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1. Creio em Deus, Pai
Todo-Poderoso
"Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho
a toda a criatura" (Mc 16,15). "Ide, pois, e ensinai todas as gentes,
batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a
observar tudo o que vos mandei" (Mt 28,19-20). Eis a missão que Jesus confiou
aos seus apóstolos. A mesma que os apóstolos transmitiram aos seus seguidores: a
missão da Igreja, hoje. A Igreja testemunha e anuncia para que todos possam crer
e esperar, viver e amar como Jesus acreditou e esperou, viveu e amou. Ela guarda
a tradição sagrada e protege-a da falsificação e do erro.
A profissão de fé nasceu na Igreja como
recapitulação válida da mensagem transmitida pelos apóstolos. Todos aqueles que,
por ocasião do seu Batismo, são interrogados sobre a sua fé, confessam com as
mesmas palavras a sua pertença a Deus Pai, a Jesus Cristo, seu Filho e ao
Espírito Santo.
A profissão de fé (Credo) de todos os
cristãos começa pela palavra "Eu". Porque no seio da comunidade, cada pessoa tem
a sua própria história com Deus. Ninguém pode dizer "eu" pelo outro.
Quem diz "sim" a Deus deve saber a que se
compromete. Por isso, é importante que cada cristão aprenda a conhecer e a
compreender o texto fundamental da sua fé.
1.1 Eu creio
Eu sou uma pessoa e nasci rapaz ou rapariga.
Tenho um pai e uma mãe, irmãos, irmãs e familiares. Vivo em sociedade com muitas
pessoas, animais e plantas, e com tudo o que cresce na terra.
Os homens podem ver e ouvir, aprender e
reter, pensar e fazer projetos. Podem construir casas, domesticar animais, curar
doenças, transmitir a vida. Investigam o universo e são capazes de viajar até à
lua, atravessar os mares e inventar bombas que destroem a vida sobre a terra.
São capazes de observar e estabelecer comparações.
Os homens comunicam, aprendem uns dos outros,
necessitam-se mutuamente. O que é difícil torna-se fácil quando há alguém a quem
posso dizer: conto contigo; tens boas intenções para comigo. Escuto o que me
dizes: confio em ti. Tu ajudas-me sempre a levantar e dás-me esperança. Quero
apoiar-me em ti. Acredito em ti. |
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Um amigo fiel é uma poderosa proteção;
quem o encontrou, descobriu um tesouro. (Eclesiástico 6,14)
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1.2 Creio em Deus
As pessoas acreditam em si mesmas. Mas muitas
acreditam também em algo que as ultrapassa. Acreditam em Deus. Esperam d'Ele uma
resposta que ultrapassa toda a capacidade de conhecimento. Porque estou na
terra? Porque temos de morrer? Donde procede a diversidade da vida? Existe uma
causa última que dê sentido à vida e também ao sofrimento?
Em todas as épocas e em todos os povos, os homens
procuram Deus. Procuram-n'O para aprender d'Ele a compreenderem-se e a
compreender o mundo. Todo o homem pode
reconhecer a mão eficiente de Deus na ordem
diversificada da criação.
As obras são o reflexo d'Aquele que as criou.
Existe uma maneira mais direta de encontrar Deus e de estar seguro da sua
existência. Testemunham-no os profetas da Primeira Aliança, enviados por Deus.
Um mestre da Igreja primitiva escreve: "Muitas vezes e de muitos modos falou
Deus a nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que
são os últimos, falou-nos por meio do Filho" (Hb 1,1).
Os cristãos confiam no testemunho da
Bíblia. Acreditamos
que Deus escolheu o pequeno povo de Israel, entre todos os povos da terra, para
estabelecer com ele uma aliança. Através deste povo, todos os povos
da terra aprenderão que Deus existe e que Ele tem um plano para os homens. A
história desta aliança divina com Israel encontra-se nos livros do Antigo Testamento.
Através das histórias bíblicas dos encontros,
aprendemos a conhecer a Deus. Aprendemos quem é Deus e o que Ele quer do homem
ou para o homem.
Moisés pastava o seu rebanho no deserto. Vê então
uma sarça ardendo sem se consumir pelo fogo. Ouve a voz que lhe diz: "Eu sou o
Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob... Eu bem
vi a opressão do meu povo que está no Egito, e ouvi o seu clamor...; conheço, na
verdade, os seus sofrimentos" (Ex 3,6-7).
O Deus transcendente e todo-poderoso uniu-Se a
esses homens. Sofreu com eles. Através de Moisés quer conduzi-los à liberdade.
Moisés estremece, não quer aceitar essa missão. Pede que, do meio do fogo, lhe
diga o seu nome. Deus diz-lhe: "Eu sou aquele que é". Não é um nome habitual.
Deus está aí para o homem. Deus está aí! E isto é válido para todos os homens e
para todos os tempos. |
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E agora, eis o que diz o Senhor, o que
te criou...
Nada temas, porque Eu te resgatei,
e te chamei pelo teu
nome; tu és meu.
Se tiveres de atravessar as águas, estarei
contigo,
e os rios não te submergirão.
Se caminhares pelo fogo, não
te queimarás,
e as chamas não te consumirão.
Porque Eu, o Senhor,
sou o teu Deus;
Eu, o Santo de Israel, sou o teu salvador.
(Isaías 43,1 - 3) |
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Job, um homem piedoso que confiou a sua vida a
Deus, descobre-O de outra maneira: a desgraça cai sobre ele. Bandos de ladrões
roubam-lhe os seus rebanhos e matam os pastores. Os seus filhos, sete varões e
três filhas, ficam sepultados sob as ruínas da sua casa, que desabara sobre
eles. Ele próprio contrai lepra: o seu corpo cobre-se de chagas. Permanece
sentado sobre um monte de cinzas e raspa-se com um caco de telha.
Não é possível que Deus envie tantas desgraças ao
piedoso Job! A mulher e os amigos tentam convencê-lo a separar-se de Deus, visto
que lhe paga tão mal o bem que Lhe faz. Mas Job está certo disto: se aceitamos
de Deus o bem que Ele nos envia, não devemos aceitar também o mal?
Acreditar significa:
-
Confiar em Deus, saber que Ele
existe para todos os homens, que Ele os conhece e os ama.
-
Estar certo de que Deus existe
para mim, me conhece e me ama.
-
Amar a Deus com todo o meu
coração, com todas as minhas forças e com todas as minhas
capacidades.
-
Dizer sim a Deus, escutar a
sua palavra, fazer a sua vontade. |
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Numa cidade em ruínas, foi encontrada,
na parede dum refúgio, a profissão de fé dum perseguido:
Creio no sol, mesmo
quando ele não brilha. Creio no amor, mesmo que não o sinta.
Creio em Deus, mesmo quando Ele Se cala. |
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Conhecimento de Deus:
"As faculdades do homem tornam-no capaz de conhecer a existência de um Deus
pessoal. Mas para que o homem possa entrar na sua intimidade, Deus quis
revelar-Se ao homem e conceder-lhe a graça de poder acolher essa revelação na
fé. Contudo, as provações sobre a existência de Deus podem dispor à fé e ajudar
a ver que a fé não se opõe à razão humana" (Catecismo da Igreja Católica
35).
Bíblia - Antigo
Testamento: Bíblia significa "livro". Designa-se assim o livro que reúne
os escritos que a Igreja reconhece como "Sagrada Escritura". A primeira parte, a
mais extensa, o Antigo Testamento, contém os livros nos quais o povo de Israel
testemunha as grandes obras de Deus e da sua própria história. Contém três
partes distintas: A Lei (Pentateuco = os cinco livros de Moisés), os Livros
Proféticos, e os "Escritos" (históricos, poéticos e sapienciais). Os escritos do
Antigo Testamento foram redigidos durante o milênio que precedeu o nascimento de
Jesus. A segunda parte da Bíblia, mais pequena, constitui o "Novo Testamento"
(cf. 3.4).
Aliança: A palavra
significa o pacto que Deus fez com Noé, com Abraão, e com todo o povo no Monte
Sinai. A aliança é para Israel o penhor da eleição. "Eu serei o vosso Deus, e
vós sereis o meu povo". Os "Dez Mandamentos" constituem as regras da aliança.
Todos os anos, Israel celebra a festa da aliança. Dado que o Deus fiel
concluiu esta aliança, os homens podem confiar n'Ele. Mesmo no meio das maiores
adversidades, os homens piedosos não perdem a esperança. Aguardam uma nova
aliança que Deus oferecerá ao seu povo. A Igreja proclama Jesus como Messias,
Cristo, através do qual Deus realiza essa esperança.
1.3 Creio em Deus, Pai
Todo-Poderoso
Os que crêem falam com Deus. Procuram palavras
que exprimam a grandeza de Deus e expliquem que Ele é diferente: Tu és Santo, Tu
és Glorioso, Tu és o Altíssimo. Prostram-se a seus pés e adoram-n'O.
Muitos justos, dos quais fala o Antigo
Testamento, acreditam que aquele que vir a Deus face a face morrerá
necessariamente. Mas o Antigo Testamento conhece homens cujo maior desejo é
contemplar o rosto de Deus. São homens que tudo o que desejam é estar com Deus,
porque acreditam, com fé, que o homem não pode ser feliz se não está junto de
Deus. Acreditam que Deus castiga o pecado, mas sabem igualmente que o seu amor e
a sua misericórdia são imensamente maiores do que a sua ira.
Eles dizem: Deus não quer humilhar-nos. Deus não
amedronta as pessoas. Ele ama-as e quer ser amado. Ele diz de Si mesmo: "Como
uma mãe consola o seu filho, assim Eu vos consolarei" (Is 66,13). E também:
"Chamar-Me-ás 'Meu Pai' e não te afastarás de Mim" (Jr 3,19). Um justo que
conhece bem a Deus, diz: "Tal como um pai se compadece de seus filhos, assim o
senhor Se compadece dos que O temem" (Sl 103,13).
