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A celebração eucarística é o momento em que damos graças ao Pai, por meio de Jesus, no Espírito. Nossa oração, feita de agradecimento e súplica, é momento de discernimento e de compromisso com Jesus e seu projeto (2º leitura), pois ele vai pôr às claras quem somos e o que fazemos para construir sociedade e história novas. A partilha do Pão da vida nos ensina a partilhar os bens da criação, na justiça e no serviço aos marginalizados (evangelho). 1º leitura (Sf. 3,14 - 18a): A história se reinicia com os pobres Sofonias exerceu sua atividade profética em Jerusalém no tempo do rei Josias (640 - 609 a.C.). Foi, ao que tudo indica, uma das forças que levaram o rei a empreender a reforma político-religiosa após a descoberta, no Templo, do núcleo central do Deuteronômio (caps. 12 - 26). De acordo com os estudiosos, a parte final de Sofonias (3,9 - 20), à qual pertencem os versículos da leitura deste domingo, não é do profeta, mas de um discípulo seu. Essa parte é um oráculo de restauração, acrescentado depois que os exilados voltaram da Babilônia. O objetivo desse acréscimo é mostrar as mudanças radicais promovidas em Judá. É uma mensagem de esperança dirigida à minoria que sobreviveu à catástrofe nacional (um pequeno resto, v. 13). A história do povo de Deus se reinicia com esse pequeno resto, composto de pobres. Com eles Javé vai construir a nova sociedade. Os versículos escolhidos para a liturgia deste domingo estão repletos de otimismo, alegria e esperança (v. 14). São um convite à festa, à dança, pois chegou o dia do casamento entre Deus e seu povo (vv. 17 - 18a). O motivo de tanta alegria é este: O Senhor é rei de Israel! (v. 15b; essa expressão é o centro do texto). As mediações políticas (reis), com sua tirania, haviam levado o país à ruína (exílio). Agora, porém, surge nova liderança no meio do povo: é o próprio Deus que se torna rei de Israel, liderando e organizando o pequeno resto, iniciando com os pobres a nova sociedade e a nova história. Olhando mais de perto o texto, pode-se perceber por que o Senhor é rei de Israel: 1. Ele é o juiz que anula a sentença de morte que pesava sobre o povo (exílio); 2. Ele forçou os inimigos a se retirar, deixando o povo voltar à própria terra; 3. Ele, vencendo os opressores, torna-se o rei de Israel e está no meio do povo como guerreiro e herói que salva; 4. Ele está no meio do povo como companheiro e esposo, com amor renovado. A função primordial da autoridade política em Israel era defender o povo das ameaças externas, exercendo a justiça dentro do próprio país. Mas os reis de Judá, e sobretudo os de Israel, mostraram-se incompetentes, gananciosos, corruptos e opressores do povo. Quem pagou todos esses desmandos? A vítima foi o povo: os que foram levados para o exílio, mas sobretudo os que ficaram na terra, desorganizados e explorados, tendo de trabalhar para pagar a “dívida externa” do país. Javé reabilita o povo. Liberta os cativos (as pessoas bem situadas na Babilônia não quiseram retornar) e organiza os que ficaram no país, dando-lhes nova identidade e sendo ele próprio seu líder, defensor e esposo. Com eles celebra novamente a aliança, recomeçando a história com os pobres e marginalizados. Evangelho (Lc. 3,10 - 18): Como construir a nova história O texto de hoje mostra alguns dos modos pelos quais João prepara o povo para a vinda do Senhor. Lucas não está preocupado em detalhar toda a atividade de João Batista (cf. v. 18), pois a missão deste visa somente preparar o povo para a novidade trazida por Jesus. De fato, Lucas começa a falar da missão de Jesus apresentando os requisitos básicos contidos na pregação do Precursor. A nova história e a nova sociedade nascem da pregação de João e recebem pleno acabamento na prática de Jesus. João está no deserto, onde batiza com batismo de conversão os que vão a ele. Sua pregação não leva as pessoas a se fechar em si mesmas ou em grupos. Nesse sentido, ele supera as expectativas dos zelotes, que aguardavam um messias guerreiro, capaz de resolver sozinho todas as graves questões sociais que afetavam o país; sua pregação supera o ritualismo dos fariseus, que pregavam um tipo de conversão voltada para dentro das pessoas, agarrados à observância da lei nos seus detalhes; supera a segregação grupal, como no caso dos essênios de Qumrã, para os quais se fazia necessário “fugir do mundo” para pertencer ao messias que estava para chegar. O batismo de João quer situar as pessoas diante do julgamento de Deus, e esse julgamento exige renovação total. Nesse sentido, converter-se para acolher o Messias é mudar as relações entre as pessoas, pois os parâmetros da “história oficial” não servem para que as pessoas possam aderir à novidade que está para chegar. O evangelho de hoje mostra alguns requisitos básicos para construir a nova história. São uma espécie de “programa de vida”: a. Partilha (v. 11) Por três vezes encontramos, no trecho deste domingo, a pergunta: “O que devemos fazer?” (vv. 10.12.14). Era a pergunta básica feita, nas comunidades primitivas, por aqueles que se apresentavam ao batismo (cf. At. 2,37). João responde, em primeiro lugar, ao povo. Para construir a nova história, é necessário partilhar: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida faça o mesmo!” (v. 11). A partilha é o primeiro requisito para a construção da nova história e da nova sociedade: partilhar os bens da criação. Note-se que não se trata de esmola: quem tem duas túnicas reparte pela metade o que possui, dando uma a quem não tem. João mostra assim como surge a nova sociedade e a nova história, completamente diferente da “história