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TABACO & TABAGISMO
Um panorama histórico, científico e cultural de um dos hábitos mais difundidos
do planeta
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FIG. 1 -
O tabagismo ontem e hoje. No início do século XX, associado à
inocência e a inofensividade. No início do século XXI ,associado ao
desajuste e à doença.

FIG. 2 -
Nicotiana tabacum

FIG. 3 -
Dois aparatos para o consumo do tabaco: um narquilê africano (século
XVI) e um cachimbo asteca do período pré-colombiano. |
O consumo de tabaco é um hábito fortemente
arraigado ao cotidiano de mais de um terço dos habitantes da Terra.
Originário das Américas, foi introduzido na Europa após os Grandes
Descobrimentos luso-espanhóis, cultuado durante os séculos XVIII e
XIX e rechaçado a partir do século XX. É considerado atualmente
maior fator causal das mortes passíveis de prevenção.
Diversas estratégias de prevenção e tratamento vêm sendo estudadas e
oferecidas tanto por organismos brasileiros (Programa
de Controle do Tabagismo), quanto
por organismos internacionais (Tobacco
Free Iniciative - Organização Mundial da Saúde).
Diversos países do mundo proibiram a veiculação de anúncios na
mídia, elevaram os preços do produto e detonaram campanhas de
conscientização em massa, tais como
Dia Mundial sem Tabaco
(31 de maio) e
Por um Mundo sem Tabaco.
Além disso, tratamentos para a dependência da nicotina, realizados
por equipes multidisciplinares, com abordagens psicológicas e
farmacológicas específicas foram desenvolvidos com sucesso na última
década.
Ciência
& cultura
O tabaco (Nicotiana tabacum) é uma planta da
família das solanáceas (figura 2).
A planta contém nicotina, um estimulante do sistema nervoso central.
O tabaco é originário das Américas e conhecido há cerca de oito mil
anos por praticamente todas as culturas que habitavam o continente
antes dos Grandes Descobrimentos. A partir desse marco, o tabaco se
difundiu rapidamente por todos os continentes. Com o início da
colonização européia, tornou-se a moeda corrente no tráfico de
escravos, espalhando-se rápida e definitivamente pela África. O
continente asiático, especialmente Japão, China e Índia, viu o
tabaco ser introduzido pelos europeus ao longo do século XVI. A
partir de 1600, a planta já fazia parte do cotidiano de diversos
povos daquele continente. |
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A Ciência e o
tabaco: século XVI
Os europeus conheceram a planta já na primeira viagem de Cristóvão
Colombo (1492) ao Continente Americano. As primeiras publicações
científicas sobre o tabaco começaram aparecer a partir do século XVI
(figura 4). Nessa época, Jean Nicot (1530 - 1600), então embaixador da
França em Portugal, estudou e atribuiu propriedades medicinais à planta,
que acabou sendo batizada com seu nome (Nicotiana). Ele indicou o planta
para o tratamento da enxaqueca da rainha Catherine de Medici.
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FIG. 4 -
O tabaco chegou à Europa. A primeira publicação onde a planta
apareceu para o meio científico (Gonzalo Fernandez de Oviedo y
Valdes. Historia natural y general de las Indias, islas e terra
firme del mar oceano. 1535). Trinta e cinco anos mais tarde (1571)
já é considerada por Nicolas Monardes uma erva sagrada e uma panacea. |
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FIG. 5 -
Foi Jean Nicot quem primeiro atribuiu propriedades medicinais ao
tabaco (1559) e emprestou seu nome à planta. À direita, uma marca de
cigarro brasileira dos anos sessenta faz alusão ao seu maior
difusor. |
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FIG. 6 -
O tabaco virou moda na corte da Inglaterra após ser introduzido por
Sir Walter Raleigh. Na ilustração, um de seus servos, desavisado de
seu novo hábito, atira-lhe água com o intuito de apagar aquela
estranha fumaça que saía de sua boca. |
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A Ciência e o
tabaco: século XVII
O consumo de tabaco durante o século XVII foi médico em sua maior parte.