Que Deus nos pareça, por vezes, afastado,
estranho e inacessível, faz parte do mistério do seu amor. E também que Ele nos
faça sentir que os seus pensamentos e os seus caminhos não são os nossos (cf. Is
55,8).
Quando os poderes do mal prevalecem, Deus pode
parecer-nos, por vezes, impotente. E, no entanto, quando sentimos faltar-nos as
forças, ainda é válida a palavra que o enviado de Deus dirigiu a Abraão que
duvidava - sendo ancião de noventa anos de idade - que fosse possível nascer-lhe
um filho: "A Deus nada é impossível". É a mesma palavra que o anjo diz a Maria
na Anunciação.
Aos que estão cansados de tanto trabalho, Deus
sai ao seu encontro tomando-os nos seus braços. Procura os que estão sós e
senta-Se a seu lado, como uma mãe. Enxuga as lágrimas dos que já perderam a
esperança. Tranqüiliza os que têm dúvidas. O seu sorriso anima os
desencorajados. Nada nem ninguém é capaz de resistir a Deus. O seu braço nunca é
demasiado curto para ajudar. É isto principalmente o que queremos dizer quando
afirmamos: Deus é todo-poderoso. Todo-poderoso para ajudar, para perdoar e para
fazer o bem. Todo o mal é estranho à sua natureza. |
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O amor de Deus é
como uma mão à qual nos podemos agarrar, como um luz que brilha na
noite e nos indica o caminho.
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2. Creio em
Deus..., criador do Céu e da Terra
Os homens perguntam admirados: donde vem o mundo?
Donde procede esta diversidade da vida? Quem decidiu sobre o curso dos astros
que determinam o tempo do Verão e do Inverno, as sementeiras e as colheitas, o
dia e a noite? Quem proporcionou a ordem às plantas e aos animais e concedeu a
fertilidade à terra? Quem faz brotar a vida no seio das mães? O que é que
existiu no princípio e qual será o fim?
Os homens que sofrem, queixam-se: Quem faz
estremecer a terra e provoca as inundações? Quem retém as águas para secar a
terra? Donde vem a desgraça, a doença, a morte? Donde vem o mal e quem lhe dá o
poder de encher o coração humano? Acabará o mal por vencer o bem? Será a morte
mais forte que a vida?
Em todo o mundo se ouvem as mesmas interrogações
que angustiam os homens. Os mais sábios de entre todos os povos buscam uma
resposta. Falam do mistério dos começos, das obras da divindade e da sua
história com a humanidade: são os relatos das origens.
Os sacerdotes de Israel, iluminados pelo Espírito
de Deus, formulam a sua fé em Deus, "criador do céu e da terra". Esta confissão
de fé é tão importante que eles a situam no princípio da Bíblia.
Relatos das origens:
Fala-se, por vezes, do "relato da criação" no princípio da Bíblia correndo o
risco de interpretar o capítulo inicial do primeiro livro bíblico como a
descrição mais ou menos exata dos acontecimentos relatados nesse primeiro
capítulo. Quando se diz, por exemplo, que Deus criou o mundo em seis "dias"
(fala-se dos seis dias de "trabalho" divino), a palavra "dia" não significa as
vinte e quatro horas do dia. A imagem pretende sublinhar que com a criação de
Deus, o tempo começa o seu percurso, e também que as diferentes criaturas ficam
ligadas umas às outras. O texto que a Bíblia nos transmite não nos diz como é
que o universo começou, mas quem é que o fez. O povo de Israel professa neste
hino a sua fé em Deus, o qual existia antes do começo e que permanece fiel à sua
criação até à sua consumação.
2.1 Tudo procede de
Deus
"No princípio
Deus criou o céu e a terra" (Gn 1,1). Com
esta frase começa a Bíblia. "No princípio" significa: quando ainda não havia
nenhum ser humano na terra, nenhum homem, nenhuma mulher, nenhuma criança,
nenhum animal para deixar o seu rasto na floresta e nos campos, nenhum pássaro
para cantar, nenhum peixe para nadar nas águas, nenhum raio de sol para anunciar
o dia nem a lua a iluminar o céu, nem uma estrela a iluminar a noite, nenhum
mar, nem altura nem profundidade, nem direita nem esquerda. No princípio havia
Deus: "O seu espírito pairava sobre as águas" (Gn 1,2).
-
Nós dizemos: "Creio em Deus,
criador do céu e da terra", e queremos dizer com isto que o mundo e tudo o que
ele contém não surgiu de si mesmo nem do acaso, mas surgiu porque Deus assim o
quis; sem Ele não haveria vida.
-
Nós dizemos: Ele criou o mundo
do "nada": o mais pequeno átomo, a galáxia mais distante. Por isso os homens
podem reconhecer o rasto de Deus nas suas criaturas mesmo desconhecendo-O.
"Pois, na grandeza e formosura das criaturas podemos ver, por analogia, o seu
autor" (Sb 13,5).
Os homens partem à descoberta do seu meio vital,
a "Terra". Explicam como a diversidade da vida evoluiu ao longo dos milênios. A
nossa imagem do
mundo é diferente da imagem bíblica. Acerca dos começos, da causa
última da vida, existem várias respostas: nós não acreditamos no acaso, mas sim
que o Deus vivo é a causa original de todos os começos.
Através da fé neste Deus, podemos adotar um ponto
de vista que nos permita compreender o mundo e a nós mesmos. E porque
acreditamos, podemos confiar que o mundo e o homem estão seguros n'Aquele que
existia já no princípio.
Deus é cheio de bondade para conosco. O povo de
Israel experimentou-o muitas vezes, e cada crente experimenta-o na sua própria
vida. |
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Alguém que refletiu muito, louva a Deus
assim: "Tu tens compaixão de todos, pois tudo podes e desvias os olhos dos
pecados dos homens, a fim de os levar à conversão. E como subsistiria uma
coisa, se Tu a não quisesses? Ou como se conservaria, se não tivesse sido
chamada por Ti? Mas Tu poupas a todos, porque todos são teus, ó Senhor,
que amas a vida!" (Sabedoria 11,23.25 - 26) |
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Deus: Pai, Filho e Espírito
Santo: Os cristãos louvam Deus-Pai que criou o céu e a terra. Louvamos
Jesus Cristo, Filho de Deus, que desde sempre está unido ao Pai, porque é o
Verbo (ou a Palavra), pelo qual todas as coisas foram feitas (Jo 1, 1-3).
Louvamos o Espírito Santo de Deus, o qual pairava sobre as águas, no princípio
(Gn 1,2), que dá a vida e a preserva ao longo dos tempos. Rezamos assim: Glória
ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Imagem do mundo: Na
época em que foram escritos os livros bíblicos, acreditava-se que a terra era um
disco redondo suportado por colunas assentes no fundo do mar. Debaixo dela
estaria o reino dos mortos: acima dela, a abóbada celeste separando as águas
superiores das águas inferiores. A chuva cai de cima sobre a terra seca. "Céu e
terra" significa todo o universo.
2.2 O homem procede de
Deus
O homem chegou tardiamente à terra. Os oceanos e
os continentes, as plantas e os animais existiam muito antes dele. Israel
proclama: No sexto dia, no último dia da sua obra, Deus criou o homem. O homem
que vive com as plantas e os animais e que, contudo, é diferente e "bem mais" do
que eles. E o que querem dizer-nos os sacerdotes de Israel quando afirmam que
Deus criou o homem à sua imagem.
Deus criou o ser humano, homem e mulher, para que
sejam companheiros um do outro e se ajudem mutuamente. É no amor de um pelo
outro que chegam a ser plenamente humanos. É juntos que transmitem a vida, a sua
sabedoria, a sua experiência, o seu amor. Porque o ser humano, homem e mulher, é
semelhante a Deus, é capaz de conhecer e amar a Deus, os outros homens e os
animais.
O ser humano pode descobrir e investigar a terra,
servir-se dela e transformá-la. Mas pode também poluí-la e destruí-la.
Considera-se a si mesmo, e com razão, "senhor" da terra. A sua grandeza, porém,
não vem dele mesmo. Deus destinou as últimas criaturas para que sejam as
primeiras, a fim de cuidarem não só de si mesmas e dos filhos, mas também de
tudo o que cresce sobre a terra.
Deus confia ao homem a tarefa de ser companheiro
fiel dos animais e das plantas, a fim de que ele proteja e defenda a vida, que
não explore a terra, mas a preserve, que proporcione a cada criatura o que ela
necessita. O homem e a mulher, conjuntamente, são responsáveis pela terra. O
homem e a mulher são ambos semelhantes a Deus. |
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Senhor, a nossa terra é apenas um pequeno
astro no grande universo. Depende de nós fazer dela um planeta cujas
criaturas não sejam atormentadas pela guerra, torturadas pela fome e pelo
medo, divididas pela absurda separação de raças, de cores e de
ideologias.
Concede-nos a coragem e a lucidez de
começar já hoje esta tarefa, a fim de que os nossos filhos e os filhos dos
nossos filhos possam, um dia, usar com orgulho o nome de homens. (Oração
das Nações Unidas)
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2.3 O bem ou o mal - a
vida ou a morte
Louvamos a Deus. Ele criou a terra. Toda a vida
procede d'Ele. E toda a vida é boa. Assim o acreditamos com fé e, no entanto,
experimentamos que no nosso mundo, mesmo dentro de nós, o mal tem muito poder.
Em todo o lado podemos encontrar vestígios de Deus e também do mal, mesmo dentro
do nosso coração.