oficial”, baseada na ganância e no acúmulo de bens em detrimento dos desfavorecidos. Naquele tempo, a maioria das pessoas tinha somente uma muda de roupa. Os ricos tinham duas ou mais. E havia os miseráveis, que andavam literalmente nus. Uma túnica, para a pessoa que tem duas, representa 50% daquilo que possui (veja 19,1ss, Zaqueu). b. Justiça (vv. 12 - 13) Os cobradores de impostos também se apresentam a João com a mesma pergunta: “Que devemos fazer?” O povo odiava os cobradores de impostos, pois eram colaboracionistas dos romanos e, por meio da pressão verbal ou da força militar (os soldados que os acompanhavam), exploravam o povo, enriquecendo fácil e ilicitamente. A resposta de João mostra qual é o segundo requisito fundamental para entrar na nova sociedade: “Vocês não devem cobrar mais do que a taxa estabelecida”. A missão de João, porém, é somente preparatória. Para os cobradores de impostos, converter-se significa entrar na justiça do Reino, não se limitando à justiça da “história oficial”. Isso se torna claro se olharmos a conversão de Zaqueu (cf. Lc 19,1 - 10): ele devolve, aos que explorou, mais do que a “justiça dos homens” estipulava. c. Acabar com os abusos do poder (v. 14) O terceiro grupo de pessoas que se apresentam a João são os soldados de Herodes Antipas, que acompanhavam os cobradores de impostos. Quando estes não conseguiam roubar o povo mediante pressões verbais, utilizavam-se da força militar da polícia. Esta intimidava, batia, levantava falsas acusações… Assim, cobradores de impostos e polícia viviam à sombra da impunidade e da tutela dos poderosos. Estavam entre os maiores violadores dos direitos humanos. Aos “homens da lei” João dá esta ordem: “Não tomem pela força o dinheiro de ninguém nem façam acusações falsas: fiquem contentes com o seu soldo!” Os abusos de poder não levam a construir sociedade e história novas. d. Jesus vai eliminar o mal (vv. 15 - 18) O programa de vida apresentado na pregação de João suscitou expectativas messiânicas no povo, que se pergunta se o Batista não seria o Messias (v. 15). A resposta de João o identifica como precursor da grande novidade. Ele é o que prepara a comunidade para o encontro com o esposo, o qual vai “batizar com o fogo do Espírito Santo” (v. 16). O Messias é Jesus. É ele quem vai realizar, com o povo que o segue, a nova história e a nova sociedade. Ele possui um “Espírito” que é novo, portador da própria santidade divina. O programa de vida de João é simples preparação para a acolhida do Messias. O Messias vai trazer o julgamento à terra. O julgamento é descrito sob a metáfora do agricultor que, na eira, separa os grãos da palha: ele recolhe os grãos no celeiro e queima a palha (v. 17). A missão de Jesus vai mostrar “quem é quem” na sociedade e na história. Vai desmascarar a “história oficial”, cujo projeto é de morte. Urge, portanto, optar pela nova sociedade, associando-se aos que praticam a justiça que manifesta a presença do reino da vida. 2º leitura (Fl. 4,4 - 7): Alegrem-se sempre no Senhor Os Atos dos Apóstolos (16,11-40) mostram como foi a fundação da comunidade de Filipos. Ela surgiu na casa de uma senhora de nome Lídia e em torno da família do carcereiro do qual Paulo salvou a vida. Filipos foi a primeira cidade da Europa a receber o anúncio do evangelho. A comunidade cristã nascida nessa cidade se caracterizou por estabelecer relacionamento estreito e solidário com a missão de Paulo, que tinha como norma não receber bens em troca de pregação. Mas com os filipenses foi diferente. A comunidade ficou sabendo da prisão de Paulo (provavelmente em Éfeso, entre os anos 56 e 57) e lhe mandou uma ajuda, manifestando assim a solidariedade com o apóstolo e, sobretudo, com a causa do evangelho. A carta aos Filipenses é uma coleção de três bilhetes que Paulo escreveu a essa comunidade em breve espaço de tempo. Cada um desses bilhetes tem preocupação própria. O texto de hoje contém algumas recomendações feitas em nome do Senhor. O apóstolo ficou sabendo que havia desentendimento entre duas mulheres líderes da comunidade. Isso causou divisões e descontentamento. Depois de fazer um apelo ao diálogo e à união das lideranças, Paulo convoca todos à alegria, um dos temas fortes da carta. Ser cristão é motivo de alegria; é também apelo ao equilíbrio: “Como cristãos, alegrem-se sempre! Repito: Alegrem-se! Que todo o mundo note que vocês são compreensivos (= equilibrados). O Senhor está próximo” (4,4 - 5). A união da comunidade em torno de um objetivo comum – o projeto de Deus – é propaganda para os que estão fora da comunidade: vendo a união e a harmonia dos membros, os de fora percebem que o Senhor está próximo, morando no meio das pessoas (cf. 1 leitura). O equilíbrio é remédio para os momentos de tensão. Paulo não ignora as dificuldades internas e externas enfrentadas pela comunidade. Por isso pede que tudo seja resolvido em clima de diálogo com as pessoas e com Deus, na oração: “Não se angustiem com nada, mas sempre, em orações e súplicas e com ação de graças, apresentem suas necessidades a Deus” (v. 6). Nem sempre o discernimento é suficiente para chegar à paz de Deus. Mas esta, uma vez buscada com vontade e coragem, será capaz de orientar, modificar ou aperfeiçoar as opções que a comunidade fez: a paz de Deus, que vai além de todo entendimento humano, guardará seus corações (a sede das opções profundas) e pensamentos em sintonia com o projeto de Cristo Jesus (cf. v. 7). www.paulus.com.br |
