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a) Promessas de Deus para quem honra seus pais O texto em foco é um breve comentário do 4o mandamento sintetizado pela Igreja nestas poucas palavras: “Honrar pai e mãe”. Ele vem de Ex. 20,12: “Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará”. Neste texto percebemos um fruto prometido, uma promessa feita para os filhos que honram seus pais; e a promessa é: “o prolongamento dos dias sobre a terra”. (cf. Eclo 3,7) No texto do Eclesiástico vemos mais duas promessas básicas: o perdão das culpas (vv. 4.17) e o atendimento das orações (v. 4). Além disso podemos acrescentar o significado e os benefícios espirituais do amor aos pais: “quem respeita sua mãe é como alguém que ajunta tesouros.” (v. 5) “Quem honra seu pai terá alegria em seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido.” (v. 6). “Com obras e palavras honra teu pai, para que dele venha sobre ti a bênção.” (vv.9 - 10) b) O jeito concreto de honrar os pais Este 4o mandamento é detalhado nos vv. 12 e 13: * Amparo do pai sobretudo na velhice (cf. v.14a) * Não lhe causes desgosto enquanto vive (v. 14 - 6) * Mesmo que esteja perdendo a lucidez, sê tolerante com ele (v. 15a) * E não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida (v. 15b) c) Conclusão: Deus não esquece os gestos de amor O v. 15 além do que já foi dito arremata com esta frase confortadora, cheia de recompensa: “A ajuda prestada a teu pai não será esquecida” . O que dizer daquelas pessoas que por egoísmo ou comodismo abandonam os pais num asilo? Você se preocupa com a alimentação, a higiene, os remédios dos seus pais idosos, da sua avó, do seu avô? 2a leitura - Cl 3,12 - 21 A razão de tudo o que o autor vai dizer nestes versículos se encontra no batismo cristão que provoca no ser humano uma transformação radical: através do batismo a pessoa se torna “homem novo”, homem recriado por Cristo. O v. 12 retoma este fundamento da vida nova. “Portanto, como escolhidos de Deus, santos e amados”. É bom refletir um pouquinho o que Deus faz por nós: Ele nos escolhe, nos santifica e nos ama. Isto é algo de estupendo, principalmente se lembrarmos que tudo isso acontece sem merecimento algum de nossa parte. É desse gesto de Deus que decorrem gestos novos da nossa parte em relação à família e à comunidade. É aqui que se colocam as exortações do nosso texto: ele nos convida a nos vestirmos de sentimentos de compaixão, ou seja, bondade, humildade, mansidão e paciência. * Perdão a toda a hora do mesmo modo que o Senhor nos perdoou. Não é supérfluo lembrar que o Senhor nos perdoou, redobrando o amor para conosco através do serviço total que terminou na entrega total, na cruz. * Por isso o autor vai dizer que a veste do cristão deve ser o amor, pois o amor total é o laço da perfeição. Amar até quem não nos ama, pois foi assim que fez o Senhor. * O que deve reinar no coração do cristão? Ressentimento, mágoa, rancor, ódio? Não, de jeito nenhum! Só a paz e a harmonia devem reinar como os membros do mesmo corpo, mais ainda membro do corpo cuja cabeça é o Cristo (cf. 1,18) * Os vv. 15 - 18 recordam a Eucaristia: agradecimento, a riqueza da Palavra de Cristo, instruções, conselhos, salmos, hinos e cânticos espirituais. Tudo inspirado pela graça que brota do coração de Cristo. É assim que deve viver o cristão. * Palavras e ações do cristão devem acontecer em nome do Senhor Jesus no louvor e no agradecimento por meio dele. Os vv. 18 - 21 detalham as obrigações na família: * Para as mulheres submissão e docilidade. * Para os maridos o amor total às esposas e nada de grosserias. * Para os filhos a obediência, pois é isso que agrada ao Senhor. * Para os pais o esforço de não irritar os filhos para não levá-los ao desânimo. Agora uma pergunta desagradável: É assim que você vive? É assim que vive sua família? Por este texto percebemos que a caminhada é muito longa até chegarmos lá. Temos um ideal; não podemos abandoná-lo. Evangelho – Lc. 2,41 - 52 Esta perícope pertence ao “Evangelho da Infância”, onde a preocupação principal do evangelista não é a história propriamente dita, mas a teologia, ou seja, o significado profundo dos acontecimentos. O texto de hoje quer responder à pergunta: “Quem é Jesus, qual é a sua missão?” A ida anual para a celebração da Páscoa em Jerusalém mostra da parte dos pais de Jesus fidelidade à Lei conforme Dt. 16,16 - 17: “Três vezes ao ano, todos os teus homens deverão apresentar-se ao Senhor teu Deus, no lugar que ele tiver escolhido: na festa dos Pães sem fermento, na festa das Semanas e na Festa das Tendas. Ninguém aparecerá perante o Senhor de mãos vazias; cada um fará suas ofertas conforme as bênçãos que o Senhor teu Deus lhe houver concedido”. A lei diz que não se deve comparecer de mãos vazias. Cada um deve levar um dom. Se Lucas não menciona o dom da família de Jesus é porque ele quer lembrar que Jesus é o próprio dom entregue ao Pai. O israelita, aos 12 anos, já começa a fazer parte do mundo dos adultos, assume sua maturidade religiosa (diante de Deus) e sua maturidade civil (diante dos homens). Assim