Há pessoas que acreditam na existência de dois
deuses: um deus bom e um deus mau. Acreditamos, com o povo de Israel, num único
Deus. Ele criou toda a vida e quer que as suas criaturas O sirvam em liberdade.
Mas elas abusam dessa liberdade e não querem servi-l'O. Israel conta que, entre
os anjos que Deus criou para estarem junto d'Ele contemplando a sua glória,
alguns rebelaram-se contra o próprio Deus. Não podendo já permanecer junto de
Deus, andam pelo mundo dos homens espalhando o mal. Dentre eles, existe um ao
qual chamamos "demônio", que procura separar os homens de
Deus e arrastá-los para si. S. Pedro aconselha-nos a estarmos atentos às
tentações do mal e à fraqueza humana. Por isso diz-nos: "Sede sóbrios, estai
vigilantes: o vosso inimigo, o demônio, anda à vossa volta como um leão que
ruge, procurando a quem devorar. Resisti-lhe firmes na fé" (1 Pd 5,8-9).
Acreditamos que Deus destruirá as forças do mal,
no último Dia, quando Ele fizer acabar o mundo. Então começará uma nova vida,
definitiva (cf. Ap 20,7-14).
Mas enquanto decorre o tempo histórico, o mal
continua prejudicando os homens. O homem é livre: pode colocar-se do lado de
Deus, escutar a sua Palavra e colaborar com Ele. Mas pode também pôr-se do lado
do demônio, ser seu interlocutor e fazer mal a si próprio e ao mundo.
A Bíblia conta-nos uma história-chave sobre Adão
e Eva, o "primeiro homem". Uma história que se refere a todos os homens,
qualquer que seja o momento e o lugar em que vieram ao mundo.
Eva conhece perfeitamente o mandamento de Deus.
Sabe que se trata de vida ou morte.
E, contudo, ela escuta a voz do tentador: "ser
como Deus", "conhecer o bem e o mal", parece-lhe apetecível. Eva come do fruto
da árvore proibida e dá-o também a comer a Adão. Abrem-se-lhes os olhos,
reconhecem a sua própria miséria, a sua própria debilidade. Escondem-se de Deus
e receiam Aquele que é seu amigo.
Através de Eva, a mãe de todos os viventes, todos
os seres humanos participam dessa mesma culpa (o
pecado original). Uma dura herança. Os
homens estariam perdidos se Deus não os amasse e não lhes permanecesse fiel.
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Donde me virá o auxílio? O meu
auxílio vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Não permitirá que
vacilem os teus passos, não dormirá Aquele que te guarda. Não há de
dormir nem adormecer Aquele que guarda Israel. O Senhor é quem te
guarda, o Senhor está a teu lado, Ele é o teu abrigo. O Senhor te
defende de todo o mal, o Senhor vela pela tua vida. Ele te protege
quando vais e quando vens, agora e para sempre. (Salmo 121,2-5,7 - 8) |
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Anjos:
seres espirituais
que rodeiam o trono de Deus, O louvam e adoram. Eles cumprem a missão divina de
proteger e guardar os homens. Por isso são designados por "anjos da guarda" (SI
91,11). Deus envia os seus anjos à terra como mensageiros. Gabriel diz a Maria
que ela foi escolhida para ser a Mãe de Jesus. Durante a noite santa, os anjos
cantam louvores a Deus nos campos de Belém.
Demônio: A Bíblia aplica
ao adversário de Deus muitos nomes que indicam a sua ação maléfica: Satanás,
Belzebu, Tentador, Príncipe das Trevas, Pai da Mentira, Príncipe deste
Mundo.
Pecado original, falta
original: Esta expressão significa a ação continuada daquele pecado que,
desde o princípio, pesa sobre a história de Deus com a humanidade. Todos os
homens são herdeiros desta falta. "Como conseqüência do pecado original, a
natureza humana ficou enfraquecida nas suas forças, sujeita à ignorância, ao
sofrimento e ao domínio da morte, e inclinada ao pecado" (Catecismo da Igreja
Católica 418).
3. E em Jesus Cristo, seu
único Filho, Nosso Senhor
Quando Jesus atingiu a idade de trinta anos, saiu
de Nazaré, a sua aldeia, e foi ao encontro de
João Baptista, nas margens do Jordão.
Depois, levou uma vida de pregador itinerante nas aldeias e vilas dos arredores
do lago de Tiberíades. Começou ali a pregar a Boa Nova de Deus, dizendo:
"Completou-se o tempo e está próximo o Reino de Deus. Convertei-vos e acreditai
no Evangelho" (Mc 1,14-15). As pessoas que o contatam percebem logo que Ele não
é como os outros. Juntam-se à sua volta, querem estar perto. Escutar o que Ele
diz e ver o que Ele faz. Admiram-n'O porque Ele fala sobre Deus e a natureza
humana de modo distinto dos mestres das
sinagogas.
-
Aos que a Ele vêm, Jesus diz:
Deus deseja o vosso bem, quer facilitar-vos a vida. Ele não despreza os pobres
e quer perdoar o pecado dos que fizeram o mal.
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Jesus diz: Não temais a Deus;
amai-O. Ele deseja uma só coisa: que acrediteis na mensagem que vos
trago. |
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Jesus disse: O Filho do homem veio
procurar e salvar o que estava perdido. (Lucas 19,10) |
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João Baptista:
filho do
sacerdote Zacarias e de sua esposa Isabel que haviam envelhecido sem terem
filhos. O anjo Gabriel anuncia a Zacarias, no templo de Jerusalém, o nascimento
de um filho que se chamará João - que significa "Deus é clemente". João Baptista
é um eleito. Vive no deserto. Aos que a ele vêm, diz: "O Reino dos Céus está
próximo, arrependei-vos". Ele batiza no Jordão em arrependimento dos pecados. É
o último profeta de Israel, o precursor de Jesus.
Sinagoga: É a casa de
oração dos judeus. Naquele tempo os sacrifícios eram oferecidos unicamente no
templo de Jerusalém. Mas, em todas as aldeias e vilas, havia lugares de oração:
as sinagogas.
3.1 Jesus, o Cristo
O povo judeu tem uma longa história com Deus. Tem
também uma história com a humanidade e, neste contexto, sofreu as provações de
qualquer outro pequeno povo que tem vizinhos poderosos. Acabou por ser
conquistado e ocupado pelos romanos. Muitos perderam a esperança. E
questionavam: Deus esqueceu-nos? A sua aliança já não é válida? Não Se lembra de
que, por meio dos profetas, nos prometeu um salvador? Um salvador que nos
devolverá a liberdade e a alegria de viver. Que expulsará do nosso país os
estrangeiros. Que estimará mais a justiça do que os bens e que as origens
sociais. Que restituirá ao povo a sua dignidade humana e aos escravos o seu
nome. Que servirá a Deus e nos mostrará como podemos viver honrando a Deus.
-
Nós os cristãos acreditamos e
proclamamos:
Jesus é esse Cristo, o Messias. Deus enviou-O e
ungiu-O com o seu Espírito (cf. Is 61,1; Lc 4,18). Ele é o salvador que Deus
havia prometido ao seu povo e a todos os outros. Ele redimirá os pecados do
seu povo (cf. Mt 1,21). Ele é Aquele que todos os homens piedosos esperam: o
seu nome é Jesus Cristo. |
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Jesus de Nazaré, na Galiléia: alguém
que Deus nos envia
Alguém que vive humanamente
Alguém que defende os
"humildes"
Alguém que não receia os "poderosos"
Alguém a quem querem
calar.
Ele não oferece resistência, não Se
defende, abandona-Se.
Porque Ele sofreu, o sofrimento tem sentido.
Porque Ele confiou, os que duvidam refugiam-se n'Ele.
Porque Ele
morreu, nós esperamos, porque Ele ressuscitou, nós bendizemos o Pai e
cantamos: Aleluia! |
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Jesus:
o nome de Jesus
(abreviação de Jehoshua, Josué) era bastante corrente em Israel. Significa Deus
(Javé) salva. Jesus cumpre a promessa do seu nome: Ele é o salvador, traz a
salvação. Eis porque Lhe chamamos Salvador e Redentor.
Cristo: É a tradução
grega da palavra hebraica "Messias", "Ungido". Um título atribuído aos reis de
Israel. Reis e sacerdotes, ao serem entronizados nos seus cargos, eram ungidos
com óleo sagrado, sinal de que tinham o direito de agir em nome de Deus. Quando
Israel fala do "Ungido", do "Messias", trata-se do rei que, enviado e protegido
por Deus, deverá libertar o povo da dominação romana e reinar em Jerusalém,
sobre o trono de David. Os cristãos confessam que Jesus de Nazaré é esse
Messias, o Filho de Deus. No Batismo, na Confirmação, na Ordenação, são ungidos
com o óleo sagrado, sinal eficaz da sua presença na comunidade de Jesus
Cristo.
3.2 Jesus Cristo, Filho
de Deus
Jesus Cristo, o Messias, fala de Deus como mais
ninguém o fez, de um modo único: direto e íntimo. Em tudo o que diz ou faz, é um
com o Pai. Ele conhece a vontade do Pai. Não necessita dos Livros Sagrados nem
de mestres para aprender. Por isso Jesus pode contradizer os doutores da Lei
quando estes, em nome de Deus, restringem a liberdade das pessoas que lhes estão
confiadas, dificultando-lhes a vida.
Jesus aproxima os homens de Deus e traz Deus aos
homens. Cura os doentes ao sábado. Come com os
publicanos e não evita os excluídos da
sociedade e das cerimônias religiosas. Perdoa em nome de Deus aos que cometeram
pecados e encoraja-os a mudar o seu modo de viver.
Muitos homens e mulheres encontram-se com Jesus.