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Teu Deus está o meio de ti! (Sf. 4,15) A liturgia de deste 3º domingo do Advento inicia-se com o texto da carta de Paulo aos Filipenses: "Alegrai-vos sempre no Senhor, novamente vos digo: Alegrai-vos! ... O Senhor está próximo!" (Fl. 4,4). A temática da alegria toma conta da liturgia deste domingo. Como no 4º domingo da quaresma, somos convidados e levantar os olhos e contemplar os primeiros raios da festa da salvação que se aproxima. Celebramos a salvação que se aproxima no Natal, como rezamos na oração após a comunhão: “O alimento da Eucaristia nos purifique de todos os males e nos prepare para as festas que se aproximam”. A presença de Cristo no Natal é causa de profunda alegria. Ele é o sacramento do Pai que vem nos confirmar a certeza do que sempre rezarmos na missa: “O Senhor esteja convosco!” – “Ele está no meio de nós!”. O profeta Sofonias, no meio da crise do povo que se deixara levar pela idolatria, inicia uma reforma. O povo humilde que ficara fiel, não tem o que temer, pois, Deus é fiel e é força para seu povo. Paulo convida os cristãos a não se inquietarem com nada. Temos a presença de Cristo a quem recorremos através da oração. A paz de Cristo guardará nossos corações. Cultivamos Todos estes sentimentos porque o Natal nos traz uma Criança que nos oferece todos esses dons. Lucas acentua que a vinda de Cristo é coberta pelo Espírito do Senhor que O envia para anunciar o evangelho da alegria aos pobres (Lc. 4,18). Ele veio para anunciar a paz, pois Ele é nossa paz. Cada Natal é um novo grito de paz. Hoje somos a Jerusalém em crise, conturbada. Mas não podemos nos esquecer que temos o Senhor no meio de nós. Ele é a solução para todos os males. Alegria na solidariedade A salvação se torna alegria quando somos capazes em ser solidários. O povo sonhava com uma Jerusalém restaurada de suas misérias. Ele vai a João Batista que anuncia o tempo de Deus. As multidões perguntam: "Que devemos fazer". São três tipos de pessoas: o povo, os homens do dinheiro e os donos do poder, simbolizados nos soldados. A resposta de João é clara: “Quem tiver tuas túnicas, dê uma a quem não tem”: a partilha dos bens que evita o acúmulo; “Não cobreis mais do que foi estabelecido”: a honestidade que combate a exploração das pessoas e a corrupção; “Não tomeis à força dinheiro de ninguém. Nem façais acusações falsas”: a não-violência promove o respeito às pessoas. É uma síntese de todas as soluções para implantar o Reino de Deus. São as questões que Jesus enfrenta no deserto. João profetiza assim o futuro Reino que se estabelecerá com a presença de Jesus, Deus conosco, Emanuel. Estas são questões que enfrentamos hoje. Jesus é a solução. Alegrai-vos: o Senhor está para chegar! Celebrar com intenso júbilo A oração desta celebração, no Advento, coloca-nos no espírito festivo do Natal: "Dai chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las com intenso júbilo na solene liturgia" (oração). A celebração litúrgica é o momento no qual, sacramentalmente, vivemos o mistério do qual fazemos memória. Não se trata só de uma lembrança, mas de participação pessoal e comunitária ao que Deus nos ofereceu Jesus. A grande alegria é a realização da palavra proclamada. O respeito à pessoa e a promoção de seus direitos compõem a alegria que os pobres de Deus necessitam para celebrar dignamente o Natal.
1. A temática deste domingo é a alegria, como recomenda Paulo: "Alegrai-vos sempre no Senhor!"Alegria por vermos os primeiros raios da festa do Natal. Somos convidados a nos preparar. O profeta Sofonias, em meio à crise do povo, inicia uma reforma. Paulo convida a não nos inquietarmos, pois o Senhor está no meio de nós. Cada Natal é um grito de paz. Ele está no meio de nós e tem solução para todos os males. 2. A salvação está na solidariedade, como João orienta o povo que lhe pedi orientação: ao povo recomenda a partilha; aos poderosos recomenda o respeito à pessoa não explorando-a; aos militares recomenda a não violência. São nossos problemas básicos também. São as questões que Jesus enfrenta no deserto. 3. A oração da celebração coloca-nos no espírito festivo do Natal: "Dai chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las com intenso júbilo na solene liturgia". Ela é o momento no qual vivemos o mistério do qual fazemos memória. O respeito á pessoa e a promoção de seus direitos, compõem a alegria que os pobres de Deus necessitam para celebrar dignamente o Natal. Festa boa dura muito Ao aproximar-se o Natal, aumenta o clima de abertura do coração. O profeta mostra a alegria da salvação. Deus não nos condena. Paulo manda alegrar-nos porque o Senhor está próximo. Aliás, este domingo é chamado domingo da alegria que vem da salvação. João Batista abre caminho para todos poderem viver a salvação. Ensina a partilha, o respeito para com o povo, não usando violência nem exploração. João mesmo reconhece que sua missão não é para si, mas para abrir caminhos para a vinda do Senhor. Para nós, o Natal não é uma festa que dura até depois do almoço no dia 25, mas faz de nós mensageiros da alegria a todos que encontrarmos. padre Luiz Carlos de Oliveira |