Jesus está comparecendo ao Templo como obrigação do homem adulto: (... “todos os teus homens deverão apresentar-se ao Senhor teu Deus”). Esta história da perda e encontro do “menino” no Templo vai revelando aspectos da fé do evangelista ou da comunidade cristã pós-pascal na pessoa do Senhor Jesus. Jesus só é encontrado três dias depois no Templo (v. 46). É uma referência aos três dias no sepulcro depois do qual ele vai para a Casa do Pai. Jesus está sentado no meio dos mestres com a admiração de todos. Estes vv. 46 - 47 revelam Jesus na sua dimensão de mestre, ungido pelo Espírito Santo e cheio de sabedoria (cf. 4,18 - 19) A resposta de Jesus a seus pais são suas primeiras palavras no Evangelho de Lucas: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é de meu Pai?” Sintetiza toda atividade de Jesus que viveu em função do Pai e após sua morte (três dias) voltou para a casa do Pai. Mostra sua condição de ressuscitado e glorificado. Mostra sua missão como fruto da sua relação filial com o Pai do céu. Ela brota do coração de Deus e da realização de sua vontade, mas se realiza através do mistério da encarnação, onde Jesus se identifica conosco e vai crescendo na obediência filial “em sabedoria, tamanho e graça diante de Deus e dos homens”. A relação de Jesus com seus pais era uma linda relação de amor e obediência, mas o mistério que envolvia Jesus revela o coração de Maria como coração modelo de todos os discípulos, pois apesar de não entender o alcance dos segredos de Deus ela conservava todas essas coisas no coração (cf. 2,19.51b); ia assimilando assim o projeto de Deus sem oferecer resistência. dom Emanuel Messias de Oliveira |
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Encerramos mais um ano de caminhada. Agradecemos a Deus a alegria das esperanças realizadas. E celebramos desde já as expectativas, pois a maioria das comunidades e famílias ainda não viu brilhar no horizonte a consolação e a libertação iniciadas em Jesus. 1º leitura (Eclo 3,2 - 6.12 - 14; grego: 3,3-7.14-17a): experimentar Deus em família O livro do Eclesiástico é a tradução em grego de um original hebraico, escrito por Jesus Ben Sirac. Seu neto empreendeu a obra de tradução com o objetivo de mostrar aos judeus que moravam fora do país (em Alexandria, no Egito) a riqueza da tradição do seu povo. É, portanto, um livro que ajuda a recuperar as raízes e identidade de um povo ameaçado de perder o sentido da vida. Vivendo em terra estranha, facilmente os judeus assimilavam a cultura e a ideologia do país em que estavam, perdendo de vista a herança cultural e espiritual dos antepassados, baseada na experiência de Deus em família. De fato, o Deus de Israel foi se revelando na vida das pessoas, e essa revelação passou de boca em boca, de pai para filho, desde os tempos mais remotos. Os versículos que compõem a leitura de hoje são uma explicação de Ex 20,12: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que Javé teu Deus te dá”. O mandamento está ligado à promessa de vida longa. O Eclesiástico vai mais longe, acrescentando à vida longa (v. 6) mais duas promessas: a de ver atendidas as orações (v. 5) e o perdão dos pecados (vv. 3.14). Para quem vivia longe do Templo, lugar onde eram feitos os sacrifícios pelas culpas cometidas, há agora um horizonte novo: o perdão dos pecados ocorre não por meio de um rito externo, mas de uma atitude traduzida em amor pelos pais, sobretudo quando estes se encontram em estado de carência, como a perda do uso da razão (v. 13). Poderíamos dizer que a casa voltou a ser o Templo, como na época das tribos, quando a liturgia era celebrada nas casas ou santuários locais. O texto se aproxima bastante da novidade trazida por Jesus de Nazaré, que disse: “O que eu quero é a misericórdia, e não o sacrifício” (cf. Mt. 9,13) e afirmou que o Pai rejeita as ofertas sagradas que deveriam ser empregadas na conservação da vida dos pais (cf. Mc. 7,8 - 13). Amar, obedecer e respeitar a fonte da vida que são os pais é amar, respeitar e obedecer a Deus, origem de toda vida. Os pais reproduzem, em parte, o ser de Deus, que é doação. Eles não produziram para si, mas para os outros. Os filhos, por sua vez, chegados à fase adulta da vida, são convocados a não produzir para si, mas para outros, perpetuando a vida e amparando a dos pais na velhice (v. 12). Essa proposta quebra o sistema de sociedade do consumo e do descartável, que só valoriza as pessoas enquanto capazes de produzir. Evangelho (Lc.2,41 - 52): A maturidade de Jesus À primeira vista, o evangelho de hoje – exclusivo de Lucas – parece um episódio corriqueiro: um casal que vai em peregrinação a Jerusalém e perde uma criança no meio da multidão que foi à festa. Acontece, porém, que Lucas escreveu seu evangelho mais de 40 anos após a ressurreição de Jesus. Ele não está preocupado em mostrar fatos brutos. Pelo contrário, em seus textos escondeu uma teologia ou, se quisermos, uma catequese sobre a pessoa e a missão de Jesus. Erroneamente se diz que Jesus “se perdeu”. De fato, ele “se encontrou”. Perdidos (= confusos) podiam estar seus pais, não ele. O