fullonem. lInnocentes pro nocentibus poenas pendunt. lQuod peccant sontes, insontes saepe luerunt. lQuod peccant sontes, insontes saepe tulerunt. lQuod sus peccavit, succula saepe luit. lTibicen vapulat, coquo peccante.

129. Ob unum punctum cecidit Martinus asellum. [Stevenson 934]. nPor um ponto, Martinho perdeu seu burro. nPor um ponto perdeu o diabo o mundo. nPor um cravo se perde o cavalo. lOb unum punctum perdit Martinus asellum. VIDE: lPro solo puncto caruit Martinus asello. lUno pro puncto caruit Martinus asello.

130. Obcaecat mentem passio. nPaixão cega a mente. nA paixão é má conselheira.

131. Obest plerumque iis qui discere volunt auctoritas eorum qui docent. [Cícero, De Natura Deorum 1.10]. A autoridade dos que ensinam na maioria das vezes prejudica aqueles que querem aprender.

132. Obicere canibus agnos. [Grynaeus 207]. Oferecer os cordeiros aos cães.

133. Obiectum controversiae. O objeto da controvérsia.

134. Obiectum iudicii. [Jur]. A matéria em julgamento. VIDE: lMateria iudicii.

135. Obiit. Morreu. (=Usado em túmulos, seguido da data do óbito).

136. Obiit sine prole. Faleceu sem deixar filhos.

137. Obiter dictum. [Black 1276]. Coisa dita ocasionalmente. nA propósito.

138. Obiter scripta. [George Santayana, título de livro]. Coisas escritas de passagem.

139. Obiurgari in calamitate gravius est quam calamitas. [Publílio Siro]. Ser censurado no insucesso é pior que o próprio insucesso.

140. Obiurgationes nonnunquam incident necessariae. [Cícero, De Officiis 1.38]. Algumas vezes as repreensões se tornam necessárias.

141. Obiurgationi semper blanditiae aliquid admisce. [PSa]. À tua censura junta sempre um pouco de ternura.

142. Oblata occasione, vel iustus peccat. Quando a ocasião se oferece, até o justo peca. nDiante da arca aberta, o justo peca. nArca aberta, o justo peca. nPorta aberta, o justo peca. nA ocasião faz o ladrão. lOblata occasione, vel iustus perit. [Pereira 111]. Quando a ocasião se oferece, até o justo cai. VIDE: lOccasio facit furem. lOccasio furem facit. lOccasio furtum facit; fur nascitur. lOccasiones solent aditus aperire peccatis. lPraetextu solum eget improbitas.

143. Oblatam occasionem arripe. [DAPR 82]. Agarra a oportunidade que se oferece. nApanha a ocasião por um cabelo. VIDE: lOccasio capienda est. lOccasionem arripe. lProspera sors volucri praecipienda manu.

144. Obligatio dandi. [Jur]. A obrigação de dar.

145. Obligatio est iuris vinculum, quo necessitate adstringimur alicuius solvendae rei, secundum nostrae civitatis iura. [Institutiones 3.13]. A obrigação é o vínculo de direito por imposição do qual somos obrigados a pagar alguma coisa, de acordo com as leis de nosso país. lObligatio est iuris vinculum, quo necessitate adstringimur ad aliquid dandum, vel faciendum, vel praestandum. A obrigação é o vínculo de direito por imposição do qual somos obrigados a dar, fazer ou pagar alguma coisa.

146. Obligatio est mater actionis. [Jur]. A obrigação é a mãe do processo.

147. Obligatio faciendi. [Jur]. A obrigação de fazer.

148. Obligatio impossibilium nulla est. [Jur]. A obrigação de coisas impossíveis é nula. nNinguém é obrigado a fazer o impossível. nQuem promete o que não pode a cumprir não está obrigado. VIDE: lAd impossibile nemo obligatur. lAd impossibile nemo tenetur. lAd impossibilia nemo tenetur. lImpossibilium nulla obligatio est. lImpotentia excusat legem. lLex non cogit ad impossibilia. lLex neminem cogit ad impossibile. lLex neminem cogit ad impossibilia. lNemo ad impossibile tenetur. lNemo ad impossibilia tenetur. lNemo potest ad impossibile obligari. lUltra posse nemo obligatur. lUltra posse suum nullum lex iusta cöegit. lUltra posse suum profecto nemo tenetur. lUltra vires nemo tenetur.

149. Obligatio reparandi damna. [Jur]. Obrigação de reparar danos.

150. Obligatio restituendi bona illegitime acquisita. [Jur]. Obrigação de restituir bens ilegitimamente adquiridos.

151. Oblitus es caeno, sed non oblitus honoris. [Jogo de palavras]. Estás coberto de lama, mas não esqueceste a honra.

152. Oblivio signum neglegentiae. [Jur]. O esquecimento é sinal de negligência.

153. Oblivisci suorum, ac memoriam cum corporibus efferre, inhumani animi est. [Sêneca, Epistulae 99]. Esquecer-se dos seus, e sepultar a sua memória com os corpos é desumano.