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O profeta Sofonias, que viveu numa época em que o seu povo estava à beira da ruína, anuncia a vitória do amor de Deus sobre o pecado e a transformação radical da situação social, político e religiosa. Eis o motivo pelo qual conclama todos os pobres do país a alegrarem-se. Esta profecia é importante, também, porque o evangelista Lucas a emprega para descrever a anunciação feita a Maria. As expressões que nela encontramos: “Alegra-te”, “não temas”, “o Senhor está contigo” são as mesmas que o anjo irá dirigir a Maria. Desse modo, Lucas nos ajuda a entender que essa profecia de Sofonias se realizou em plenitude com a Encarnação do Filho de Deus. Em Jesus de Nazaré, Deus veio de fato habitar com o seu povo, trouxe a salvação com a qual proporcionou a plenitude da felicidade. Será que as nossas comunidades são um testemunho autêntico de que “Deus está conosco”? O convite mais insistente à alegria nos vem de Paulo na segunda leitura: "Alegrai-vos sempre no Senhor, repito, alegrai-vos!” (v.4). Por que insiste tanto na alegria? O motivo não é o sucesso na sua vida, a saúde em perfeito estado, a abundância de bens materiais, a falta de preocupações, mas a certeza de que “o Senhor está próximo”. Este é o pensamento que deve acompanhar permanentemente o cristão e que deve torná-lo afável, dedicado e generoso para com todos (v.5). A alegria do cristão não deve ser confundida com a gargalhada tola e insana do beberrão, nem com a satisfação de quem se impõe pela violência, nem com o prazer de quem explora o mais fraco e indefeso. Há muitas alegrias que não são cristãs! João Batista no Evangelho nos indica o caminho que permite que o nosso coração seja inundado pela verdadeira alegria: basta que preparemos a vinda do Senhor na nossa própria vida, mediante a partilha dos nossos bens com os pobres e mediante a recusa a qualquer forma de violência e de opressão. www.diocesedesaomateus.org.br |
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O texto que estamos lendo pertence ao último livro do livrinho do profeta Sofonias. Sofonias 3,9 - 20 é oráculo de restauração do pós-exílio, (538 a.C. para cá) embora o profeta Sofonias seja do tempo do rei Josias. Ele, na verdade, atuou entre 640 a 630 a.C. e foi uma força para a reforma religiosa do grande rei. Este oráculo, portanto, foi acrescentado muito tempo depois que o profeta já tinha morrido. É uma mensagem de otimismo, alegria e esperança para o pequeno e sofrido resto do povo que ficou em Judá. Os versículos de hoje são um grito de alegria e exultação, um convite para a festa. Vamos celebrar com júbilo, vamos dançar com alegria; aliás, o próprio Deus dança de alegria. Alegre-se filha de Jerusalém! Mas alegrar-se por quê? Porque Javé mudou a sentença de castigo contra você, ele eliminou o inimigo que oprimia você. Ele agora está do seu lado, está no seu meio, ele é o seu rei. Ele mesmo vai governar você. Coragem. Javé é Libertador. Não tenha medo. O curioso no texto é que a alegria é bilateral. Também Javé está exultante de alegria. Javé agora está todo feliz por causa de você e renova seu amor por você. Ele vive dias de festa e dança de alegria por sua causa. Deus é sempre força libertadora e motivo de alegria para nós. Será que reconhecemos e tentamos retribuir? 2ª leitura - Fl. 4,4 - 7 O v. 2 retrata um problema na comunidade de Filipos. Duas senhoras distintas e piedosas causaram um certo escândalo por causa de desentendimentos. Eh! Estas coisas acontecem também com gente boa. Elas se chamavam Evódia e Síntique. Paulo pede que elas façam as pazes e pede a Sízigo que dê uma força a elas, afinal elas são “gente fina”, prestativas. “Seus nomes estão no livro da vida” (v. 3). A comunidade de Filipos tem muitas qualidades e isto não vai prejudicar a alegria que lhe é própria. A tônica da carta é esta alegria contagiante da comunidade. Paulo no v. 4 renova o convite à alegria no Senhor. Os filipenses são bons e alegres. O apóstolo deseja que a bondade deles seja notada por todos, sirva de propaganda para a fé. Vale a pena sacrificar-se e ser bom, pois o Senhor está próximo. A comunidade pode ficar tranquila, sem inquietações. A oração seja um momento forte para a busca do equilíbrio e de remédio para os momentos de tensão. A Deus devem ser apresentadas todas as necessidades da comunidade. Toda a vida da comunidade deve transformar-se numa ação de graças. O importante é a paz de Deus obtida pela salvação em Jesus Cristo. Este é o fundamento da alegria cristã. O v. 7º termina com esta afirmação bonita: “E a paz de Deus, que supera todo entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos no Cristo Jesus”. Como vão a alegria, a paz e a oração em nossa comunidade? Lembrem-se, o Príncipe da Paz já está procurando em nossos corações um cantinho para renascer, neste Natal. Evangelho - Lc. 3,10 - 18 O v. 18 deixa transparecer que o nosso texto descreve um dos “muitos outros modos” da atividade evangelizadora de João. Este modo é muito interessante. João prega através da técnica do diálogo, através de perguntas e respostas. Primeira parte (vv. 10 - 14). Aqui temos três grupos diferentes: multidões, quer dizer, um grupo generalizado, cobradores de impostos (= publicanos) e soldados. Fundamental é um esquema novo de viver, um novo modo de se relacionar com os irmãos, um programa diferente de vida. Por isso a pergunta é a mesma para todos: “O que devemos fazer?” Resposta às multidões – Aqui, necessariamente, estamos todos nós. Devemos partilhar o que temos. Todo cristão deve fundamentar sua vida na partilha (cf. At. 2,44 - 45), na colocação em comum dos seus bens. Rico não se salva, porque não sabe partilhar. O dia em que ele aprender a partilhar ele começará a vislumbrar a salvação. João não fala de esmola, mas de partilha. Noventa e nove por cento dos católicos apenas sabem dar esmolas. A mesma esmola que ele dá na porta de sua casa, ele tem coragem de dar na coleta da Igreja e coisa parecida ele ousa dar de dízimo. O dízimo do católico beira as raias do ridículo. Leia o v. 11 e veja a proposta da partilha. Resposta aos cobradores de impostos - Estes eram exploradores do povo, cobravam além da taxa estabelecida. A resposta de João é na linha da honestidade e justiça: eles só devem cobrar a taxa estabelecida. Este versículo