evangelho começa afirmando que os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa (v. 41). Cumprem assim o que estava previsto na Lei (cf. Dt. 16,16 - 17). É assim que os romeiros deviam se apresentar para a festa da Páscoa: “Cada um traga o seu dom, conforme a bênção que Javé lhe tiver proporcionado” (Dt. 16,17). Acontece que Jesus já tem 12 anos (v. 42). É a época de se realizar a cerimônia do bar mitzvah. Nessa idade, e com esse rito, o menino entra no mundo dos adultos: passa a ser plenamente responsável diante de Deus e das pessoas. Chegou sua maturidade religiosa e civil. Escrevendo muito tempo depois da ressurreição de Jesus, Lucas pintou o quadro com algumas cores pascais. De fato, a menção aos três dias de busca (v. 46) recorda os dias em que Jesus ficou sepultado. Também a resposta que ele dá aos pais: “Não sabiam que eu devo estar na casa do meu Pai?” (v. 49b) revela sua condição de ressuscitado e glorificado. Portanto, à luz da morte, ressurreição e glorificação de Jesus é que esse texto adquire pleno sentido. Nesse episódio, Lucas apresenta as primeiras palavras de Jesus no seu evangelho. Os evangelistas deram a essas primeiras palavras grande importância, de modo que sintetizam toda a atividade de Jesus. Para Lucas, Jesus é “aquele que deve estar na casa do Pai”. Aos poucos, o evangelho vai desenvolvendo esse tema, que culmina em 24,51: “Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu”. Jesus está no Templo, justamente na festa da Páscoa (vv. 41 - 42). Lucas nada fala do dom que, segundo Dt 16,17, a família de Jesus deveria apresentar. Mas, para quem lê o texto com os olhos da fé no Ressuscitado, fica claro que ele próprio se apresenta como dom para seu Pai, pois deve estar na casa dele (cf. v. 49b). Lucas afirma que, “três dias depois, encontraram o menino no Templo. Estava sentado no meio dos doutores, escutando e fazendo perguntas” (v. 46). Esse era o modo pelo qual, naquele tempo, se ensinava. Jesus, portanto, está no Templo ensinando os doutores. A função dos doutores daquela época englobava, ao mesmo tempo, a religião e a sociedade. Jesus está tendo seu primeiro teste com aqueles que, mais tarde, serão seus adversários e responsáveis por sua morte. O ensinamento de Jesus também englobará, como realidade inseparável, a religião e a vida do povo. E seu grande ensinamento, segundo o discurso-programa, é este: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a boa notícia aos pobres; enviou-me… para proclamar um ano de graça do Senhor” (cf. 4,18 - 19). Ele, e somente ele, poderá ser chamado de Mestre, porque mostra que a verdadeira religião está comprometida com a libertação dos pobres. Lucas nos diz que os pais de Jesus “não compreenderam o que o menino acabava de lhes dizer” (v. 50). Apesar de o anjo ter revelado a Maria que o Santo que iria nascer dela seria chamado Filho de Deus (cf. 1,35), e apesar de Jesus afirmar que deve estar na casa do seu Pai (v. 49b), ele se torna incompreensível para seus pais. E hoje, será que Jesus é compreensível para nós? Lucas, pela segunda vez, afirma que Maria conservava no coração todas essas coisas (v. 51b; cf. também 2,19). Para esse evangelista, a mãe de Jesus é tipo do verdadeiro discípulo: apesar de não entender plenamente, vai assimilando o projeto de Deus sem pôr obstáculos. Torna-se também um ponto de referência para os pais de todos os tempos: ter um filho não é possuí-lo ou aprisioná-lo na dependência, mas permitir que chegue à maturidade, desenvolvendo-se como ser humano maduro e responsável. O texto de hoje termina afirmando que “Jesus desceu com seus pais para Nazaré e permaneceu obediente a eles… E crescia em sabedoria, em estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (vv. 51a.52). Com isso aprendemos que Jesus continua sendo um ser humano como qualquer um de nós, respeitando as fontes da vida. O v. 52, que fala do crescimento de Jesus, recorda o modo como Samuel cresceu e se desenvolveu (cf. 1Sm 2,26). Samuel trouxe novos rumos para a história do povo de Deus. Jesus, com sua prática, vai inaugurar história e sociedade novas. 2 leitura (Cl 3,12 - 21): Se somos bons, nossas comunidades e famílias serão ótimas Os versículos propostos como segunda leitura deste domingo são parte das conclusões que Paulo tira do fato de, pelo batismo, nos tornarmos pessoas novas. Em outras palavras, o que hoje se lê é a tentativa de traduzir na prática o que significa ressuscitar com Cristo (cf. Cl 3,1). Paulo não separa o convívio familiar da vida em comunidade. Para ele, são dois momentos de uma mesma realidade. E por isso trata das relações dentro da família e da comunidade ao mesmo tempo. O texto de hoje se inicia mostrando a identidade cristã: “Vocês são o povo santo de Deus, escolhido e amado” (v. 12a). A seguir, especifica o que isso significa em termos de relações sociais: “Por isso, procurem revestir-se de misericórdia” (v. 12b). As virtudes que seguem esclarecem o sentido da misericórdia: ela se traduz em bondade, humildade, mansidão, tolerância, paciência e perdão (vv. 12c - 13a). Paulo emprega a imagem da veste (“procurem revestir-se”) para caracterizar as novas relações e valores que ajudam a construir sociedade nova. O ponto de referência para acabar com as discriminações é a prática de Jesus, sua morte e ressurreição: “Como o Senhor lhes perdoou, façam vocês o mesmo” (v. 13b). E conclui: “Acima de tudo tenham amor, que faz a união perfeita” (v. 14). O que torna uma comunidade perfeita não é a ausência de falhas e limites em seus membros, e sim a capacidade de amar sem medidas, apesar dos limites e falhas de cada pessoa (cf. 1Pd 4,8: “O amor cobre uma multidão de pecados”). O amor gera a paz e torna as pessoas membros do mesmo corpo (v. 15a). A seguir, Paulo mostra algumas ferramentas para que a comunidade atinja esse objetivo. A mais importante delas é a celebração da eucaristia. De fato, a expressão “sejam agradecidos” (v. 15b) recorda a celebração eucarística conforme era celebrada pelos primeiros cristãos: a escuta da palavra de Cristo, a partilha da palavra e o louvor, feito de salmos, hinos e cânticos inspirados (v. 16). Paulo, porém, procura alargar os espaços, fazendo a celebração eucarística incidir em qualquer atividade, palavra ou ação, para que tudo seja feito em nome do Senhor Jesus, de modo que a vida inteira se transforme em ação de graças a Deus Pai (v. 17). Em seguida, vêm as instruções para as famílias, com instruções para as esposas, a fim de que sejam dóceis a seus maridos (v. 18); aos maridos, para que amem suas esposas e não sejam grosseiros com elas (v. 20); aos filhos, para que obedeçam aos pais (v. 20); e aos pais, para que usem uma pedagogia capaz de encorajar, e não desanimar os filhos (v. 22). Numa sociedade que privilegiava o pai de família como único responsável pelo bom andamento das coisas, Paulo apresenta, para todos, deveres recíprocos fundados no amor, o laço da perfeição. De fato, essas instruções não privilegiam uns em prejuízo dos outros. O ponto de confronto, para todos, é o modo como o Senhor Jesus agiu em relação ao Pai e às pessoas (cf. vv. 18.20). www.paulus.com.br |
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VIRTUDES FAMILIARES Este livro é deuterocanônico, isto é, não se encontra no cânon hebraico, mas somente na Bíblia grega. Foi escrito em hebraico e traduzido para o grego. Nosso texto é entendido como uma catequese bíblica sobre a família. Apresenta uma lista de preceitos a serem observados pela família. Foi escrito por Ben Sirac e traduzido por seu neto com o objetivo de mostrar aos judeus que viviam fora do país a riqueza da tradição do seu povo. É um livro que visa recuperar as raízes, as tradições e a identidade do povo, ameaçado de perder o sentido da vida. Vivendo em terra estrangeira, os judeus assimilavam facilmente a cultura e a ideologia do país opressor, perdendo de vista a herança cultural e espiritual de seus antepassados, baseada na experiência de Deus em família. Realmente, Deus se revelou e esta revelação passou de boca em boca de pai para filho em tempos mais antigos. A leitura apresenta um código de comportamento dos filhos em relação aos pais. Não pode haver uma boa família quando os filhos não amam os pais. O texto faz um apelo à piedade comum, ou seja, os filhos devem sentir um amor espontâneo pelos pais, com base também no mandamento de Deus de honrar os pais. Nossos versículos explicam Êxodo 20,12, onde se diz que honrar pai e mãe dá uma vida longa e as orações dos filhos são atendidas e seus pecados serão perdoados, ou seja, explicitam o benefício da prosperidade que daí advém, pois honrar os pais vale mais que oferecer sacrifícios no Templo. Para quem vivia longe do Templo, lugar do sacrifício pelas culpas cometidas, o perdão acontecia com essa atitude, sobretudo com o amor aos pais mais carentes (v.13). Amar, obedecer e respeitar os pais é amar a Deus, origem de toda vida. Os pais reproduzem em parte o ser de Deus, que é doação. 2º leitura: Colossenses 3,12 - 21 A VIDA DA FAMÍLIA CRISTÃ Paulo afirma que pelo Batismo nos tornamos criaturas novas e não separa o convívio familiar da vida da comunidade, pois são dois momentos da mesma realidade. Por isso, trata as relações da família e da comunidade do mesmo modo. Para o apóstolo, os cristãos são povo santo de Deus (v.12a). Isto implica relações sociais e ao mesmo tempo é preciso “revestir-se de misericórdia”, o que significa viver a bondade, a humanidade, a mansidão, a tolerância, a paciência e o perdão. Faz com que uma comunidade seja perfeita não pela ausência de falhas, mas pela capacidade de amar. Paulo usa o verbo “vestir-se” para caracterizar as novas relações que ajudam a construir a sociedade e o exemplo para isso é Cristo. Para atingir este objetivo na comunidade, o apóstolo explicita que o mais importante é celebrar a Eucaristia. Usa a expressão “sejam agradecidos”, a fim de lembrar a Eucaristia que os cristãos celebravam, escutando a palavra com louvores, hinos e cânticos. Mas também lembra que a Eucaristia deve continuar na vida, vivendo, sobretudo um bom relacionamento familiar como esposa, esposo, filhos e pais. A submissão das mulheres aos maridos de que