São também nesse período as primeiras medidas restritivas. Relatos de
complicações clínicas apareceram em trabalhos ingleses e chineses. Os
turcos baixaram, em 1633, a norma restritiva mais severa: pena de morte
para os que fossem pegos fumando. Logo foram seguidos pelos chineses,
cujo imperador decretou decaptação para os tabagistas (1638) |
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FIG
7 -
James I. O primeiro imperador antitabagista da história. Em 1604
escreveu de Counterblaste of tabacco
(O outro lado do tabaco). |
Apesar disso, o
tabaco tornou-se paulatinamente ao longo do século XVIII uma planta de consumo
profano, visando ao prazer e à diversão. Logo se converteu em um grande
investimento comercial. Nos Estados Unidos, as plantações da Carolina do Norte
viraram referência mundial para todos aqueles que se interessavam para produção
e comercialização do produto (figura
8). Avanços tecnológicos
para o cultivo da planta foram desenvolvidos com sucesso, principalmente nos
Estados Unidos (figura 9).
A vocação comercial da planta apareceu associada ao glamour, à sensualidade e a
inofensividade.
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FIG. 8 - Campo de
plantação de tabaco na Carolina do Norte. Inicialmente destinado ao
comércio triangular com o tráfico de escravos, converteu-se em um ciclo
de grande prosperidade com a apreciação do produto na Europa.
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FIG. 9 - Manuais sobre o
cultivo do tabaco (século XVII) |
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A
ciência e o tabaco: século XVIII
As primeiras publicações européias relacionando o tabaco ao câncer de
lábio, boca e mucosa nasal apareceram nesse século. A Inglaterra e a
Alemanha foram os países que mais estudaram o assunto. |
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FIG. 10 - Anúncios de
cigarro no século XIX: glamour e elegância. |

FIG. 11 - O cigarro
ganha as ruas e torna-se um hábito definitivo do homem do século
XIX. |
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O tabaco se tornou um
hábito definitivo dentro da cultura ocidental durante o século XIX.
A produção de cigarros se industrializou: fábricas apareceram na
Inglaterra e França entre 1840 - 1860. A produção atingiu larga
escala e barateou o produto. Novos aparatos, como a caixa de
fósforos (1833) e a máquina de enrolar cigarros (1881),
popularizaram e atribuíram conveniência ao consumo.
A Ciência e o tabaco: século
XIX
Apesar de cada vez mais associado a problemas crônicos de saúde,
apenas vozes do movimento proibicionista norte-americano se
manifestavam contra o consumo livre de controle do produto. As
primeiras taxações ao tabaco surgidas neste século, tiveram por
objetivo o custeio de gastos nacionais extraordinários, tais como a
Guerra civil norte-americana
(First Federal Tobacco
Tax - 1862).
A produção no final do século XIX chegou a 2,4 bilhões de cigarros. |
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FIG. 12 - Fábricas de
cigarro na transição do século XIX para o século XX: disponibilidade
tecnológica mais produção em larga escala é igual a barateamento do
produto. |
Os Estados
Unidos e a Inglaterra chegaram ao século XX com o domínio de 80% do
mercado mundial de tabaco. Em 1903 a produção anual atingiu 3 bilhões de
cigarros e 13 bilhões em 1912. O primeiro cigarro 'moderno' foi
introduzido pela RJ Reynolds em 1913, com o nome de Camel (figura
12).
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FIG. 13 -
Fábrica de cigarros do início do século XX (1922), na Carolina do Norte.
Os Estados Unidos sempre lideraram o comércio de tabaco no mundo. |

FIG. 14 - O cigarro
serpente. Vozes eminentemente proibicionistas levantaram-se contra o
consumo do cigarro no início do século XX. Fora isso, o cigarro
continuou sua próspera trajetória. |
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A Ciência e o tabaco: primeira metade do século XX
Por mais que se soubesse dos malefícios causados pelo cigarro,
através de relatos de casos e da propaganda antitabagista movida
pelos proibicionistas desde o final do século XIX, a Ciência pouco
se interessou pelo tabagismo na primeira metade do século XX. Para
se ter uma idéia, os primeiros estudos epidemiológicos acerca do
tabagismo só aparecerão a partir de 1950.