serve de modo especial para aqueles que querem ganhar a vida e se enriquecer desonestamente, explorando o povo: políticos, industriais, patrões, etc. Resposta aos soldados - Quem eram os soldados? Eles estavam a serviço do governador e ajudavam os cobradores de impostos a explorar o povo com intimidações, falsas acusações e violência. O recado de João é para que acabem com o abuso de poder. Eles devem evitar a violência, as falsas acusações e devem ficar contentes com o seu salário. No caso de violência o texto é direto para a classe militar que acha que sua função é bater e exibir violência. A criminalidade diminuiria muito se os soldados fossem cristãos de verdade. Com relação ao abuso do poder, de modo geral, o texto é direto para toda a classe política, servidores públicos que servem mais a si que ao povo. O texto serve também para os agentes de pastoral em todos os níveis, que não descobriram ainda que o núcleo do ser cristão é estar a serviço e não ser servido. Segunda parte (vv. 15 - 18) - João esclarece a dúvida do povo dizendo que ele não é o Messias, mas apenas prepara o povo para a chegada do Messias. Ele mostra, com toda humildade, as características do Messias: * É mais forte e mais digno que João. * Ele vai batizar com o Espírito Santo e com fogo (alusão ao Pentecostes). * Ele vai exercer o julgamento, limpar a eira, recolher o trigo, limpar a palha. www.arquidiocese-pa.org.br |
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O profeta Sofonias prega em Jerusalém, durante a primeira fase do reinado de Josias (séc. VII a.C.). Nas décadas anteriores, o rei ímpio Manassés abriu o país aos costumes dos povos vizinhos, erigiu altares aos deuses estrangeiros (chegando a colocar no templo de Jerusalém a imagem da deusa Astarte), dedicou-se à adivinhação e à magia e multiplicou as injustiças, sobretudo contra os mais pobres e mais débeis. Entretanto, subiu ao trono o rei Josias, que procurou alterar este estado de coisas e promover uma verdadeira reforma religiosa; mas, na época em que Sofonias exerce o seu ministério profético, os erros de Manassés ainda se fazem sentir. Neste contexto, Sofonias ataca a idolatria cultual, as injustiças, o materialismo, a despreocupação religiosa, os abusos da autoridade: todo este quadro configura uma situação de grave infidelidade à “aliança”; Deus não irá, diz o profeta, pactuar com esta situação. No entanto, a intenção de Sofonias não é somente anunciar o castigo… A sua mensagem é, antes de mais, um apelo à conversão, primeiro passo para a salvação. O que o profeta pede ao seu Povo é que se volte de novo para Jahwéh, assuma as suas responsabilidades para com Deus e viva de acordo com os compromissos assumidos no âmbito da “aliança”. O texto que vamos ver, no entanto, está incluído nas “promessas de salvação”: aí, o profeta traça o quadro desse tempo novo de alegria e de felicidade, que há-de suceder-se à conversão de Judá. MENSAGEM O texto que hoje nos é proposto é um convite à alegria, porque foi revogada a sentença que condenava Judá. O amor de Deus pelo seu Povo venceu. A partir de agora, Deus residirá no meio do seu Povo; e essa nova comunhão entre Jahwéh e Judá é uma garantia de segurança, de felicidade e de vida em plenitude. Mais: o amor de Deus – esse amor que nada consegue desmentir nem apagar – vai renovar o coração do Povo e fazer com que Judá volte para os caminhos da “aliança”; e o próprio Deus se alegrará com essa transformação. ATUALIZAÇÃO Nunca é demais sublinhar a essência de Deus: o amor. Neste texto, o amor de Deus não só introduz na relação com o Povo um dinamismo de perdão; mas esse amor faz ainda mais: provoca a própria conversão do Povo. Esta consciência de que Deus nos ama, muito para além das nossas falhas e fraquezas, e que o seu amor nos transforma, nos torna menos egoístas e mais humanos, é uma das mais belas constatações que os crentes podem fazer. O que renova o mundo e o transforma não é o medo, mas o amor. O medo provoca insegurança, pessimismo, angústia, sofrimento, bloqueamento; o amor é que faz crescer, é que cria dinamismos de superação, é que nos torna mais humanos, é que nos faz confiar, é que potencia o encontro e a comunhão… Devemos ter isto bem presente quando formos chamados a anunciar o Evangelho e a proclamar a proposta de salvação que o nosso Deus faz aos homens. Também é necessário sublinhar a constatação de que Deus não desiste de vir ao nosso encontro e de residir no meio de nós. Ele tem uma proposta de salvação que quer, a todo o custo, apresentar-nos. Não é uma constatação consoladora, frente às dificuldades, às angústias, às inseguranças que dia a dia preenchem a nossa existência? Finalmente, convém notar o apelo à alegria… A constatação de que Deus nos ama e que reside no meio de nós com uma proposta de salvação e de felicidade para todos os que O acolhem não pode provocar senão uma imensa alegria no coração dos crentes. Damos sempre testemunho dessa alegria? Será que as nossas comunidades são espaços onde se nota a alegria pelo amor e pela presença de Deus? 2º leitura – Fl. 4,4 - 7 - AMBIENTE Paulo, na prisão, recebeu a ajuda fraterna dos Filipenses. Retribui com uma carta em que manifesta o seu afeto pela comunidade cristã de Filipos. Depois de agradecer a Deus pela sensibilidade dos Filipenses ao anúncio do Evangelho (cf. Fl. 1,11), de informar a comunidade sobre a sua situação pessoal (cf. Fl. 1,12-26), de dirigir exortações várias à comunidade (cf. Fl. 1,27 - 2,18), de dar notícias sobre Timóteo e Epafrodito (cf. Fl. 2,19-30) e de denunciar as acusações que lhe fazem os seus adversários (cf. Fl. 3,1-21), Paulo – consciente de que ainda