Paulo fala pertence ao modelo literário chamado “Código familiar”, que não implica inferioridade, submissão e escravidão. Os maridos devem amar suas esposas (agapàn = amor). Esta palavra indica um amor gratuito, terno, desinteressado. Evangelho: Lucas 2,41 - 52 JESUS ENTRE OS DOUTORES Este é o único episódio sobre a adolescência de Jesus. Ele ia todos os anos com os pais a Jerusalém pela Páscoa (conforme Deuteronômio 16,16-17). Aos 12 anos, Jesus entrou no mundo dos adultos, passou a ter maturidade religiosa e social. Neste contexto, Lucas apresenta Jesus "didáskalos" (= mestre), sentado no meio dos doutores de Israel. Seguramente, suas palavras eram ensinamentos religiosos e comentários sobre a situação do povo. REFLEXÃO O primeiro domingo depois do Natal é dedicado à Sagrada Família. Ela foi conduzida momento a momento pela Palavra de Deus. A família sempre esteve na mente de Deus desde a criação (“Sejam fecundos e se multipliquem...” “Os dois serão uma só carne...”). Ela é a continuação da criação e é chamada a viver um amor plenamente humano, onde entram em jogo todas as dimensões humanas do homem e da mulher (físicas, psicológicas, espirituais). Um amor total que partilha tudo. Amor fiel, exclusivo e fecundo. Para viver todas essas dimensões, é necessário que a família tenha uma vida religiosa e espiritual com orações, sacramentos, escuta da palavra, concórdia e entendimento. Ela deve ser para os filhos, sobretudo testemunha dos valores. Exige-se a prática dos deveres de piedade filial pelos filhos (1ª leitura), que se traduz para eles em amor, respeito, honra e ajuda. Pois os pais, como transmissores da vida, são imagem do amor criador de Deus. A família é o lugar natural e o espaço vital onde a criança se abre pela primeira vez para a socialização da pessoa humana, pois é a primeira sociedade (pais, irmãos, parentes) que ela experimenta. Da imagem e impressão que este primeiro contato oferece à criança dependerá seu futuro equilíbrio pessoal e a qualidade de sua inserção na grande sociedade aonde vai se integrando. Educar é hoje uma tarefa complexa e, por isso, muitos pais se demitem dessa responsabilidade porque se acham incapazes de educar, porque não estão preparados ou porque querem deixar esta responsabilidade para a escola, a Igreja etc., numa atitude permissiva e num conformismo pragmático. Outros pais querem que seus filhos sejam e vivam a sua imagem em tudo e procedem com autoritarismo, freando toda iniciativa e anulando o livre desenvolvimento da personalidade dos filhos, tendo como conseqüência a rebeldia... Estas duas atitudes não são corretas. A atitude certa é potencializar o desenvolvimento pessoal dos filhos, incentivando suas qualidades e progressos, despertando sua capacidade crítica diante de uma sociedade despersonalizante, e preparando-os para assumir seu próprio destino e vocação na vida. Para isso, é necessária uma visão integral da educação em todos os setores: personalidade, religião, cultura e sociedade, sem esquecer que o grande segredo em pedagogia e o melhor método em educação é amar, o que não é a mesma coisa que mimar. Junto com o amor, os pais devem apresentar a verdade da vida mediante o exemplo, pois é este que mais influi nos filhos. Os pais devem ser conseqüentes em seu modo de agir, em sua maneira de pensar, nas palavras educativas, nos pedidos, nas correções e nos conselhos. Os pais são os educadores, os outros (professores, sacerdotes, catequistas) são seus colaboradores. Educar para os valores básicos e permanentes é acentuar atitudes éticas, religiosas e civis, entre as quais se devem acentuar a solidariedade humana, a fraternidade, a justiça, a verdade, o trabalho, o amor e o altruísmo, a capacidade de partilhar, a autodisciplina e a responsabilidade, o respeito às pessoas, o diálogo, o civismo, a oração, a prática religiosa, o compromisso cristão... Os pais devem ser os primeiros educadores da fé dos filhos, mediante a palavra e o exemplo. Isto ocorreu de maneira singular na família de Nazaré. Jesus aprendeu com seus pais o significado das coisas que o rodeavam. Um dos valores fundamentais na Sagrada Família eram as orações diárias. Ao meditar sobre esta cena, os pais devem considerar as palavras de Paulo VI: “Vocês ensinam a seus filhos as orações do cristão? Preparam seus filhos, em comum acordo com os sacerdotes, para os sacramentos da primeira idade: confissão, comunhão, confirmação? Acostumam-nos, quando estão doentes, a pensar em Cristo que sofre, a invocar a ajuda de Nossa Senhora e dos santos? Recitam o terço em família? Sabem rezar com seus filhos, com toda a comunidade doméstica, pelo menos de vez em quando? O exemplo que derem com sua retidão de pensamentos e de ação, apoiado na oração em comum, valerá por uma lição de vida, valerá por um ato de culto de mérito singular. Deste modo vocês levam a paz ao interior dos muros domésticos”. Os lares cristãos que imitarem a família de Nazaré serão “lares luminosos e alegres”, porque cada membro da família procurará primeiro aperfeiçoar seu relacionamento pessoal com o Senhor e com espírito de sacrifício procurará ao mesmo tempo chegar a uma convivência cada dia mais amável com todos os de casa. Nazaré é a escola onde se começa a entender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Ali se aprende a olhar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado tão profundo e tão misterioso desta simples, humilde e bela manifestação do Filho de Deus entre os homens. A família é a “escola de todas as virtudes sociais”. É a sementeira da vida social, pois é na família que se pratica a obediência, a preocupação com os outros, o senso de responsabilidade, a compreensão e a ajuda mútua, a coordenação amorosa entre os diversos modos de ser. A saúde de uma sociedade se mede pela saúde das famílias. padre José Antonio Bertolin, OSJ |