154. Oboedire oportet Deo magis quam hominibus. [Vulgata, Atos 5.29]. Deve-se obedecer mais a Deus do que aos homens.

155. Oboedite praepositis vestris et subiacete eis. [Vulgata, Hebreus 13.17]. Obedecei a vossos superiores e sede-lhes sujeitos.

156. Oboedite praepositis vestris etiam dyscolis. [Rezende 4492]. Obedecei a vossos superiores, mesmo que sejam impertinentes.

157. Obolis quattuor non emam. [Pereira 111]. Não darei (por isso nem) quatro vinténs. nNão vale um vintém furado. nNão darei por isso um figo podre. VIDE: lVitiosa nuce non emam.

158. Obrepsit non intellecta senectus. [Ausônio, Epigrammata 34.3]. A velhice aproximou-se sem ser percebida.

159. Obscena pecunia. [Juvenal, Satirae 6.298]. Dinheiro sujo.

160. Obscuratur et offunditur luce solis lumen lucernae. [Cícero, De Finibus 3.45]. A chama da lâmpada perde a claridade e é ofuscada pela luz do sol.

161. Obscure dictum habetur pro non dicto. [Jur]. O que foi dito em termos obscuros tem-se por não dito.

162. Obscurum Deo nihil potest esse. [Grynaeus 581]. Para Deus nada pode ser incompreensível. nA Deus nada se esconde.

163. Obscurum per obscurius. [Rezende 4501]. (Explicar) o obscuro pelo mais obscuro.

164. Obscurum vestis contegit ampla genus. [Pereira 99]. Uma boa roupa esconde uma origem obscura. nCom bom traje se encobre ruim linhagem. nBom traje encobre ruim linhagem. VIDE: lVestis virum facit. lVestis virum reddit. lVir bene vestitus pro vestibus videtur peritus.

165. Obsequatur denti superambula lingua dolenti. [DAPR 397]. A língua andarilha vai onde dói o dente. nA língua bate onde dói o dente. nLá vai a língua onde grita o dente.

166. Obsequia Fortunae. [Quinto Cúrcio, Historiae 8.4]. Os favores da deusa Fortuna.

167. Obsequio plurima vincit amor. [Tibulo, Elegiae 1.4]. O amor consegue muitas coisas pela condescendência.

168. Obsequio retinentur amici. [Dionísio Catão, Disticha 1.34, adaptado]. Por meio de favores conservam-se os amigos. VIDE: lDando retinentur amici.

169. Obsequium amicos, veritas odium parit. [Terêncio, Andria 68]. O favor faz amigos, a verdade cria ódio. nA verdade provoca ódios. nMal me querem as comadres, porque lhes digo as verdades. lObsequium amicos, veritas odium, familiaritas contemptum parit. [Stevenson 756]. O favor faz amigos, a verdade gera ódio, a familiaridade cria desprezo. VIDE: lE veritate odium. lHoc tempore obsequium amicos, veritas odium parit. lOdium veritas parit. lVeritas odium parit, obsequium amicos.

170. Obsequium benevoli animi finem non habet. [Publílio Siro]. A gentileza de um coração dedicado não conhece limite. VIDE: lOfficium benevoli animi finem non habet.

171. Obsequium quaere. [Tales de Mileto / Rezende 4504]. Busca a boa-vontade.

172. Obsequium tigresque domat Numidasque leones. [Ovídio, Ars Amatoria 1.2.183]. A afabilidade doma tigres e leões. nDádivas aplacam homens e deuses. lObsequium domat et tigres. A gentileza doma até os tigres.

173. Observa dominum cui vis aequalis haberi. [Pereira 105]. Obedece ao senhor a quem queres igualar-te. nFaze o que te manda teu senhor, sentar-te-ás com ele ao sol.

174. Observandum, sed non imitandum. É para se observar, mas não para imitar.

175. Observantia legum summa libertas. [Dante, Epistulae 6.22, adaptado]. A observância das leis é a suprema liberdade.

176. Observat nullam res urgentissima legem. [Pereira 95]. A coisa muito urgente não obedece a nenhuma lei. nA necessidade não tem lei.

177. Observat positam plebecula subdita legem. [Pereira 109]. O povinho subordinado obedece à lei (que lhe é) imposta. nLá vão as leis aonde as querem os reis.

178. Observat sapiens sibi tempus in ore loquendi; insipiens loquitur spretum sine tempore verbum. [Columbano / Stevenson 855]. O ajuizado observa o tempo próprio de falar; o tolo diz fora de hora palavra digna de desprezo.