nem tudo é perfeito nesta comunidade exemplar – apresenta um conjunto de recomendações diversas de caráter prático. Este texto contém algumas dessas recomendações. MENSAGEM A primeira e mais importante recomendação de Paulo é um convite à alegria. Trata-se de algo tão fundamental, que Paulo repete duas vezes no espaço de um versículo: “alegrai-vos”. A palavra aqui utilizada (o verbo “khairô”) leva-nos a essa “alegria” (”khara”) que os anjos anunciam aos pastores, a propósito do nascimento de Jesus em Belém. É, portanto, uma alegria que resulta da presença salvadora do Senhor Jesus no meio dos homens. Depois, Paulo acrescenta outras recomendações: a bondade, a confiança, a oração (de súplica e de ação de graças). São estas algumas das atitudes que devem acompanhar o cristão que espera a vinda próxima do Senhor: alegria, porque a sua libertação plena está a chegar; tolerância e mansidão para com os irmãos; serena confiança em Deus; diálogo com Deus, agradecendo-Lhe os dons e apresentando-Lhe as suas dores e dificuldades. ATUALIZAÇÃO A alegria, constitutiva da experiência cristã, deve estar especialmente presente neste tempo de espera do Senhor. Não é uma alegria que resulta dos êxitos desportivos da nossa equipa, nem do nosso êxito profissional, nem do aumento da nossa conta bancária, mas é uma alegria pela presença iminente do Senhor nas nossas vidas, como proposta libertadora. É a certeza da presença libertadora do Senhor que a nossa alegria deve anunciar aos homens nossos irmãos. A bondade e a indulgência com que acolhemos os que nos rodeiam têm de ser, também, distintivos de quem espera o Senhor. Será possível que Deus nasça quando o caminho do nosso coração está fechado com cadeias de intolerância, de prepotência, de incompreensão? A espera do Senhor faz-se, também, num diálogo contínuo com Ele. Não é possível estar disponível para O acolher, quando estamos indiferentes e não partilhamos com Ele, a cada instante, as nossas alegrias e as nossas dificuldades, os nossos sonhos e as nossas esperanças. Não é possível acolher alguém com quem não comunicamos e de quem não nos sentimos próximos. Evangelho – Lc 3,10-18 - AMBIENTE O Evangelho de hoje vem na sequência daquele que refletimos no passado domingo: o profeta João Baptista indica, com pormenores concretos e a grupos concretos, como proceder para percorrer esse caminho de “metanoia” e preparar a “vinda do Senhor”. MENSAGEM A primeira parte do Evangelho de hoje (vs. 10 - 14) é uma secção própria de Lucas. Pôr as pessoas as perguntar “o que devemos fazer” é habitual em Lucas (cf. At. 2,37; 16,30; 22,10): sugere uma abertura à proposta de salvação que vem de Deus. João Baptista propõe, então, três atitudes concretas para quem quer fazer a experiência de conversão e de encontro com o Senhor que vem: ao povo em geral, João Baptista recomenda a sensibilidade às necessidades de quem nada tem e a partilha dos bens; aos publicanos, pede que não explorem, que não se deixem convencer por esquemas de enriquecimento ilícito, que não despojem ilegalmente os mais pobres; aos soldados, pede que não usem de violência, que não abusem do seu poder contra fracos e indefesos… Repare-se como João Baptista põe em relevo os “crimes contra o irmão”: tudo aquilo que atenta contra a vida de um só homem é um crime contra Deus; quem o comete, está a fechar o seu coração e a sua vida à proposta libertadora que Cristo veio trazer. Na segunda parte do Evangelho (vs. 15 - 18), João Baptista anuncia a chegada do batismo no Espírito Santo, contraposto ao batismo “na água” de João. O batismo de João é, apenas, uma proposta de conversão; mas o batismo de Jesus consiste em receber essa vida de Deus que atua no coração do homem, transforma o homem velho em homem novo, faz do homem egoísta e fechado em si um homem novo, capaz de partilhar a vida e amar como Jesus. Faz-se, aqui, referência a essa transformação que Cristo operará no coração de todos os que estão dispostos a acolher a sua proposta de libertação: começará, para eles, uma nova vida, uma vida purificada (fogo), uma vida de onde o pecado e o egoísmo foram eliminados, uma vida segundo Deus. Para Lucas, este anúncio do profeta João concretizar-se-á plenamente no dia de Pentecostes. ATUALIZAÇÃO “E nós, que devemos fazer?” A expressão revela a atitude correta de quem está aberto à interpelação do Evangelho. Sugere-se aqui a disponibilidade para questionar a própria vida, primeiro passo para uma efetiva tomada de consciência do que é necessário transformar. Os bens que temos à nossa disposição são sempre um dom de Deus e, portanto, pertencem a todos: ninguém tem o direito de se apropriar deles em seu benefício exclusivo. As desigualdades chocantes, a indiferença que nos leva a fechar o coração aos gritos de quem vive abaixo do limiar da dignidade humana, o egoísmo que nos impede de partilhar com quem nada tem, são obstáculos intransponíveis que impedem o Senhor de nascer no meio de nós. As nossas comunidades e nós próprios damos testemunho desta partilha que é sinal do Reino proposto por Jesus? Os publicanos eram aqueles que extorquiam dinheiro de modo duvidoso, despojando os mais pobres e enriquecendo de forma ilícita. Que dizer dos modernos esquemas imorais (às vezes lícitos, mas imorais) de enriquecimento rápido? Que dizer da corrupção, do branqueamento de dinheiro sujo, da fuga aos impostos, das taxas exageradas cobradas por certos serviços, das falcatruas? Será possível prejudicar conscientemente um irmão ou a comunidade inteira e acolher “o Senhor que vem”? “Não exerçais violência sobre ninguém”… E os atos de violência, que tantas vezes atingem inocentes e derramam sangue ou, ao menos, provocam sofrimento e injustiça? E os atos gratuitos de terrorismo, ainda que sejam mascarados de luta pela libertação? E a exploração de quem trabalha, a recusa de um salário justo, ou a exploração de imigrantes estrangeiros? E as prepotências que se cometem nos tribunais, nas repartições públicas, na própria casa e, tantas vezes, nas recepções das nossas igrejas? Neste quadro, é possível acolher Jesus? Ser cristão é ser batizado no Espírito, quer dizer, é ser portador dessa vida de Deus que nos permite testemunhar Jesus e a sua proposta. O que é que conduz a nossa caminhada e motiva as nossas opções – o Espírito, ou o nosso egoísmo e comodismo? |