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O texto do Evangelho de Lucas nos leva ao momento do desaparecimento e ao momento em que Jesus é encontrado, assim se faz conexão espiritual e não histórica ou temporal entre o nascimento de Jesus, celebrada na Solenidade do Natal e a Epifania, que encerra o tempo natalino.Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Geralmente, as pessoas organizavam grandes caravanas para ir e voltar de Jerusalém. É justamente por isso que não devemos estranhar que os pais de Jesus não se preocupem nem tenham percebido logo o desaparecimento do seu Filho. Entretanto, quando se dão conta, voltam a Jerusalém e o encontram no Templo entre os Mestres da Lei, escutando e fazendo perguntas. Todos os que o ouviam estavam maravilhados com a sua inteligência e suas respostas. Mas seus pais reagem com preocupação e ficam desconcertados quando o menino lhes comunica a sua missão: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” Apesar de José e Maria terem alguma intuição sobre o sentido das palavras de Jesus, até aquele momento era difícil para eles entender e voltam para Nazaré trazendo Jesus que era-lhes obediente em tudo. Enfim, o Evangelho nos diz que Jesus continuava crescendo e que Maria guardava todas estas coisas em seu coração. É interessante notar que nesta família não há pecado, mas há desencontros como este apenas narrado. E esta família tem muito a nos ensinar em nossos próprios desencontros familiares. Não obstante as dificuldades, esta família singular é unida e cada um se sente responsável pelo outro. A dificuldade e a incompreensão são superadas por uma visão de amor e, sobretudo, na contínua disponibilidade de buscar e de atuar a vontade de Deus seja por parte de Jesus seja por parte de Maria e José. E sobre esse amor é o que fala o texto da segunda leitura de hoje que é tirada da carta de São Paulo aos Colossenses. Nesta leitura, somos educados ao amor, também no mais estreito sentido que Paulo nos apresenta aqui para as nossas famílias. Se as nossas famílias devem ser escolas de autêntico amor entre todos os seus membros, a educação ao amor se tornará suave se realizarmos tudo na ótica do amor para com Deus e o próximo. O filho não é um direito nem uma pretensão da mulher nem do homem ou do casal, mas é um dom de Deus que deve ser acolhido com amor e responsabilidade, sem forçar a vontade de Deus e a técnica para obter egoisticamente aquilo que a natureza por misteriosos fatos não concede às vezes aos esposos, ou mesmo, a alegria de um filho. Diante da cultura de morte que se difunde sempre mais na história hoje, este texto nos leva a contemplar a beleza do dom da vida, da maternidade e da paternidade. Bem que queríamos que o clima natalino que respiramos nestes dias fosse, sobretudo um clima de defesa da vida e especialmente da vida mais indefesa. E entre estes fracos estão as crianças concebidas e que devem ser acolhidas e acudidas com singular amor pela mãe enquanto se desenvolvem no ventre, como também as tantas crianças desaparecidas, esquecidas e abandonadas neste mundo que têm tanta necessidade de dignidade, de uma família normal onde elas possam crescer com o amor e a atenção de ambos os pais. Esta seja a nossa oração não só de hoje, mas de sempre por nós e as famílias de todo o mundo. Enfim, pense por um momento sobre o quanto é importante o seu filho para você que é pai ou mãe. Você reza regularmente por ele? Rezar pelas crianças é o melhor presente que você pode dar a elas. Reze para que seu filho ou sua filha cresça em sabedoria, idade e graça como Jesus cresceu diante de Deus e seja uma bênção para a humanidade.
