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O SANTO SUDÁRIO |
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O que é o Sudário? A palavra "Sudário" provém do Latim Sudarium, lenço com que se enxugava o suor do rosto e pano com que se cobria o rosto dos mortos; posteriormente, passou a designar o lençol usado para envolver cadáveres ou mortalha. Conservado em Turim há mais de 4 séculos, o Sudário é um pano retangular de 4,36 metros de comprimento e 1,10 metros de largura. O tecido, firme e forte é de puro linho e cor amarelada. A espessura do tecido é de cerca de 34/100 de milímetros, macio e fácil de dobrar. O peso avaliado aproximadamente, é de 2,450 Kg. O linho usado na tecedura do Sudário foi fiado à mão. Cada fio do tecido composto de 70-120 fibras tem um diâmetro variado e a torcedura em Z no sentido horário. Incêndio Em 1532, sofreu um incêndio, o qual causou queimaduras que percorrem todo o lençol. Estava dobrado duas vezes no sentido da largura e quatro vezes no sentido do comprimento, formando 48 sobreposições. estava guardado num relicário revestido de prata, da qual fundida, caíram gotas que queimaram em um dos cantos as várias camadas do tecido. Quando foi desdobrado, viu-se que estava danificado de modo simétrico. Além disso, a água usada para apagar o incêndio e esfriar a caixa incandescente deixou muitos halos (marcas) na forma de losango, as quais circunscrevem as zonas que permaneceram enxutas. Os triângulos claros são os remendos dos pontos queimados completamente, feitos pelas irmãs clarissas de Chambéry. A imagem no tecido O que interessa mais a quem observa o Sudário são sem dúvida, as duas figuras de corpo humano em tamanho natural. Elas se prolongam cabeça contra cabeça, uma de frente, a outra, de costas. O sudário deve ter sido posto longitudinalmente em torno do corpo, para que as imagens pudessem formar-se daquele modo: o cadáver que deixou as duas marcas foi deitado sobre uma metade do lençol, o qual depois foi passado por cima da cabeça e estendido até os pés. As duas figuras humanas foram formadas por manchas de dois tipos e de cores diferentes. Dois estudiosos americanos, o engenheiro Kenneth E. Stevenson e o Filósofo Gary R. Habermas, sintetizaram assim a descriçào do homem do Sudário: "a imagem é de um homem com barba e com mais ou menos 1,80m de altura. A idade é calculada em 30-35 anos e o peso em cerca de 80 Kg. É um homem bem constituído e musculoso. Um homem torturado O exame dos sinais visíveis sobre o corpo permite deduzir que o Homem do Sudário foi torturado, flagelado e crucificado. Na imagem de frente, o rosto apresenta sinais bastante claros de muitos traumas: tumefações na testa, nas arcadas superciliares, nos zigomas, nas faces e no nariz- este traz uma escoriação na ponta. No conjunto, o rosto tem um aspecto composto e sereno. Os ombros estão erguidos. Nota-se uma grande equimose no nível da omoplata esquerda e uma ferida no ombro direito; poderiam ser atribuídas ao transporte de um patibulum ( travessão da cruz ). Os joelhos, especialmente o esquerdo, estão escoriados por quedas violentas. Fios de sangue estão presentes em todo crânio, e são mais evidentes na nuca e na testa. São bem visíveis os antebraços e as mãos, cruzadas sobre o abdômem, a esquerda sobre a direita. No pulso esquerdo há uma grande mancha de sangue causada por uma ferida grave. Embora a mào direita esteja parcialmente ocultada pela outra, o fio de sangue que escorre pelo antebraço indica que também o seu pulso devia ter ferida semelhante. São lesões provocadas por grandes cravos. Os dedos, bem visíveis estào alongados. nota-se que os dedos polegares não aparecem; isto porque a lesào do nervo mediano, provocada pelos cravos fincados nos pulsos, na altura do espaço de Desdot, obrigou os polegares a se contraírem e oporem-se a palma das mãos. No lado direito da caixa torácica - no Sudário, é o lado esquerdo, porque a imagem é especular ( como em um espelho, o lado direito é o lado esquerdo e vice-versa) em relação ao corpo - nota-se uma grande ferida que deve ter sido causada por uma ponta de lança. Nas duas figuras, na anterior e na posterior, notam-se decalques de sangue que formam desenhos bastante regulares em todo o corpo. O sangue se coagulou em lesões lácero-contusas ensanguentadas de modo diferente, muitas vezes aos pares em sentido paralelo, causadas por chicotadas repetidas, cerca de 120. Evidentemente foram produzidas por dois homens (carrascos) postados um de cada lado do Homem do Sudário. O pé direito devia estar apoiado diretamente no madeiro da cruz; o esquerdo estava posto sobre o direito; ambos foram pregados juntos nessa posição, e assim os fixou a rigidez cadavérica. A imagem em negativo As fotografias tiradas do Sudário
determinaram uma reviravolta no interesse e no conhecimento dele, que até entào
era considerado como simples objeto de devoção. Em 1898, Secondo Pia, advogado e
fotógrafo, com sua aparelhagem técnica daquele tempo, fotografou o Sudário.