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ALEGRE-SE, CIDADE, O SEU LIBERTADOR CHEGOU! Sofonias exerceu sua missão profética em Jerusalém no tempo do rei Josias (640 - 639 a.C.). Foi uma das forças que levou o rei a empreender a reforma político-religiosa após a descoberta no Templo do livro do Deuteronômio. Para os exegetas, o capítulo 3,9 -20 não pertence ao profeta, mas a um discípulo. Faz parte de um oráculo acrescentado após a volta da Babilônia. É uma mensagem de esperança dirigida à memória que sobreviveu à catástrofe nacional (v.13). A história do povo de Deus reiniciou a partir deste pequeno resto composto de pobres. Com ele será construída a nova sociedade. Estes versículos estão cheios de otimismo, esperança e alegria (v.14). Convidam à festa e à dança, pois chegou o dia do casamento de Deus com seu povo (vv.16 - 17). O motivo da alegria é que o Senhor é o rei de Israel (v.15b). Ele é o juiz que anula a sentença de morte que pesava sobre o povo. Forçou os inimigos a se retirarem, deixando o povo retornar à sua pátria. Agora surge uma nova liderança para o povo que não trai, não leva ao exílio, pois é o próprio Deus quem os dirige. É uma nova sociedade feita pelos pobres. Deus está no meio do seu povo como um herói guerreiro que salva, como um companheiro e esposo. Ele é um juiz que anula a sentença de morte sobre o povo (exílio). Os reis de antes, Manassés (687-642) e Amon (642-640), eram idólatras, corruptos, desonestos e prepotentes. Também com Josias, que subiu ao trono com 8 anos, as coisas não mudaram. De 640 a 628, este rei esteve subordinado aos tutores. Por causa dos reis incompetentes, o povo pagou caro indo para o exílio, ficando sem terra e sendo explorado. Neste contexto, Sofonias mostrou os erros em altos brados, previu o domínio do império babilônico e a destruição de Jerusalém. Ao mesmo tempo previu a conversão dos pagãos e uma nova sociedade. A filha de Sião personifica todo o povo salvo, onde Javé oferece uma nova identidade. Segunda leitura: Filipenses 4,4 – 7 ALEGRIA E PAZ: O SENHOR ESTÁ PERTO! A comunidade de Filipos nasceu na casa de uma senhora chamada Lídia e em torno da família de um carcereiro de quem Paulo havia salvado a vida. Foi a primeira cidade da Europa a receber o anúncio (Atos dos Apóstolos 16,11 - 40). Esta comunidade foi fundada na segunda viagem missionária de Paulo (Atos dos Apóstolos 16,49 - 52). Paulo não esperava nada das comunidades onde pregava, mas com esta comunidade foi diferente. Ela foi solidária com ele quando soube que estava preso em Éfeso (16,56 - 57) e mandou-lhe uma ajuda através de Epafrodito (4,18). Esta carta é uma explosão de alegria. É uma coleção de três bilhetes escritos por Paulo para esta comunidade. O texto traz algumas recomendações, pois ele ficou sabendo que havia alguns desentendimentos entre duas mulheres líderes na comunidade e isto estava causando divisões. Então o apóstolo faz um apelo à unidade e ao diálogo, e depois convoca todos à alegria. Para ele, ser cristão é motivo de alegria, compreensão e equilíbrio. A união da comunidade em torno do projeto de Deus deve ser propagada para os que estão fora, para que estes, vendo a união, comprovem a presença de Deus. O apóstolo não ignora os momentos de tensão na comunidade. Por isso pede que tudo seja resolvido num clima de diálogo com as pessoas e com Deus (v.16). Poderia descrever estes versículos como uma espécie de quadro da psicologia do cristão fundado na fé, na alegria, na oração, na serenidade e na afabilidade. É um mini-tratado de ascética cristã autêntica baseada em valores. Evangelho: Lucas 3,10 – 18 JOÃO BATISTA PREPARA OS CORAÇÕES PARA A VINDA DO SENHOR João Batista está preparando o povo para a chegada do Messias, com os requisitos básicos contidos em sua pregação. O Batista está no deserto, onde dá o Batismo de conversão. Sua pregação leva as pessoas a não se fecharem em si mesmas. Neste sentido, sua pregação supera a dos zelotas, que esperavam um messias guerreiro, capaz de resolver tudo sozinho, sobretudo a grave situação social do país. Supera também o ritualismo farisaico, que com seus ritualismos pregava um tipo de conversão voltada para dentro das pessoas, com apego à observância da Lei e de seus detalhes. Supera também a segregação grupal dos essênios de Qunran, que diziam ser necessário fugir do mundo para pertencer ao Messias esperado. João Batista situava as pessoas dentro do julgamento de Deus e exigia renovação total. Para isso era necessário converter-se e, para acolher o Messias, era preciso mudar o relacionamento com as pessoas, pois os parâmetros da história social não serviam e para isso ele esboça um programa de vida, com requisitos básicos para construir a nova história e a nova sociedade. Uma história diferente da oficial, baseada na ganância e no acúmulo de bens. Eis os itens deste programa: a) Partilha - O que devemos fazer? Era uma pergunta básica nas comunidades primitivas, feita por aqueles que procuravam