Alguns perguntam: Quem é este homem? Um profeta de Deus, talvez? Outros
enchem-se de espanto e confiam n'Ele. Outros perguntam com desconfiança: Quem
Lhe terá dado tão grande poder? Outros dizem Ele blasfema. Outros, ainda,
comentam: Cristo, quando vier, fará milagres maiores do que o que este faz? (Jo
7,31).
Mas todos, qualquer que seja a sua opinião,
sentem que o mistério do ser de Jesus está relacionado intimamente com Deus.
Em Israel, quando se queria dizer que uma pessoa
estava particularmente unida a Deus, dizia-se: é um "filho de Deus". Ao povo de
Israel, por ser o eleito, chamamos-lhe "filho de Deus" (Ex 4,22). Aos reis que
governam o povo em representação de Deus, que é o Rei, é-lhes dado no dia da sua
entronização e da sua unção, o título honorífico de: "Tu és meu filho" (SI 2,7).
Quando dizemos: "Jesus é o
Filho de Deus", queremos dizer mais do que isso. Jesus está unido
a Deus de um modo muito mais íntimo que o rei ou o povo de Israel. Nada no mundo
dos humanos é comparável à relação de Jesus com o Pai. Os evangelistas sublinham
este fato quando testemunham que Deus mesmo, em dois momentos cruciais da vida
terrestre de Jesus, O proclamou seu "Filho muito amado": por ocasião do seu
Batismo no Jordão, antes de Jesus iniciar a sua missão de pregador itinerante, e
no Monte da Transfiguração, antes de Jesus subir a Jerusalém para aí sofrer e
morrer.
Quando Pedro, o primeiro dos apóstolos, confessa:
"Tu és o Cristo. O Filho do Deus vivo" (Mt 16,16), Jesus responde-lhe:
"Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue
que to revelou, mas meu Pai que está nos céus". |
|
Jesus disse a Nicodemos: Deus amou
tanto o mundo que lhe deu o seu Filho unigênito, para que todo
aquele que acredita n'Ele não se perca, mas tenha a vida eterna. (são João 3,16) |
|
Publicanos:
cobram os
impostos por conta do ocupante romano, assegurando assim os seus rendimentos.
Por vezes exigem em excesso. São desprezados por todos e ninguém deseja
relacionar-se com eles.
Filho de Deus: Jesus
está unido a Deus de um modo diferente e mais íntimo do que o povo de Israel com
os seus reis. Ele é, como dizem os Padres da Igreja, "Deus de Deus, luz de Luz,
nascido de Deus, da mesma natureza que o Pai".
Apóstolos: Apóstolo
significa "enviado", "mensageiro". Simão Pedro, Tiago e João, os filhos de
Zebedeu, André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, o filho de Alfeu,
Tadeu, Simão o Cananeu e Judas Iscariotes que O entregou (Mc 3,16-19). Doze
homens que Jesus escolheu entre todos os seus discípulos. Pedro é o primeiro
dentre eles.
3.3 Jesus Cristo, Nosso
Senhor
O primeiro povo de Deus vive na sua aliança. Os
reis reinam em seu nome. É para O glorificar que os sacerdotes oferecem
sacrifícios. Os seus mandamentos não são postos em dúvida. Eles são a única lei
que obriga a todos, poderosos e humildes. Nas suas orações, os judeus crentes
dirigem-se ao seu "Senhor". O nome de Javé, "Eu sou Aquele que sou" ou "Eu sou
Aquele que está", é-lhes tão sagrado que eles não o pronunciam nem escrevem, com
receio de o profanar. Dão graças a Deus, o "Senhor", que está próximo do seu
povo, clemente e misericordioso, e que não exige mais do que ser amado "com todo
o coração e com todas as forças".
Quando os cristãos chamam "Senhor" não só a Deus
Pai mas também a Jesus Cristo ressuscitado dentre os mortos, confessam que Ele é
o Filho de Deus, proclamam ao mesmo tempo a sua confiança e manifestam a sua
vontade de estar ao serviço uns dos outros como Jesus lhes pediu, na véspera da
sua Paixão: |
|
Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e
dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei
os pés, também vós vos deveis lavar os pés uns aos outros. (João 13,13 - 14) |
|
Para os primeiros cristãos, confessar Jesus, o
Senhor, poderia ter conseqüências fatais, pois os imperadores romanos, os
"senhores do mundo", reivindicavam também este título honorífico. Muitos
cristãos (os mártires), homens e mulheres, deram a sua vida não se deixando
afastar da profissão de fé em Cristo Jesus, único Senhor.
A Igreja de Cristo começa a celebração da
Eucaristia pela invocação grega "Kyrie eleison": Senhor, tem piedade. E no
Glória, o cântico de louvor, confessa: "Pois só Vós sois o Santo, só Vós o
Senhor, só Vós o Altíssimo, Jesus Cristo, com o Espírito Santo na glória de Deus
Pai". |
|
Nisto se reconhecem os cristãos: Se
confessares com a tua boca: "Jesus é o Senhor", e acreditares no teu
coração que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. (Romanos
10,9)
|
3.4 A Bíblia: o Novo
Testamento
O Novo Testamento é a parte da Bíblia (cf. 1.2)
que nasceu na Igreja de Cristo. É composto de vinte e sete livros escritos pelos
apóstolos, missionários e mestres, entre os anos 50 e 100 depois do nascimento
de Cristo. Encontramos nele 21 epístolas (cartas) - 13 de São Paulo dirigidas a
diferentes comunidades. Estes livros foram rapidamente considerados uma
instrução apostólica normativa para a Igreja.
Os quatro
evangelistas (São Mateus, São Marcos, São
Lucas e São João) testemunham, cada um a seu modo, os fatos, gestos e palavras
de Jesus Cristo, Nosso Senhor, assim como a sua Paixão e Ressurreição. Nos Atos
dos Apóstolos, o evangelista São Lucas descreve a história da Igreja primitiva,
que se constitui sob a direção de São Pedro em Jerusalém, e o trabalho dos
primeiros missionários, em particular São Paulo. O último livro do Novo
Testamento, o Apocalipse de São João, contém as imagens proféticas e o anúncio
da vitória definitiva de Deus sobre os poderes do mal.
A Bíblia é constituída pelo Antigo e Novo
Testamento. A Igreja acredita que o Espírito Santo de Deus preservou do erro os
homens que escreveram estes livros e que o seu testemunho é digno de fé,
verídico e fiel. Como os autores da Sagrada Escritura redigiram na língua do seu
tempo, eles devem ser reinterpretados em cada época, para cada comunidade. Mas
como o Espírito Santo de Deus é o garante dessa autenticidade, resultam válidos
para todos os tempos. Os escritos bíblicos reconhecidos como verdadeiros e
autênticos pela Igreja formam o cânon da Escritura Santa. São lidos na
Missa e constituem o fundamento da fé.
|
Muitos outros milagres realizou ainda
Jesus, na presença dos discípulos, que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Messias, o Filho
de Deus, e, crendo, tenhais a vida n'Ele. (João 20,30 - 31) |
Apostólico: Os apóstolos
transmitem aos seus sucessores, os bispos, o ministério que Jesus mesmo lhes
confiou. A cadeia da tradição une-nos aos começos.
Evangelho: "A Santa Mãe
igreja defendeu sempre e continua firmemente a defender e com a maior
constância, que os quatro Evangelhos, dos quais ela afirma sem hesitar a
historicidade, transmitem fielmente o que Jesus, Filho de Deus, durante a sua
vida entre os homens, fez realmente e ensinou para a sua salvação eterna, até ao
dia em que foi elevado ao céu". (Concílio Vaticano II, Dei Verbum
19).
Espírito Santo: À
assistência do Espírito Santo na composição dos livros bíblicos chamamos
"inspiração".
Cânon: Significa
"regra". Chamamos assim ao conjunto dos textos reconhecidos pela comunidade dos
crentes como inspirados. Só estes podem ser lidos durante o culto divino.
4. Concebido pelo poder
do Espírito Santo, Nasceu da Virgem Maria
Nós acreditamos e confessamos que Jesus de Nazaré
é o messias, Filho de Deus. Desde todos os tempos Ele vive na glória do Pai.
Veio ao mundo, tornando-Se semelhante a nós, manifestação do amor do Pai feita
carne. Um amor que ultrapassa tudo o que os homens podem imaginar e dizer.
Os teólogos e os discípulos de Jesus têm, cada
um, a sua própria maneira de falar do mistério da encarnação. São João começa o
seu Evangelho por um hino a Cristo: "E o Verbo fez-se carne (quer dizer "homem")
e habitou entre nós, e nós contemplamos a sua glória." (cf. Jo 1,1-18).
Na epístola aos Filipenses, São Paulo cita um
hino batismal que descreve a encarnação do Filho de Deus, Jesus Cristo, como um
movimento do "céu" em direção à "terra" (de Deus para os homens) que volta para
o "céu": "Ele, de condição divina... Tornou-Se semelhante aos homens...
Humilhou-Se e foi obediente até à morte, e morte de cruz! Por isso Deus O
exaltou... Para que todos, no céu, na terra e nos abismos, proclamem que Jesus
Cristo é o Senhor." (Fil 2,6-11).
Na sua epístola aos Gálatas, São Paulo descreve a
"vida de Jesus" numa só frase: "Quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou
o seu Filho, nascido duma mulher, nascido sob o domínio da Lei... A fim de nos
conferir a adoção filial." (Gal 4,4-5).
São João dirige-se à sua comunidade de maneira
ainda mais direta: "Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que vivamos por
Ele... E nós contemplamos e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como
Salvador do mundo" (1Jo 4,9.14).