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e o Menino deitado no presépio”. (cf. Lc 2,16) Depois de contemplarmos o presépio vivendo ainda a oitava do Santo Natal a Igreja, peregrina e santa, nos convida a refletir sobre a realidade da família de Deus, que é a realidade de nossas famílias da terra. A Sagrada Família passou por alegrias, dificuldades e também por grandes sofrimentos. Após o episódio do Templo, em que aparece no meio dos doutores da lei, os pais de Jesus reconheceram a sua missão específica. Eles não põem nenhuma objeção à vontade do Pai. Nesta família reinou a caridade e a ajuda entre todos, a chamada ajuda mútua, os elementos fundamentais da vivência familiar. Porque celebrar a família de Deus? Tudo isso para sublinhar que Jesus teve um ambiente histórico e social. Ele teve necessidade de afeto e de cuidados como qualquer outra criança. Isso tudo ilumina nosso itinerário cristão para que os cristãos mirem na Sagrada Família para que, seguindo seus exemplos, possamos crer no Filho de Deus, o Cristo Redentor da Humanidade. A Sagrada Família foi uma família do cotidiano. Foi uma família de pessoas normais. Jesus assume a profissão de seu pai votivo, São José, e faz desta profissão o sustento de sua família. Uma profissão é, verdade, que fica bem em Jesus, porque ela lembra construção, e Cristo será o construtor do Reino de Deus entre os homens, neste vale de lágrimas. Construtor de nossas caminhadas re-criando e aperfeiçoando as coisas, o mundo e, particularmente, as pessoas. Como era a família de Jesus? Certamente como toda família de hebreus, alicerçada sob a fé, profunda fé, observando as leis da antiga aliança, pautando a sua vida pelos valores propostos pelos profetas, pelos livros sapienciais e pelas Leis de Moisés. Os pais de Jesus, Maria e José, eram homens profundamente tementes a Deus, abertos completamente a misericórdia de Deus Pai, tendo educado seus filhos na Lei e na constância do Senhor da Vida. Uma família simples, pobre, que viveu a normalidade do tempo de antanho. Contingenciados pela ocupação romana, sendo obrigados a recolherem impostos elevadíssimos viviam uma vida difícil como todos os seus contemporâneos. E como era a vida do jovem Jesus? Jesus foi levado ao templo no seu 12o. ano. Isso significa que foi antecipado em um ano a sua peregrinação. Mas a simbologia é rica: Jesus vai aos 12 anos ao Templo para demonstrar que vai passar a sua vida voltada para as coisas de Deus. Jesus vai viver uma missão que lhe foi confiada pelo Pai. Não vai viver em benefício do Templo Edifício, mas vai reerguer o próprio Templo, no terceiro dia, com a sua Ressurreição Gloriosa. Jesus está diante dos doutores para ser submetido a um exame de seus conhecimentos da Lei de Deus. Exame que poderia ser feita na sinagoga de sua cidade ou no Templo de Jerusalém. O Evangelista faz com que Jesus vá espontaneamente ao exame no Templo. Porque espontaneamente? Para demonstrar que ele assume a nossa humanidade e morre na Cruz pela nossa salvação com grande gratuidade e imensa generosidade, profunda espontaneidade. O Evangelista faz com que os doutores admirem a sabedoria de Jesus. Mas não poderia ser diferente, afinal Jesus é a promessa, é o santo dos santos, é a cepa de Jessé. Maria e José procuravam com sofreguidão por Jesus: aqui está a humanidade da sagrada família que sofre e quer proteger o seu Filho. Este gesto demonstra bem o fio condutor do novo Testamento: a criatura humana é um ser à procura de Deus, que parece estar despreocupado conosco. Todos temos essa experiência. Se Maria e José, que conviviam fisicamente com ele, devem sair à sua procura, quanto mais os que como nós só podem viver com ele pela fé. Mas, depois do desencontro, Jesus volta com seus pais para a sua casa. A obediência de Jesus é maior do que a obediência ao pai e a mãe terrenos; ela se prende à vontade do Pai do Céu. Em momento nenhum o Evangelista fala em menino prodígio para Jesus, mas um menino comum, como seus colegas no seu tempo. Apesar da sabedoria demonstrada por Jesus no templo São Lucas exorta: “Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e diante dos homens”.(cf. Lc 2,52). São Lucas proclama que Deus é Pai. Jesus, na sua vida pública, demonstra outro rosto de Deus: Deus que é o pai de toda a humanidade, sem acepção de pessoas, um pai compassivo, misericordioso, bondoso, que perdoa e que ama. Todas as virtudes do Pai Eterno que os cristãos são convidados, com insistência, a viver na sua vida diária, nos seus relacionamentos, na sua vida de comunidade, na sua vida de paróquia, na sua vida de Igreja Particular e Diocesana, na sua vida de Igreja como “Ecclesia”. Existe hoje uma campanha diária e sorrateira para destruir a Família. A própria Conferência dos Bispos nos perguntou recentemente na campanha da Fraternidade: “E a família como vai?” A família vai mal porque Jesus não ocupa mais nas famílias o centro do lar cristão, mirado na Sagrada Família de Nazaré. O futuro da Igreja e da humanidade passa pela família. Por isso a festa de hoje nos vem lembrar que Jesus, podendo ter escolhido outros caminhos para a sua encarnação, escolheu a via natural da família como ponto de partida para criar a nova Família de Deus entre os homens e a mulher neste vale de peregrinação. A Primeira Leitura desta festa(cf. Eclo 3,3 - 7.14 - 17) apresenta regras para a vida familiar. Regras de sabedoria judaica para a vida em família. Prevalecem o respeito dos pais, o bom comportamento e o bom senso. A Segunda Leitura(cf. Cl. 3,12 - 21) nos fala do amor de Cristo, fundamento das regras da vida familiar. Paulo cita brevemente as regras da boa família henelística. A norma, porém, de tais regras não é o mero “bom comportamento”, mas Cristo mesmo. Ele dá aos homens viverem juntos