Levou logo as chapas à camara escura para revelação. Aos poucos, começaram a
revelar-se os primeiros contornos, e depois, o resto, cada vez mais
evidente e rico de pormenores. Com grande surpresa, viu que a imagem da chapa
era muito mais nítida e compreensível do que se via diretamente no
sudário. Análise com microscópio Em 1973, nomeou-se
uma comissão para autenticar as fotografias tiradas em 1969; participava da
comissão também um cientista protestante suíço, Max Frei Sulzer, perito em
microvestígios e criminólogo de fama internacional, fundador e durante vinte e
cinco anos diretor do serviço científico da polícia de Zurique. Ele
encontrou no sudário notável quantidade de pó atmosférico muito fino e tirou
doze amostras de pó, usando fitas adesivas especiais, que podiam retirar os
microvestígios do tecido sem danificá-lo. Uma moeda de Pilatos Graças a elaboração tridimensional, notaram-se dois objetos arredondados postos sobre as pálpebras (costume usado na época) ; logo se supôs que poderia tratar-se de pequenas moedas. A confirmação veio dos estudos aprofundados de Francis L. Filas, docente na Loyola University de Chicago. Ele identificou a moeda que esteve sobre o olho direito do Homem do Sudário como um lepton, precisamente como um dilepton lituus, cunhado sob Pôncio Pilatos entre 29 e 32 d.C. Com a técnica da sobreposição em luz polarizada, foram contados 74 pontos de congruência entre a moeda de Pilatos e a imagem sobre o olho direito. Como comparação, pode-se considerar que, para identidade de duas impressões digitais são suficientes 14 pontos coincidentes em sobreposição. Conclusão O Sudário não é uma falsificação. Com nenhuma
técnica se poderia fabricar na Idade Média (como alguns afirmam) alguma coisa
semelhante, nem hoje, com toda técnica moderna. Esse pano tem as características de um tecido
funerário hebraico do século I, proveniente da área palestinense. Esse Homem sofreu uma crucifixão romana do
século I, com particularidades desconhecidas na Idade Média, mas em sintonia com
as descobertas histórico-arqueológicas posteriores.
Esse corpo sofreu os tormentos descritos nos
evangelhos, também nas particularidades personalizadas. Mensagem
A existência dessa imagem vigorosa no tecido
sugere questões profundas. Resta a pergunta: "E vós, quem dizeis que eu
sou?" por isso , o Sudário continua a apaixonar a opinião pública,
desafiando a Ciência, e provocando crentes e não-crentes com o fascínio de um
mistério que cada um gostaria de ver definitivamente descoberto. No silêncio da
Morte, o Homem do Sudário interpela a Humanidade como Cristo há dois mil anos:
"E vós, quem dizeis que eu sou?" A resposta não é fácil, porque reconhecer
Cristo morto e ressuscitado significaria abalar a existência. O Sudário, como
Cristo não tem pressa. Parece não temer o tempo. Tem paciência e espera. Não
pode ser cancelado. É mudo, mas interroga-nos com seu silêncio. O Sudário se
cala, mas faz a ciência falar. |