Continuando
sua expansão, o cigarro conquistou novos adeptos em todas as áreas.
Hollywood rendeu-se ao charme do hábito. E o hábito virou charme.
Mas a II Guerra acabou. As tropas voltaram para a casa e a vida
continuou. Os governos quiseram imprimir a seus povos uma rotina de
restrições para a reconstrução das nações. Mas a população já
passara décadas temendo e vivendo a Grande Guerra. A juventude
transviada de James Dean adotou o cigarro como símbolo de rebeldia,
mesmo que sem causa. Os beatnicks, poetas e escritores do
pós-guerra, apaixonados pelo Bebop e pela aventura nas estradas da
América, tinham no cigarro um símbolo de liberdade. Seus herdeiros
mais radicais, os hippies, mantiveram esse costume. |
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FIG. 15 -
Marcas de cigarro
norte-americanos. |
I |
FIG. 16 -
O flerte embalado pela fumaça do cigarro, um modo de conquista pouco
usual nos dias de hoje |
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FIG. 17 -
O galã e futuro presidente dos EUA, Ronald Reagan anuncia cigarros
utilizando todo seu charme. Já o Gordo e o Magro emprestam sua
irreverência à marca Old Gold. |
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FIG. 18 -
Marlene Dietrich, símbolo sexual da primeira metade do século e seu
inseparável cigarro, componente fundamental de seu charme irresistível.
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FIG. 19 -
Freud e seu inseparável charuto: às vezes um
charuto é só
um charuto. |
A ciência e o tabaco:
do pós-guerra aos anos 70
O tabaco foi utilizado extensivamente pelas tropas aliadas
durante a II Guerra. O hábito arraigado começou a ser melhor estudado nos países
europeus e nos EUA. Levantamentos epidemiológicos na Inglaterra e nos EUA foram
realizados em 1950. Nos anos 60, a relação entre câncer de pulmão e tabagismo
foi definitivamente estabelecida. A partir de 1962, o Governo Britânico decretou
que os produtos derivados do tabaco deveriam ter avisos sobre os riscos
potenciais. Os EUA tomaram atitude semelhante em 1964. Foram duas décadas de
constatações. O combate frontal ao hábito, no entanto, esperaria até meados dos
anos 80.

FIG. 20 - O
cigarro, a juventude transviada, os Beats e o Hippies. Bons companheiros.
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FIG. 21 -
O Rei Roberto não se conformou com o anúncio que dizia É Proibido
Fumar (1964). |
O período do pós-guerra
aos anos 70 mostrou algumas peculiaridades. A crescente preocupação
científica com os danos causados pelo cigarro se contrapuseram ao
ambiente liberal do pós-guerra. Tanto que o hábito era pouco
criticado e amplamente aceito. Fumar em locais fechados, tais como
ônibus, cinemas e lojas era absolutamente normal. Não se questionava
as incompatibilidades entre o hábito de fumar e o estilo de vida que
muitos levavam. Não incomodava ao grande público as associações
pouco prováveis na prática, tais como o fumo e a prática de esporte. |
A ciência e o tabaco:
anos 70
Os anos setenta foram o ápice da revolução sexual e
libertária, onde o consumo de drogas (entre elas o cigarro) era visto como uma
modo de contestar o sistema político vigente (autoritário em boa parte do mundo,
inclusive no Brasil). Paralelamente a Medicina continuou a demonstrar
associações entre o tabagismo e doenças clínicas, entre elas o enfisema e
diferentes tipos de câncer. O conceito de sustância prejudicial à saúde crescia
entre as pessoas. Um sinal de reação mercadológica a esse movimento
conscientizador foi o aparecimento de apresentações menos concentradas. Assim,
dizia um anúncio no final da década: "menos nicotina e alcatrão, sem cortar seu
prazer de fumar".