Dois dos evangelistas, São Mateus e São Lucas,
escolheram uma forma familiar às comunidades para as quais escrevem o seu
Evangelho. Contam como Jesus veio ao mundo e o que significa esta vinda para os
homens que, segundo a vontade de Deus, desempenham um papel na história do seu
Filho. Começam o seu livro pelo "Evangelho da infância" (Mt 1-2, Lc 1-2).
4.1 O Filho de Deus vem
ao mundo
Com o nascimento de Jesus começa uma nova era na
história de Deus com os homens. É por isso que o nosso calendário conta os anos
"depois de Jesus Cristo". No homem Jesus de Nazaré, é o próprio Deus - como
nosso irmão - que vem ao mundo. É por isso que não podemos evocar o seu
nascimento sem evocar Deus. São Mateus e São Lucas também não podem relatar o
nascimento de Jesus como o de uma criança qualquer. No seu Evangelho, não apenas
se narra o que aconteceu, mas também - para dizer plenamente a verdade - o que
os acontecimentos significam no projeto divino.
-
São Lucas narra como é que
Deus enviou a Nazaré o anjo Gabriel à Virgem Maria. Ele saúda-a assim:
"Alegra-te, ó cheia de
graça", e diz-lhe que o poder do
Espírito de Deus a tornará mãe: "O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do
Altíssimo te cobrirá com a sua sombra" (Lc 1,35).
São Lucas atesta que
Maria diz sim ao projeto de Deus e acredita firmemente que a Deus nada é
impossível. Conta como Maria e José se dirigem a Belém e como a cidade do rei
David se tornou o lugar do nascimento de Jesus; fala dos pastores, sobre os
quais o céu se abriu na noite do cumprimento, do cântico de louvor dos anjos
que ecoa sobre a terra, e de novo são os pastores saídos do povo judeu os que
encontram Maria, José e o menino (Lc 2,1-20).
-
São Mateus conta como José - o
carpinteiro de quem Maria está noiva conhece em sonhos o que Deus espera dele:
ele que é um descendente do grande rei David vai dar o seu nome ao Filho de
Deus, abrir-lhe o acesso à família de David e, através da sua atenção e dos
seus cuidados, desempenhar a sua tarefa de pai (Mt 1,18-24). Mateus viu que a
maioria do seu próprio povo não acreditou em Jesus. Mas viu, igualmente, que
existem em todos os povos da terra homens que se metem a caminho em busca de
Jesus e que O encontram. E não apenas depois da sua morte e da sua
ressurreição! É por isso que falam da estrela que conduz os magos de muito
longe até Belém para que eles tragam as sua ofertas a Jesus, o rei dos judeus.
São Mateus narra também que Herodes, que reina em Jerusalém, quer matar o
menino Jesus. Por isso Maria e José fogem para o Egito, com o menino (Mt
2).
|
O anúncio dos anjos na Noite
Santa: "Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador". (Lucas 2,11) |
Graça: Deus é santo, é
eterno, é perfeito em Si próprio. O homem é mortal, pecador, imperfeito - mas
ele está aberto a Deus. Contudo, não haveria história de Deus com os homens se o
Deus eterno e santo não oferecesse ao homem a oportunidade duma redenção e,
através desta, não Se oferecesse a Ele próprio. É este Dom de Deus que evocamos
quando falamos de "graça". Nenhum homem pode merecer a "graça"; trata-se de um
dom livre e gratuito do Deus livre. O homem pode refugiar-se nela. A graça de
Deus torna-nos semelhantes a Ele: enquanto co-herdeiros de Cristo, tornamo-nos
filhos e filhas de Deus, chamados à vida eterna, num face a face com Deus. "É
pela graça de Deus que eu sou o que sou." (1Cor 15,10). Nenhum olho humano viu o
que seremos. Há pessoas a quem Deus confia uma tarefa particular, para a qual
concede uma graça particular.
4.2 Maria, a Mãe de
Jesus
Na vida de cada um de nós, a mãe desempenha um
papel determinante. Deveria ter sido diferente para Jesus? É verdade que Ele
fala com mais freqüência do Pai que está nos céus. E mesmo nos escritos do Novo
Testamento, Maria raramente é evocada. No entanto, podemos e devemos perguntar:
Quem era aquela mulher que deu a vida a Jesus e O acompanhou?
-
Uma jovem de Nazaré, prometida
em casamento ao carpinteiro José. Provavelmente não teria mais de 14 anos de
idade, quando do noivado, segundo os costumes da época. Uma jovem que
estremece quando o anjo do Senhor vem a ela e lhe fala. Ela escuta a saudação,
as palavras que exprimem a sua eleição. Ela não pronuncia o seu "Fiat" (o sim)
cegamente. Põe as suas objeções: "Como será isso?" Depois aceita a sua
vocação, porque "nada é impossível a Deus". É por isso que acrescenta:
"Faça-se em mim segundo a tua palavra". (Lc 1,35.37-38).
-
A Virgem Maria, que espera um
filho, põe-se a caminho com o seu esposo. O seu filho vem ao mundo "longe de
casa", em condições muito pobres, ignorado por todos. Quando chegam os
pastores - também eles gente pobre - e louvam a Deus pelo o que Ele fez pelo
seu povo, Maria escuta atentamente. Conserva com cuidado todas estas coisas,
meditando-as no seu coração (Lc 2,15-19).
-
Quarenta dias mais tarde,
Maria e José levaram o menino a Jerusalém para O consagrar ao Senhor, segundo
as prescrições rituais. É aí que Simeão e Ana, duas pessoas que esperam a
vinda do Messias, O reconhecem. Simeão louva a Deus por tê-lo deixado ver "a
salvação" com os seus próprios olhos. E acrescenta, dirigindo-se a Maria:
"...este menino será sinal de contradição, e uma espada trespassará a tua
alma!" (Lc 2,22-29).
-
Aos doze anos, Jesus
encontra-Se em Jerusalém com os pais para a festa da Páscoa. No regresso,
Maria e José dão conta de que Jesus não está com eles. Procuram-n'O durante
três dias, como quaisquer pais procuram o filho perdido. Encontram-n'O no
Templo e ouvem-n'O falar da "casa do Pai". E o evangelista repete: "Sua mãe
conservava todas estas coisas no seu coração" (Lc 2,51).
-
Jesus tem trinta anos. Leva
vida itinerante com os discípulos. Em Caná, na Galileia, é convidado para um
casamento. Maria está também entre os convidados. Apercebe-se de que não há
mais vinho e pede indiretamente a Jesus: "Eles não têm vinho." (Jo 2,3).
Confia que Jesus resolverá a situação, embora a tenha afastado: "A minha hora
ainda não chegou". Mas Maria não confiou em vão: havia seis jarras de pedra de
cem litros cada. Jesus diz aos criados para encherem de água essas jarras.
Eles fazem o que Jesus pede. Quando o mestre de cerimônias provou, viu que a
água estava transformada em vinho. Este foi - diz-nos o evangelista São João -
o primeiro "milagre" que Jesus fez. Os discípulos compreendem quem é Jesus e
acreditam n'Ele (Jo 2,1-11).
-
Jesus deixou a sua casa em
Nazaré e fundou a sua própria "família". Um dia, quando a multidão se apertava
à sua volta, disseram-Lhe: "Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar
contigo". Então Jesus, estendendo a mão para os seus discípulos, responde:
"Aqui estão minha mãe e meus irmãos, pois todo aquele que fizer a vontade do
Meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe" (Mt
12,46-50).
-
Para o evangelista São João,
tudo o que Jesus diz e faz tem um sentido oculto. Assim acontece quando narra
que Maria e o evangelista que Jesus amava se encontravam junto à cruz. Jesus
diz a sua mãe: "Mulher, eis o teu filho", e ao discípulo: "Eis a tua mãe" (Jo
19,26.27). A partir desse momento, o discípulo levou-a para sua casa. E a Mãe
de Jesus converte-se na Mãe de todos os cristãos.
-
Fala-se de Maria, pela última
vez, na festa de Pentecostes. Os discípulos de Jesus encontram-se reunidos em
Jerusalém. Rezam enquanto esperam que o Espírito Santo os envie em missão.
Maria, a Mãe de Jesus, está com eles no momento em que nasce a Igreja do seu
Filho (At 1,12-14).
|
Maria proclama: A minha alma glorifica ao Senhor e o
meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, porque pôs os olhos na
humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada
todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é
o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e
dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e
exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos
despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da
sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à
sua descendência para sempre. (Lucas 1,46 - 55)
|
4.3 Maria, Mãe da
Igreja
Os cristãos veneram Maria, a mãe do seu Senhor:
em todas as igrejas encontramos a sua imagem. Muitas mulheres têm o seu nome.
Recordamos e celebramos Maria principalmente em quatro solenidades:
|
1 de
Janeiro: |
No primeiro dia do ano,
celebramos a solenidade de "Santa Maria Mãe de Deus". Festejamos a "Santa
Mãe que deu à luz o Rei do céu e da terra" (antífona de entrada) e a "Mãe
da Igreja" (oração final). |
|
25 de
Março: |
Na solenidade da
"Anunciação do Senhor" (nove meses antes do Natal), a Igreja celebra ao
mesmo tempo o Senhor e sua Mãe, ela que no momento da sua eleição, afirma:
"Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra!" (Lc
1,38). |
|
15 de
Agosto: |
A Assunção de Maria, o dia
em que ela foi elevada ao céu. Celebramos este dia, embora não se saiba
quando Maria morreu nem em que circunstâncias. Mas acreditamos que ela foi
"elevada à glória do céu em corpo e alma". Maria já se encontra onde nós
estaremos também um dia. Possui já a vida que nos está
destinada. |
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8 de
Dezembro: |
É o dia em que celebramos
a "Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria". Estas
palavras parecem complicadas, e no entanto são simples de compreender:
Deus escolheu Maria. Concedeu-lhe os dons do Espírito Santo. O "poder do
Altíssimo" cobriu-a com a sua sombra. São palavras e imagens que traduzem
o mistério duma eleição que preservou Maria do pecado original, com o qual
todos nascemos: é esta a nossa
fé. |
Os cristãos veneram a santíssima Virgem de muitas
maneiras. Cantam os seus louvores e pedem à Mãe de Jesus a sua intercessão. Em
todo o mundo, os cristãos rezam e cantam o Magnificat de Maria e saúdam-na com
as palavras do anjo.
|
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor
é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto
do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós,
pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amem.
|
5. Padeceu sob Pôncio
Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado
-
Jesus diz: Eis que estamos
subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos
sacerdotes e aos doutores da lei. Estes condena-l'O-ão à morte e
entrega-l'O-ão aos pagãos. Vão escarnece-l'O, cuspir n'Ele, vão tortura-l'O e
mata-l'O. E depois de três dias Ele ressuscitará.