na paz e no amor. Isso vale para a família e para a comunidade. Onde vive a paz, a Palavra de Cristo encontra acolhida; aí também descobre-se a alegria na oração e no trabalho em comum, cada dia. Devemos, em sintonia com a V Conferência de Aparecida, valorizar a formação permanente da catequese de nossas famílias, ressaltando a necessidade da oração em família, do compromisso familiar e da inserção de nossas famílias nas iniciativas pastorais, da qual ela é indiscutivelmente o centro. Rezemos, pois, para que nossas família se tornem Templo de Deus, Casa da Vida, quando todos os seus membros procurarem traduzir em suas vidas o que São Paulo escreve aos colossenses sobre a família: “Revesti-vos de sentimentos de compaixão, longaminidade, suportando-vos uns aos outros com amor, e perdoando-vos mutuamente, se alguém tem motivo de queixa contra o outro(cf. Cl. 3,12 - 21). Aqui está a lição de casa para cada família que hoje celebra conosco a Sagrada Família. Todos somos convidados a transformar nossas famílias numa verdadeira ação de graças. Nas nossas famílias Cristo está se manifestando. Por isso cantemos com o padre Zezinho: “Abençoa Senhor a família Amém! Abençoa Senhor a minha também!”. padre Wagner Augusto Portugal |
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Para entendermos melhor a primeira leitura, é importante saber algumas coisas sobre o livro do Eclesiástico. Este livro foi escrito para ajudar a recuperar as raízes e a identidade de um povo ameaçado de perder o sentido da vida. Vivendo em terra estranha, o povo judeu facilmente aprendia os costumes e a cultura do país em que estava, esquecendo a herança cultural e espiritual de seus antepassados, baseada na experiência de Deus em família. De fato, o Deus de Israel foi se revelando na vida das pessoas, e essa revelação passou de boca em boca, de pai para filho, desde muito tempo. A leitura de hoje, na verdade, é uma boa explicação do mandamento escrito no livro do Êxodo: “honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias...”. O mandamento está ligado à promessa de vida longa. O Eclesiástico vai mais longe, acrescentando à vida longa mais duas promessas: a de ter as orações atendidas e o perdão dos pecados. A leitura aponta um novo horizonte: o perdão dos pecados acontece não através de um rito externo, como era costume dos judeus, mas de uma atitude traduzida em amor pelos pais, sobretudo quando eles se encontram na idade avançada ou com alguma doença. Esta proposta quebra o sistema de sociedade do consumo e do descartável, que só valoriza as pessoas enquanto são capazes de produzir e gerar lucro. Amar, obedecer e respeitar a fonte de vida que são os pais é amar, respeitar e obedecer ao próprio Deus, que é origem de toda vida. Na segunda leitura, Paulo emprega a imagem da veste (“procurem revestir-se”) para caracterizar um novo jeito de nos relacionarmos, começando dentro de nossas famílias, depois em nossa comunidade e assim construirmos juntos um mundo novo. E este novo jeito consiste em viver as virtudes da bondade, humildade, mansidão, tolerância, paciência e perdão, tendo como modelo o próprio Jesus Cristo que assim se relacionou com todos. A seguir, Paulo nos mostra alguns instrumentos para que a comunidade viva o projeto de Jesus. O mais importante deles é a celebração da Eucaristia. A expressão “sejam agradecidos” recorda a celebração eucarística do modo como era celebrada pelos primeiros cristãos: a escuta da Palavra, a partilha e o louvor, feito de salmos, hinos e cânticos espirituais. Em seguida, Paulo nos fala dos relacionamentos dentro da família, baseados no perdão, no carinho, no afeto, no respeito e, acima de tudo, no amor, que é o laço da perfeição. No Evangelho, Lucas começa afirmando que os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Cumprem assim o que estava previsto na lei. É assim que os romeiros deviam se apresentar para a festa da Páscoa: “cada um traga o seu dom, conforme a bênção que Javé lhe tiver proporcionado”. Mas Jesus já tinha doze anos. É a época de se realizar a cerimônia, na qual, para os judeus, o menino entra no mundo dos adultos: passa a ser plenamente responsável diante de Deus e das pessoas. Chegou sua maturidade religiosa e civil. No entanto, Lucas escreve este texto muito tempo depois da ressurreição de Jesus, por isso, ele traz alguns elementos pascais. Os três dias de busca recordam os três dias em que Jesus ficou sepultado. Também a resposta que ele dá aos pais: “não sabiam que eu devo estar na casa de meu Pai?” revela sua condição de ressuscitado e glorificado. Jesus está no Templo, justamente na festa da Páscoa. Lucas não diz nada sobre o dom que a família de Jesus deveria apresentar. Para quem lê o texto à luz da fé no Cristo ressuscitado, fica claro que é Jesus mesmo que se dá como DOM ao Pai e a nós. O texto termina dizendo que Jesus voltou para casa com seus pais e permaneceu obediente a eles. Mais uma vez é na pessoa de Jesus que devemos manter os nossos olhos fixos e com ele aprendermos a bonita arte de amar e nos relacionar. www.diocesedesaomateus.org.br |