Honestamente, eu nunca encontrei
ninguém em lugar algum que me desse a mínima evidência médica, tampouco que me
indicasse o cigarro como causa absoluta de doença. Eu acredito no que digo. Eu
estou sentado aqui falando com vocês com a consciência absolutamente limpa".
Gerald H. Long, Presidente da RJR
Tobacco Company. Washington Times, 19 de maio de 1986
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FIG. 22: Rose
Cippolone foi uma das primeiras a ganhar direito à indenização da
indústria tabagista pelos danos relacionados ao seu consumo de
cigarros. |
Os anos oitenta foram marcados pelo combate ao fumo e seu modo de
comercialização. A indústria do cigarro foi intensamente investigada
nesse período. Ela negou qualquer conhecimento das propriedades
indutoras de dependência da nicotina. Por outro lado, evidências
apontavam não só para o conhecimento destas, como também para
esforços industriais no sentido de potencializa-las. Em 1983, Rose
Cippolone ganhou uma das primeiras indenizações da indústria
tabagista, no valor de US$ 400 mil dólares. O motivo fora um câncer
de pulmão contraído e em parte relacionado aos seus anos de
tabagismo. |
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A ciência
e o tabaco: anos 80
Não havia mais dúvida acerca dos malefícios
causados pelo tabaco nos anos oitenta. Desse modo, a década se
consagrou pelo surgimento de políticas públicas voltadas para a
prevenção e combate ao fumo. Nunca o consumo do tabaco havia sido
alvo de controle e normatização como foi durante os anos oitenta. O
uso foi banido de locais fechados, transportes públicos, lojas e
congêneres. Muitos países proibiram a veiculação de comerciais
incentivando a venda de cigarros (figura
23). A
Organização Mundial da Saúde criou em 1987 o Dia Mundial sem Tabaco
(31 de maio). O Brasil comemora essa data desde 1989, sob a
organização do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O Ministério da
Saúde criou em 1986 o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de
agosto). Durante a semana que antecede a data, uma campanha de
âmbito nacional alerta a população, em particular os adolescentes e
adultos jovens - alvos preferidos da indústria do tabaco - sobre os
males causados pelo fumo à saúde. |
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FIG. 23 -
Nunca um sinal foi
tão popular como nos anos 80. |
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FIG. 24 -
A França proibiu no final dos anos 80 a veiculação de anúncios
comerciais sobre cigarros. Durante a temporada de Fórmula 1 nesse
país, a MacLaren, que durante muitos anos foi patrocinada pela marca
de cigarro Marlboro, retirava seu patrocinador e o substituía pelo
nome da equipe.
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FIG. 25 - A crescente
constatação de que o consumo de tabaco causa diversos males à saúde
(em especial pulmonares) tornou esse hábito um dos principais alvos
dos profissionais da saúde. |
Os anos 90 trarão
mais contribuições ao entendimento do tabagismo. A análise das pessoas acerca do
tabagismo amadureceu. As considerações médicas são hoje aceitas com mais
facilidade. Anteriormente, chegaram ser tomadas como repressoras ou restritivas.
Isso refletia um pouco o ranço autoritário por que passou o mundo ocidental,
tensionado pelas atitudes libertárias se lhe contrapuseram na Segunda metade do
século XX.
A ciência e o tabaco:
anos 90
Acontecimentos importantes nos anos 90 foram a
internacionalização das lutas de combate ao fumo e o aparecimento de técnicas
psicoterápicas e farmacológicas de tratamento ao tabagismo. Um exemplo de
internacionalização é a Convenção Quadro, um tratado internacional que visa à
uniformização das estratégias de controle e combate ao fumo.
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Convenção quadro
Para estabelecer padrões
de controle do tabagismo em todo o mundo, a Assembléia Mundial da
Saúde (AMS), órgão diretor supremo da OMS, adotou a Resolução 52.18,
em 24 de maio de 1999. Essa Resolução foi a base para acelerar as
negociações entre os 191 países membros visando ao estabelecimento
de uma Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Framework
Convention on Tobacco Control) |
A Convenção-Quadro será um
instrumento legal sob forma de um tratado internacional. Os países signatários
se comprometerão a adotar ações integradas para o controle do tabagismo no mundo
com relação a diversas questões complexas como a regulamentação da publicidade e
da promoção do tabaco, soluções para a fumicultura, impostos, mercado ilegal
etc. A Convenção-Quadro não substitui as ações nacionais e locais para o
controle do tabaco de nenhum país. Ela as complementa e fortalece.