EVANGELHO SEGUNDO SÃO MARCOS
10,33-34
-
São Pedro declara na sua
pregação de Pentecostes: Jesus de Nazaré foi um homem que Deus confirmou
entre vós, realizando por meio d'Ele os milagres, prodígios e sinais que bem
conheceis. E Deus, com a sua vontade e presciência, permitiu que Jesus vos
fosse entregue, e vós, através de ímpios, mataste-l'O, pregando-O numa
cruz.
ATOS DOS APÓSTOLOS
2,22-23
5.1 A favor ou contra
Jesus
O Credo nada diz do tempo que vai do nascimento
de Jesus à sua morte violenta (no ano 30). Quem quiser compreender como é que
Jesus pôde chegar a um fim tão ignominioso, terá de recorrer ao testemunho dos
evangelistas. Estes falam dos sinais, dos milagres e prodígios de Jesus, para
que as pessoas dêem conta de que o Reino de Deus está próximo: Jesus cura os
doentes, toca os leprosos e estes ficam sãos, liberta os possessos do poder do
demônio, numa palavra, realiza ações que em Israel se esperam do Messias. Jesus
fala de Deus duma maneira nova. Conta parábolas e ensina de tal modo que as
pessoas simples compreendem o que Ele diz do Pai.
Jesus encontra discípulos que lhe confiam a sua
vida. Mas há também pessoas que duvidam e O rejeitam. Os seus adeptos são quase
sempre gente modesta, com pouca influência: entre os seus seguidores mais
próximos, os apóstolos, não há sequer um doutor da Lei.
Os dirigentes religiosos, os sumos sacerdotes e os
doutores da Lei, procuram evitar o aparecimento de heresias em Israel. Desde o
princípio observam, com desconfiança, Jesus e o movimento que Ele suscita.
Num
sábado, ao curar a mão atrofiada dum homem,
protestaram: Jesus não respeita as prescrições de Moisés. É um pecador. Não é
permitido curar ao sábado.
Quando exorciza um possesso, exclamam: Ele também
é possesso, de contrário não teria poder sobre os demônios.
Até em Naim, quando encontra um cortejo fúnebre,
Jesus não fica indiferente. Não olha como simples espectador para o sofrimento
da mãe em lágrimas. Não diz aos que sofrem: "A vida é assim", ou então: "É a
vontade de Deus, tens de aceitá-la". Aproxima-se do caixão e reanima o morto.
Onde quer que Jesus Se encontre, os que sofrem são consolados, a morte dá lugar
à vida. Esta experiência vale enquanto houver mães que choram e amigos que estão
de luto.
Alguns dizem: Jesus é bom. Outros: Não, manipula
as multidões, é um falso profeta.
Os
fariseus e os doutores da Lei procuram
levar Jesus a cair numa armadilha. Enviam mensageiros encarregados de espia-l'O,
mas estes nada encontram de negativo contra Ele. Uma vez que os fariseus e os
doutores da Lei não acreditam que Jesus é o Messias, põem-se contra Ele e
decidem levantar-Lhe um processo, acusando-O de blasfêmia, para assim poderem
condena-l'O à morte.
Quando o Sumo Sacerdote pergunta a Jesus: "És tu
o Messias, o Filho de Deus?", Jesus responde: "Sou. E vereis o Filho do Homem
sentado à direita do Todo-Poderoso, e vir sobre as nuvens do céu". Então o Sumo
Sacerdote rasga as vestes e diz: "Que necessidade temos ainda de testemunhas?
Ouvistes a blasfêmia! Que vos parece?". Todos se pronunciaram dizendo que Jesus
era réu de morte (Mc 14,61-64).
|
Estar junto d'Aquele que faz falar
os mudos, que Se dirige aos surdos de tal maneira que os ouvidos
se abrem; ser testemunha de que os perseguidos
respiram aliviados e os oprimidos levantam a cabeça. Ver como os extraviados reencontram o
caminho, como são acolhidos de braços abertos os que regressam,
e encontram com alegria o seu lugar à mesa. |
Sumo Sacerdote: O
sacerdote mais importante, o presidente do Sinédrio, o intermediário entre os
judeus e o ocupante romano ao qual deve a sua entronização. Desde o ano 6 ao 15
depois de Cristo era Anás o sumo sacerdote em Jerusalém; do 18 ao 36 d.C.,
ocuparam este cargo os seus cinco filhos e o seu genro Caifás.
Sábado: O sétimo dia da
semana é, para os judeus, um dia de festa e de culto religioso. Ao longo dos
séculos numerosos preceitos regulamentaram o que era permitido e proibido neste
dia de repouso.
Fariseus: Significa "os
separados". Um partido político e religioso composto por homens piedosos que
defendiam a rigorosa observância das prescrições de Moisés e viviam de acordo
com elas.
5.2 A Nova Aliança
Os Evangelhos da Paixão, da morte e da
ressurreição de Jesus são os textos mais antigos e mais sagrados da Igreja.
Todos os anos a Igreja celebra na "Semana Santa" os últimos dias de Jesus em
Jerusalém.
No
Domingo de Ramos, Jesus chega a Jerusalém
em companhia dos seus discípulos para celebrar a festa da Páscoa. Entra na
cidade montado num jumento; vem como rei da paz. As pessoas aclamam-n'O. Jesus
ensina no Templo. Judas, um dos doze apóstolos, deixa-se corromper e dispõe-se a
entregar Jesus.
Na
Quinta-Feira Santa Jesus celebra com os
seus discípulos a Ceia pascal. Tomou o pão, partiu-o e deu-o dizendo: "Isto é o
meu Corpo que será entregue por vós". Depois tomou o cálice, deu-o aos seus
discípulos dizendo: "Tomai, todos, e bebei: este é o cálice do meu Sangue, o
sangue da nova e eterna Aliança, que será derramado por vós e por todos, para
remissão dos pecados. Fazei isto em memória de Mim".
Jesus dá um novo sentido à Páscoa judaica: dá-Se
a Ele próprio aos seus discípulos sob as espécies do pão e do vinho. Deste modo
estabelece a Nova Aliança que Ele sela com o seu sangue.
O evangelista São João conta que Jesus, na última
Ceia, na véspera da sua morte, ajoelhou-Se diante dos discípulos para lhes lavar
os pés. Procede assim para que, com o seu exemplo, compreendam a ordem da Nova
Aliança: o "maior" deve fazer-se "pequeno" como Jesus, para servir os seus
irmãos e irmãs.
|
Porque Ele Se dá, nós podemos dar.
Porque Ele partilha, nós podemos partilhar. Porque Ele
renuncia ao poder, nós podemos servir. Porque Ele morre, nós
podemos viver. Porque Ele sela a Aliança com o seu sangue,
convertemo-nos em irmãos e irmãs. |
Domingo de Ramos: A
Igreja comemora a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Em muitas paróquias
organizam-se procissões.
Páscoa: Era outrora e
continua a ser a maior festa judaica. Comemora a primeira noite de Páscoa quando
Deus libertou o seu povo Israel da escravidão do Egito e o conduziu à
liberdade.
Quinta-Feira Santa: De
manhã, o bispo consagra o óleo santo que se utiliza nos sacramentos do Batismo,
Confirmação, Unção dos doentes e Ordem. De tarde, as paróquias celebram o
memorial da Ceia pascal. Recebemos o Corpo e o Sangue de Cristo, a Eucaristia,
que nos converte em irmãos e irmãs uns dos outros e nos compromete a amar com o
amor do próprio Cristo.
5.3 Entregue nas mãos dos
homens
Depois da Ceia, Jesus dirigiu-Se para o jardim de
Getsêmani, situado sobre o Monte das Oliveiras. Os discípulos acompanham-n'O.
Chegados ao jardim, Jesus diz-lhes: "Sentai-vos aqui, enquanto Eu vou rezar".
Tomando consigo Pedro, Tiago e João, disse-lhes: "A minha alma está numa
tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai". Indo um pouco mais longe, prosta-Se com
o rosto por terra e reza: "Pai, se queres afasta de Mim este cálice. Contudo,
não se faça a minha vontade mas a tua". Depois volta para junto dos seus
discípulos e encontra-os a dormir. Acorda-os e diz a Pedro: "Não pudestes vigiar
comigo nem sequer uma hora?" Afastou-Se deles, pela segunda vez, para ir rezar
sozinho. Depois volta e encontra-os de novo adormecidos. Afasta-Se uma terceira
vez para orar no meio da noite. Em seguida, acorda os discípulos e diz-lhes:
"Continuais a dormir? Chegou a hora: eis que o Filho do Homem vai ser entregue
nas mãos dos pecadores". Vistas as coisas superficialmente, Jesus fracassou e,
com Ele, a sua mensagem. No entanto, Ele permanece fiel à sua missão e Àquele
que O enviou. Não procura escapar, não Se furta a nada. Arrisca a sua vida e
aceita a morte.