179. Observato modum, nam rebus in omnibus illud optimum erit, si quis tempus spectaverit aptum. [Tosi 1760]. Respeita o bom-senso, pois em todas as coisas se terá o melhor, se se esperar o momento oportuno.

180. Obsistere homines legibus, meritis capi. [Fedro, Fabulae 3.15.20]. Os homens se rebelam contra as ordens, mas se deixam apanhar pelos favores. nMais se ganha no paço às barretadas do que no campo às lançadas.

181. Obsistet inolita consuetudo, sed meliori consuetudine devincetur. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 4.12.22]. O costume arraigado oferecerá resistência, mas será vencido por costume melhor.

182. Obsonium dum quaero, vestes perdidi. [Schottus, Adagia 611]. Enquanto procuro comida, perdi as roupas. nFui buscar lã e voltei tosquiado. nO avarento por um real perde um cento. lObsonium quaerens, tunicam amisi. [Apostólio, Paroimiai 9.56]. Procurando comida, perdi a camisa. VIDE: lDum obsonium quaero, vestem perdidi. lQuaerens cibum, et vestem amisi. lQuaerens obsonium, et vestem amisi. lQuaerens obsonium, et vestem perdidi. lQuaerentes pecuniam vestem perdiderunt.

183. Obsta principiis. [Black 1276]. Impede (o mal) no começo. nRemédio só serve cedo. nAntes que o mal cresça, corta-lhe a cabeça. VIDE: lPrincipiis obsta.

184. Obstinata mente perfer, obdura. [Catulo, Carmina 8.11]. Com a alma firme suporta, não desanimes. VIDE: lPerfer et obdura! dolor hic tibi proderit olim. lPerfer, obdura. lPersta et obdura.

185. Obstupui, steteruntque comae, et vox faucibus haesit. [Virgílio, Eneida 2.774; 3.48]. Fiquei estupefato, os cabelos se eriçaram, e a voz ficou presa na garganta.

186. Obstupui vano credulus auspicio. [Propércio, Elegiae 1.3.28]. Crédulo, fiquei paralisado diante do vão auspício.

187. Obtegit exiles candida mappa cibos. O mantel alvo cobre a escassa comida. nComida de fidalgos, pouca em mantéis alvos. VIDE: lIngenuus mensam niveis mantilibus ornat, et tegit exiles candida mappa cibos.

188. Obtrectantis est angi alieno bono. O invejoso se atormenta com a felicidade alheia. nO invejoso emagrece de ver a gordura alheia. VIDE: lAemulantis angi alieno bono quod ipse non habet.

189. Obtrectare alteri nihil habet utilitatis. Ter inveja a outrem não traz nenhuma vantagem.

190. Occasio a fronte comata, ab occipitio calva est. [Bacon, Aphorismi 121, adaptado]. A ocasião é cabeluda pela frente, mas por trás é calva.

191. Occasio aegre offertur, facile amittitur. [Publílio Siro]. A ocasião dificilmente se oferece, facilmente se perde.

192. Occasio capienda est. [Rezende 4510]. Deve-se agarrar a ocasião. nApanha a ocasião por um cabelo. VIDE: lOccasionem arripe. lOblatam occasionem arripe. lProspera sors volucri praecipienda manu.

193. Occasio delicti. [Jur]. A ocasião do delito.

194. Occasio est opportunitas temporis casu proveniens. [Rezende 4512]. A ocasião é o momento oportuno resultante do acaso.

195. Occasio est pars temporis habens in se alicuius rei idoneam faciendi, aut non faciendi opportunitatem. [Cícero, De Inventione 1.40]. A ocasião é o momento que tem em si a oportunidade certa para fazer ou não fazer alguma coisa.

196. Occasio facit furem. [Rezende 4513]. nA ocasião faz o ladrão. lOccasio furem facit. [DAPR 490]. lOccasio furtum facit; fur nascitur. A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito. VIDE: lOblata occasione, vel iustus peccat. lOblata occasione, vel iustus perit. lOccasiones solent aditus aperire peccatis. lPraetextu solum eget improbitas.

197. Occasio in bello amplius solet iuvare, quam virtus. [Vegécio, Epitoma Rei Militaris 3.26]. Na guerra, a oportunidade costuma ajudar mais do que a coragem.

198. Occasio legis. [Jur]. A oportunidade da lei.

199. Occasio receptus difficiles habet. [Publílio Siro]. Dificilmente a oportunidade retorna.

200. Occasionem arripe. Agarra a oportunidade. nApanha a ocasião por um cabelo. VIDE: lOblatam occasionem arripe. lOccasio capienda est. lProspera sors volucri praecipienda manu.