Objetivo
O objetivo principal da
Convenção-Quadro é reduzir o tabagismo em escala mundial, protegendo a população
das doenças relacionadas ao fumo, bem como a exposição à fumaça provocada pelos
produtos derivados de tabaco.
Principais pontos:
* Obrigações gerais para
desenvolver programas abrangentes e multissetoriais para o controle do tabaco
nos países.
* Disposições específicas, tais como:
-
medidas para redução de
demanda através de políticas de preços e impostos (aumento dos preços dos
produtos, através do aumento dos impostos);
-
proteção contra exposição à
fumaça do tabaco (proibição de fumo em ambientes públicos e garantia de uma
proteção efetiva aos não fumantes);
-
eliminação da propaganda e
promoção;
-
proteção aos jovens
(proibindo distribuição de amostras grátis, venda a menores de idade, venda
em máquinas de cigarros e prateleiras);
-
medidas para coibir o
mercado ilegal;
-
tratamento da dependência do
tabaco;
-
divulgação dos malefícios
causados pelo consumo do tabaco, através de advertências claras com imagens;
-
regulamentação dos teores
das substâncias contidas nos produtos derivados do tabaco.
* Outras obrigações nacionais
em potencial para a Convenção, são as seguintes: educação, capacitação,
campanhas de alerta ao público, cooperação técnica nas áreas de vigilância,
pesquisa e troca de informações.
O
que foi feito até hoje
Em 1999, foi criado um
Grupo de Trabalho para considerar a base técnica para a Convenção e seus
protocolos. O grupo concluiu que as medidas necessárias para o controle do
tabaco deveriam se concentrar principalmente nas estratégias para a redução da
demanda. Na segunda fase, foi estabelecido um Órgão de Negociação
Intergovernamental (ONI) para organizar as propostas com vistas à formulação do
texto para a Convenção-Quadro e de seus protocolos correspondentes. Até o
momento aconteceram
4 reuniões do ONI,
estando previstas para se encerrarem em fevereiro de 2003 com a 6a sessão. A
adoção da Convenção-Quadro para o Controle do Tabagismo está prevista para o mês
de maio de 2003, com base na continuidade das discussões entre os países membros
da OMS que ocorrerão até lá.
A participação do Brasil
No Brasil, foi criada
uma Comissão Nacional que tem o objetivo de analisar os dados e informações
nacionais referentes aos diferentes temas abordados nas negociações da
Convenção-Quadro e subsidiar o Presidente da República nas decisões e
posicionamentos do Brasil durante essas negociações. O Brasil tem se destacado
nas reuniões por já dispor de um programa efetivo de controle do tabagismo,
assumindo posições firmes de acordo com a legislação brasileira para o assunto.
Em novembro de 2001, o Governo Brasileiro promoveu o
1º Seminário Latino Americano sobre a Convenção Quadro
para o Controle do Tabaco
visando alcançar uma posição consensual sobre o assunto entre os países da
América Latina, que foi apresentada na 3a reunião do ONI. O Presidente do ONI é
o atual Chefe da Missão Permanente do Brasil na Suiça, Embaixador Luiz Felipe de
Seixas Corrêa, em substituição ao ex-presidente do Órgão, o então embaixador
brasileiro naquele país, Celso Amorim. Integram a Comissão Nacional os
representantes dos Ministérios da Saúde, das Relações Exteriores, da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Desenvolvimento Agrário, da Fazenda,
da Justiça, do Trabalho e Emprego, da Educação e do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior.
As vantagens
A viabilização de uma
Convenção-Quadro permitirá que exista um veículo coordenador de políticas
públicas de saúde, capaz de criar uma rede de cooperação, permitindo que os
países tenham um sistema regulador da indústria do tabaco, no que se refere às
suas estratégias nacionais e internacionais de ampliação de mercados
consumidores. Para este fim, torna-se necessário que as articulações regionais
prossigam, fortalecendo as alianças, para que o texto final da Convenção-Quadro
tenha como meta e objetivos principais a proteção da saúde pública.