E não tem que esperar muito tempo. Nesse momento
chega Judas, um dos doze apóstolos, ao Jardim das Oliveiras, com um grupo de
homens armados. Arrastam Jesus conduzindo-O à presença do sumo sacerdote para
ser interrogado. Quando os membros do
Sinédrio Lhe perguntam: "Tu és, portanto, o
Filho de Deus?", Jesus responde: "Vós dizeis que Eu sou". Pela manhã levam Jesus
a Pôncio Pilatos que, desde o ano 26 ao 36 d.C., era o prefeito romano da
Judéia. Acusam Jesus: "Este homem blasfema contra Deus!" e "diz ser Ele mesmo
rei!" Pilatos manda flagelar Jesus. Os soldados enterram-Lhe na cabeça uma coroa
de espinhos, vestem-Lhe um manto vermelho, ultrajam-n'O e batem-Lhe. Pilatos
acaba por pronunciar a sentença: Jesus deve morrer crucificado. Jesus leva a
sua cruz até ao Monte do Gólgota, fora dos muros de Jerusalém. Ao meio dia de
Sexta-Feira
Santa, Jesus é crucificado entre dois criminosos que são
executados ao mesmo tempo que Ele. Por volta da hora nona (15h da tarde),
expira.
Os evangelistas atestam o acontecimento.
Testemunham que tudo isto faz parte do plano de Deus para a redenção: Jesus foi
entregue aos homens permanecendo, apesar disso, nas mãos de Deus. Sofre e morre
para nos salvar. Com a sua morte é uma nova vida que começa. O amor de Deus por
nós, homens, manifesta-se na Paixão e morte de Cristo: Mistério da fé.
Os mensageiros de Cristo dão testemunho de
que:
-
Ele é nosso Mediador:
entregou-Se a Si mesmo em resgate por nós (1Tm 2,6).
-
Ele é o Cordeiro de Deus: tira
o pecado do mundo (Jo 1,29).
-
Ele é o Filho de Deus: pela
sua morte reconciliou-nos com Deus (Rm 5,10).
-
Ele é o servo de Deus: para
todos os que Lhe obedecem, tornou-Se fonte de salvação eterna (Hb
5,9).
-
Ele é o Redentor: Deus anulou
o documento da nossa dívida, fê-lo desaparecer pregando-o na cruz (Cl
2,14).
-
Ele é o Salvador: pelas suas
chagas fomos curados (1 Pd 2,24).
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Jesus disse: Ninguém tem maior amor
do que aquele que dá a vida pelos amigos. (João 15,13) |
Sinédrio: A suprema
autoridade judaica integrada por setenta e um membros (anciãos, sacerdotes,
doutores da lei) sob a presidência do Sumo Sacerdote.
Sexta-Feira Santa: A
Igreja celebra este dia duma maneira muito especial. Ao entardecer, os fiéis
reúnem-se para comemorar a Paixão e morte do Senhor. Na liturgia da Palavra,
ouvimos o hino profético do Servo sofredor, um extrato da epístola aos Hebreus e
o testemunho do evangelista São João sobre a crucifixão de Jesus. Na "oração
universal", os cristãos apresentam a Deus - em nome de toda a humanidade - os
grandes sofrimentos do nosso tempo. Depois, veneramos a cruz, sinal de salvação.
Durante a comunhão recebemos o Pão da vida.
5.4 Foi sepultado
José de Arimateia não pode aceitar que Jesus
permaneça na cruz durante a noite. É um homem influente, que até ao momento
receou mostrar-se como discípulo de Jesus.
Agora atreve-se a fazê-lo. Vai procurar Pilatos e
pede-lhe autorização para retirar Jesus da cruz e sepulta-l'O. Pilatos acede ao
seu pedido. José envolve o corpo de Jesus com um sudário e deposita-O num túmulo
novo escavado na rocha, digno de um mestre de Israel. Fecha-o com uma grande
pedra redonda. Algumas mulheres, que acompanharam Jesus até Jerusalém, observam
de longe.
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Nós Vos louvamos, ó Deus, e Vos
bendizemos,nós Vos damos graças por Jesus, vosso Filho. Ele
partilhou conosco a vida, Ele partilhou conosco a morte, Ele
partilhou conosco o túmulo: De que havemos de ter medo?
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6. Desceu à mansão dos
mortos; Ressuscitou ao terceiro dia
Deus criou o homem - Adão e Eva - à sua imagem:
criou-os homem e mulher. E abençoa-os. Ama-os: a eles e a todos os seus filhos e
aos filhos dos seus filhos, a quem confiou a terra. O seu amor abarca não só os
que Lhe são fiéis e respeitam os seus mandamentos, mas também todos os que nunca
ouviram falar d'Ele e que, por isso, não O procuram, não O encontram e ignoram
como viver para Lhe agradar. Deus quer partilhar a sua vida com todos.
O tempo passa. Os homens morrem. Morrem os que
vivem sem Deus ou contra Ele, mas também todos os que O amam: Adão e Eva, Abraão
e Moisés, Sara, Rebeca e Miriam, David e Salomão, Elias e Amós, Zacarias e
Isabel, Simeão e Ana, João Baptista e toda a multidão de pessoas das quais só
Deus conhece o nome e o amor.
Terão eles esperado em vão? Esquece Deus a sua
fidelidade? Nós acreditamos que Deus não levou a Boa Nova só aos vivos.
Acreditamos que Jesus desceu à mansão dos mortos e que ali proclamou
também: Completou-se o tempo. O Reino de Deus está a chegar. Estais resgatados.
Deus é misericordioso com todos os que O amam. Isto quer dizer que a morte
perdeu o seu poder: não pode reter os que amam a Deus. Jesus Cristo, o Senhor,
morreu por todos. Todos pertencem à comunidade dos vivos fundada por Ele.
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Celebrando agora, Senhor, o
memorial da nossa redenção, recordamos a morte de Cristo e a sua
descida à mansão dos mortos, proclamamos a sua ressurreição e ascensão
aos céus, e, esperando a sua vinda gloriosa, nós Vos oferecemos o
seu Corpo e Sangue, o sacrifício do vosso agrado e de salvação
para todo o mundo. (ORAÇÃO EUCARÍSTICA IV) |
Mansão dos mortos: Mundo
inferior, império da morte. As histórias da Bíblia transmitem-nos a "palavra de
Deus expressa em línguas humanas". Isto significa que os homens que testemunham
a sua experiência de Deus, o fazem com as representações e as imagens do seu
tempo. Imaginam a terra como um disco. Sobre ela, encontra-se a abóbada celeste,
o "domínio" onde Deus reina sobre os viventes. Em baixo o mundo subterrâneo
(sheol), a região onde reina a morte sobre os defuntos. Por isso se diz: Jesus
"desceu" à mansão dos mortos.
6.1 Jesus está vivo
O Filho de Deus fez-Se homem. Um homem que nasceu
e que morreu sobre a cruz. O seu corpo foi sepultado. Existem testemunhas disso.
Não só os homens e as mulheres que O tinham seguido em Jerusalém, mas também os
acusadores, os servos dos carrascos, Pôncio Pilatos e os soldados romanos...
Os quatro evangelistas referem que pela manhã
cedo, no dia de Páscoa, algumas mulheres vão ao túmulo de Jesus levando
perfumes. Ao chegar à sepultura, encontram retirada a grande pedra que a
fechava. Entram no túmulo e vêem um jovem vestido de branco, sentado à direita.
Assustam-se. Mas o anjo diz-lhes: "Não vos assusteis. Procurais Jesus de Nazaré
que foi crucificado? Ele ressuscitou! Não está aqui! Vede o lugar onde O
puseram. Agora deveis ir dizer aos seus discípulos e a Pedro que Ele vai à vossa
frente para a Galileia" (Mc 16,1-7)... São João conta como Maria Madalena
encontra o Ressuscitado na manhã de Páscoa. Estava a chorar junto ao túmulo
vazio. Nisto, vê Jesus sem O reconhecer. Só quando Jesus a chama pelo seu nome
"Maria" é que ela O reconhece. Diz-Lhe em hebraico: "Rabuni", que significa
"Mestre". O Ressuscitado responde-lhe: "Vai procurar os meus irmãos e diz-lhes:
Subo para meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus". Maria Madalena foi
anunciar aos discípulos que tinha visto o Senhor (Jo 20,11-18).
Os discípulos dizem: Jesus não está morto. Ele
vive: apareceu-nos. Nós vimo-l'O. A nossa história com Ele, a sua história
conosco, não terminou. Os homens e mulheres que proclamam esta incrível mensagem
são testemunhas. Na sua primeira epístola aos Coríntios (1Cor 15,5-8), São Paulo
enumera-os: em primeiro lugar Pedro, a pedra sobre a qual Jesus edificou a sua
Igreja. Depois, os Doze que Ele escolheu como apóstolos. A seguir, quinhentos
irmãos dos quais alguns já morreram. Posteriormente Jesus apareceu a Tiago, que
preside à comunidade cristã de Jerusalém e ainda a todos os discípulos. Por
último apareceu igualmente a São Paulo no caminho de Damasco, quando este
perseguia os cristãos.
Depois deste encontro, São Paulo, ardente
perseguidor dos cristãos, converteu-se num não menos ardente pregador de Cristo.
Para todas estas testemunhas, o sepulcro vazio constituiu um sinal essencial. O
encontro com o Ressuscitado converteu-se, para eles, na sua vocação: devem
transmitir a outros o que viram. A sua fé é tão firme que estão prontos a morrer
por ela. É na fé destes discípulos que a nossa se enraíza.
O que teve lugar entre a Sexta-Feira Santa e a
manhã de Páscoa é o mistério de Deus, ao qual nos referimos dizendo:
"Ressuscitou dos mortos", ou então, "Deus ressuscitou-O".
Os homens e mulheres a quem apareceu Jesus
ressuscitado, conheceram-n'O durante a sua vida terrena. Agora reconhecem-n'O:
sim, é Ele, contudo, bem diferente. Assustam-se quando Jesus entra através das
portas fechadas. Enchem-se de alegria quando Jesus lhes fala. Confia-lhes a
missão de ir por todo o mundo levar a Boa Nova aos homens, perdoar os seus
pecados e fazer deles seus discípulos. E acrescenta: "Eu estarei sempre convosco
até ao fim do mundo".
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Senhor, nosso Deus, nós Vos bendizemos:
nesta noite de todas as noites, fazeis brilhar a vossa luz:
num sepulcro vazio infundis em nós a esperança. Jesus, nosso irmão, nós Vos bendizemos.
Nesta nossa noite de todas as noites, apagais em nós o medo da
vida e da morte: A confiança é possível.
Deus, Espírito Santo, nós Vos
bendizemos: Nesta noite de todas as noites, fazei-nos entrever que a
morte não é razão de ser da condição humana, mas sim o amor.
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6.2 Nós viveremos
A ressurreição de Jesus Cristo é o centro e o
coração da nossa fé. A celebração da
Vigília Pascal é a solenidade mais sagrada
do ano litúrgico. E cada Domingo é memorial e louvor de Deus que ressuscitou o
seu Filho dos mortos. Numa das comunidades da Igreja primitiva, havia pessoas
que duvidavam da ressurreição do Senhor. É a elas que São Paulo se dirige por
carta nestes termos: "Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã
também a vossa fé... Permaneceis ainda nos vossos pecados... Deste modo, os que
morreram em Cristo também pereceram. Se a nossa esperança em Cristo é somente
para esta vida, nós somos os mais infelizes de todos os homens" (1Cor
15,14-19).
-
Acreditamos que Jesus, nosso
Senhor, está vivo. Que Ele partilhará a sua vida com todos os que confiam
n'Ele.
-
Acreditamos que o Ressuscitado
é causa de esperança para todos: no fim da nossa vida, não é o nada o que nos
espera, mas a plenitude de Deus; não são ás trevas, mas a
luz.
-
Acreditamos que com Jesus
começou a transformação, a redenção do mundo.
-
Acreditamos que o Espírito
Santo de Jesus vive e atua no nosso mundo.
-
Acreditamos que Jesus Cristo
voltará no dia do Juízo. Que Ele há de libertar os homens e as criaturas de
todo o mal e de todo o sofrimento que os oprime, que os levará à plenitude e
lhes dará uma vida sem fim.
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Rezamos assim: Vós não abandonareis
a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso fiel sofrer a
corrupção. Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida, alegria plena em
vossa presença, delícias eternas à vossa direita. (Salmo 16,10 - 11) |
Vigília Pascal: A
celebração da noite de Páscoa consta de quatro partes: Liturgia da Luz ou
Lucernário, durante a qual se benze o fogo novo e se acende o círio pascal. O
sacerdote, em solene procissão, introduz o círio na igreja que deve estar às
escuras: Luz de Cristo! Liturgia da Palavra: nela têm lugar sete leituras do
Antigo Testamento e duas do Novo Testamento, textos que nos lembram a longa
história de Deus com os homens. Liturgia batismal: a água do Batismo é
benzida. Adultos e crianças recebem o Batismo; todos renovam as promessas
batismais. Liturgia eucarística: nela damos graças Àquele que está conosco
até ao fim dos tempos.
7. Subiu aos Céus; está
sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso
Os discípulos de Jesus viveram a experiência da
Sexta-Feira Santa: Jesus, indefeso e abandonado, pendia da cruz. A sua vida
extinguiu-se na morte. Depositaram seu corpo num túmulo e fecharam a entrada com
uma grande pedra: sinal de que, no fim, a morte tem poder sobre a vida. No
encontro com o Senhor ressuscitado, vivem a experiência que acaba com tudo o que
julgavam saber sobre a vida e a morte. Jesus vem ao seu encontro. Eles
reconhecem-n'O - sim, é Ele, o Crucificado. É-lhes familiar e, ao mesmo tempo,
estranho. Entra, mesmo com as portas fechadas. Está presente e desaparece. Não
podemos deter-l'O. Entre o medo e a dúvida, os discípulos começam a pensar e a
acreditar no que está para além da morte: Deus ressuscitou o seu Filho dos
mortos e recebeu-O na glória com a sua condição humana. Os discípulos afirmam:
Jesus subiu ao céu e Deus deu-Lhe o lugar de honra, à sua direita.
7.1 Deus exaltou-O acima
de todos
Jesus fracassou entre os homens. "Os seus não O
receberam." (Jo 1,11). Mas Deus ressuscitou-O e acolheu-O. Dá a seu Filho o
lugar de honra à sua direita, constituindo-O deste modo Senhor de toda a
criação.
A expressão "sentado à direita do Pai" tem um
significado especial, para os cristãos de então que, tal como Jesus, procedem do
judaísmo: Deus, o Senhor e Rei, escolheu Israel como seu povo. Os reis que
governam em Jerusalém são considerados representantes de Deus. Não governam a
título pessoal, mas em nome de Deus. Enquanto não esquecerem isto, Deus estará
com eles.
Sabemos por um salmo o que era dito ao rei no dia
da sua entronização: "Senta-te à minha direita, até que eu faça de teus inimigos
escabelo de teus pés" (SI 110,1).
Muitos homens piedosos, quando rezam este salmo,
pensam no Salvador prometido, o Messias.
Numa das primeiras profissões de fé, os cristãos
proclamam: "Ele é o Senhor, maior e mais poderoso que todos os senhores do
mundo". Esta confissão é uma afirmação essencial da nossa fé.
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A comunidade louva num hino o Senhor a
Quem Deus exaltou: Por isso Deus O exaltou e Lhe deu o nome que está acima
de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na
terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor,
para glória de Deus Pai. (Filipenses
2,9 - 11)
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7.2 Subiu ao céu
Quando os primeiros cristãos confessam que o seu
Senhor "subiu ao
céu", referem-se ao Antigo Testamento. No livro dos Gênesis
fala-se do patriarca Henoc, que andou com Deus e, depois, foi por Ele elevado ao
céu (Gn 5,24). Acreditamos também que o grande profeta Elias foi arrebatado ao
céu num carro de fogo no meio de um turbilhão (2Rs 2,11). Eliseu, seu discípulo,
fica só e compreende que lhe é pedido continuar a obra de Elias.
São Lucas descreve, no fim do seu Evangelho, como
Jesus Se despede dos seus discípulos: Vai com eles a Betânia, ergue as mãos e
abençoa-os enquanto eles se prostram diante d'Ele. E é nesta atitude de benção
que Ele Se eleva ao céu (Lc 24,50-52). No início do seu segundo livro, os Atos dos Apóstolos,
narra de novo a ascensão de Jesus a fim de mostrar claramente como a história
terrena de Jesus desemboca na história da Igreja: durante quarenta dias - um
período de tempo sagrado - o Senhor ressuscitado aparece aos seus discípulos e
fala com eles do Reino de Deus. Depois eleva-Se a seus olhos e uma nuvem - o
próprio Deus - O oculta. Atônitos e fascinados, os apóstolos fixam os olhos no
céu. É então que dois mensageiros divinos perguntam: "Porque estais aí parados a
olhar para o céu? Esse Jesus que vos foi tirado e levado para o céu, virá do
mesmo modo como O vistes partir para o céu" (At. 1,9 - 11).
Os apóstolos compreendem que lhes cabe agora a
eles, mandatados por Jesus, proclamar o Evangelho, curar os doentes, perdoar os
pecados, exorcizar os espíritos malignos, despertar a esperança.
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Na terra não tendes outro corpo
senão o nosso, nem outros pés senão os nossos, nem outras mãos
senão as nossas. Os nossos olhos revelam a vossa misericórdia para com
o mundo, os nossos pés levam-Vos a fazer o bem. É com as nossas
mãos que, agora, podeis abençoar. (Santa Teresa de Jesus) |
Subiu ao céu (ascensão):
não se trata duma mudança de lugar no domínio do nosso mundo, mas da entrada do
homem Jesus de Nazaré no domínio celeste, donde há de vir.
Atos dos Apóstolos:
o
segundo livro do evangelista são Lucas relata as obras dos apóstolos que
preenchem a missão do Ressuscitado. Eles anunciam-n'O como o Messias, o
Crucificado, o Ressuscitado. Fundam as comunidades, obtêm êxito, são
perseguidos. A primeira parte (cap. 1-12) fala sobretudo de Pedro, o primeiro
dos apóstolos, e de João. Atuam sobretudo na comunidade cristã de Jerusalém. A
segunda parte (cap. 13-28) é consagrada a Paulo de Tarso, o evangelizador dos
gentios (três viagens missionárias). É ele quem traz o Evangelho à Europa. O
livro dos Atos dos Apóstolos termina com a pregação de São Paulo em Roma.
Segundo o testemunho da tradição, ele e São Pedro sofreram o martírio em Roma.
Desde modo, Roma a cidade dos apóstolos, passou a ser o centro da Igreja.
Quarenta dias: Um número
sagrado. Durante os quarenta anos de peregrinação pelo deserto, o povo de Israel
aprende a confiar em Deus. Depois de ser batizado por João Baptista, Jesus jejua
durante quarenta dias no deserto. Depois, seguro da sua missão, começa a sua
vida pública. - A Igreja atém-se ao testemunho de São Lucas: celebra a
"Ascensão" quarenta dias depois da Páscoa.
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