Extraído do site
http://www.inca.gov.br/tabagismo/dianacional
Abordagens
medicamentosas e psicoterápicas para o tratamento do tabagismo
As abordagens
medicamentosas são fruto do melhor atendimento acerca da neurobiologia da
dependência química. Parte do sistema de neurotransmissão de dopamina,
denominado sistema de recompensa do sistema nervoso central, está relacionado à
busca do prazer e da recompensa. Reações de prazer estimulam a liberação de
dopamina. Essa atua nos receptores de dopamina e confere bem-estar e memória ao
evento. Cria-se, assim, o desejo de repetir o evento oportunamente. O consumo de
substâncias psicoativas altera esse funcionamento. O uso prolongado, reduz os
níveis de dopamina no cérebro, causando entre outras coisas, sintomas
depressivos e de fissura pela droga.
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FIG. 27 - Atlas
epidemiológico do consumo de tabaco no mundo. China, Estados Unidos,
Japão, Russia e Indonésia são os cinco maiores fumantes do planeta.
O consumo diário é superior a 15 bilhões de cigarros. O consumo
anual brasileiro é de 500 - 1500 cigarros ano por pessoa. |
Para lidar com esse
déficit são utilizados antidepressivos (bupropiona) capazes de
aumentar os níveis de dopamina no cérebro. Isso melhora os sintomas
depressivos e de fissura. Outra alternativa é a terapia de
substituição da nicotina, por meio de adesivos ou chicletes de
nicotina, com redução gradual posterior. Ambas abordagens podem ser
administradas concomitantemente. Há contra-indicações precisas e
efeitos indesejáveis, que tornam o acompanhamento médico necessário.
Essa abordagem apresenta maior eficácia quando associada a
intervenções psicoterápicas específicas. A motivação do indivíduo
para a mudança, através de abordagens reflexivas, empáticas e livres
confronto são utilizadas inicialmente. Com a obtenção da
abstinência, começa o planejamento para prevenção da recaída e o
treinamento de habilidades. A combinação de farmacoterapia e psicoterapia se mostrou eficaz em
mais de 70% dos casos. |

FIG. 28 -
Molécula de bupropiona |
Conclusões
O tabagismo é a principal causa
de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população
mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas (entre as quais 200
milhões de mulheres), sejam fumantes. Mais de 15 bilhões de cigarros são
consumidos diarimente mundo afora. Nos últimos cem anos, o consumo mundial pulou
de 50 bilhões de cigarros por ano para 5,5 trilhões de cilindros. Cerca de 47%
de toda a população masculina e 12% da população feminina no mundo fumam.
Enquanto nos países em desenvolvimento os fumantes constituem 48% da população
masculina e 7% da população feminina, nos países desenvolvidos a participação
das mulheres mais do que triplica: 42% dos homens e 24% das mulheres têm o
hábito de fumar.

FIG. 29 - Atlas epidemiológico do
consumo de tabaco no mundo. China, Estados Unidos, Japão, Russia e
Indonésia são os cinco maiores fumantes do planeta. O consumo diário é superior
a 15 bilhões de cigarros.
O consumo anual brasileiro é de 500 - 1500 cigarros ano por pessoa.
O total de mortes devido ao
uso do tabaco atingiu a cifra de 4 milhões de mortes anuais, o que corresponde a
mais de 10 mil mortes por dia. Caso as atuais tendências de expansão do seu
consumo sejam mantidas, esses números aumentarão para 8,4 milhões de mortes
anuais por volta do ano 2020, sendo metade delas em indivíduos em idade
produtiva (entre 35 e 69 anos).
O Brasil realizou em 2001 o I Levantamento Domiciliar sobre Uso de Drogas.
Segundo o estudo, 50% dos brasileiros fumou pelo menos uma vez na vida, sendo 9%
dependentes.
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