o Batismo (Atos dos Apóstolos 16,20). Então o Batista fala de partilha; este é o primeiro requisito. Não se trata de esmolas, mas de uma nova sociedade não baseada no acúmulo e na ganância. “Quem tiver duas túnicas...” (v.11). Neste sentido, a pregação do Batista se alinha com a tradição profética (Isaías 58,6 - 10). b) Justiça - Para os cobradores de impostos que faziam a mesma pergunta, o Batista dizia que não cobrassem mais do que a taxa estabelecida. Eles eram odiados porque colaboravam com os romanos exploradores e se enriqueciam facilmente. Portanto, João Batista pede eqüidade e que não roubassem o povo. O Batista estava preparando a chegada de Jesus. Jesus vai além do que o Batista pregava, pois para ele entrar na justiça do Reino não pode se limitar à justiça da história oficial. Isto fica claro em Lucas 19,1-10: Zaqueu devolveu os bens roubados. c) Acabar com os abusos do poder - O terceiro grupo são os soldados de Herodes Antipas, que acompanhavam os cobradores de impostos, os quais, se não conseguissem roubar mediante a pressão verbal, recorriam à força militar, intimidando, batendo e fazendo acusações. Estes eram os homens da Lei e o Batista dizia para eles: “Não tomem o dinheiro de ninguém...”, e que ficassem contentes com o que ganhavam. Esta pregação de João Batista suscitou a expectativa messiânica, de sorte que perguntavam entre o povo se ele não seria o Messias (v.15). Mas ele responde que está preparando o caminho, pois o Messias batizará com o fogo e o Espírito Santo (v.16). Será Jesus quem irá implantar a nova ordem na sociedade. Ele possui um Espírito novo que trará o julgamento à terra e João descreve este acontecimento com a metáfora do agricultor que separa na eira os grãos da palha (v.17). João Batista realça a superioridade do Messias, de quem não é escravo, pois não é digno de desamarrar suas sandálias (tarefa dos escravos). Jesus irá mostrar quem é quem na sociedade e na história. Jesus batizará com o Espírito Santo. É uma comparação com Atos dos Apóstolos 1,5, lembrando uma promessa de Lucas 24,49 que se concretizou no Pentecostes (Atos dos Apóstolos 2,1-13). O Espírito é apresentado como fogo, elemento “mais espiritual” do que a água, e já havia sido indicado no Antigo Testamento como instrumento purificador (Isaías 1,15; Jeremias 6,29). REFLEXÃO Este é chamado o domingo “Gaudete”. É permitido, portanto, o paramento rosa para expressar esta alegria. João Batista arrastava a multidão, que queria ouvi-lo e ser batizada. Falava duro, dizendo que não bastava jogar-se nas águas do Jordão, mas era preciso mudar o estilo de vida, converter-se, fazer uma renovação interior. Ele faz uma apresentação de Jesus ligada à idéia do judaísmo: um Jesus que condena os maus e acolhe os bons. Na verdade, Jesus veio como médico para curar. Lucas insiste na possibilidade de conversão de todos, inclusive dos publicanos e soldados, que eram mal vistos por causa de suas profissões. João Batista não pede que entrem em um convento, nem lhes impõe penitência, mas a obrigação de superar o egoísmo, partilhar... “Alegrem-se no Senhor. A afabilidade de vocês seja notada por todos”. Este é o convite de Paulo: manter-se afável, sereno, manso... A alegria misturada com o amor cristão aparece já no canto dos anjos de Belém. Faz parte da essência do Evangelho, que é notícia alegre. É preciso combater a tristeza com a alegria, pois a tristeza nos faz baixar a cabeça e não nos permite olhar para o céu. O Cura d’Ars disse que quando estava triste ia confessar-se. Chanfort escreveu que um dia em que não se riu pelo menos uma vez é um dia perdido. E João XXIII disse: “Enquanto puder, quero ser calorífico e não frigorífico”. São Paulo nos convida a deixar a alegria florir em nossa vida, mas não como a alegria barulhenta do mundo. A fonte da alegria pode secar quando se acredita que é possível alimentá-la com água do esgoto, ou seja, com o prazer, a riqueza, o sexo... Isto gera insatisfação, desilusão, desespero. Somos convidados a viver a bondade. Esta não pode ser uma máscara de amabilidade, um fingimento, uma atitude hipócrita ou diplomática para salvar as aparências. Infelizmente, a alegria para os cristãos não é contagiosa. “A alegria é o segredo gigantesco do cristão” (Chesterton). Renovar, mudar, fazer um mundo novo, uma nova sociedade, é assunto de inúmeros discursos, encontros, congressos e assembléias. São idéias que ficam no plano das propostas e não alcançam o objetivo, porque os homens se negam a ser renovados por Cristo. Só a presença de Deus na vida do homem o leva a mudar o comportamento, fazendo com que seja permeado de docilidade e mansidão, eliminando os ressentimentos, a agressividade, as críticas. A liturgia nos convida à alegria porque Deus é um Deus da alegria. “Um santo triste é um triste santo”. São Filipe Néri, o santo da alegria, dizia: “Tristeza, fora da minha casa”. Alguns santos até brincaram na hora da morte. São Lourenço, enquanto era queimado na grelha, pediu que o carrasco o virasse do outro lado, porque daquele já estava assado. Tomás Moro, ao colocar a cabeça no cadafalso, levantou sua longa barba para que não fosse cortada e disse: “Ela não tem culpa”. O segredo da alegria destas pessoas é a proximidade com Deus. A primeira leitura de hoje ensina que as duas condições para ter alegria é a libertação do mal e a comunhão com Deus. São Francisco de Assis, quando encontrava um frade triste, dizia-lhe: “Ou você está na graça de Deus ou em pecado. Se está na graça, seja alegre. Se está em pecado, peça perdão a Deus e depois fique alegre”. Se João Batista tivesse que nos dirigir palavras hoje, o que nos diria? “Eis os ingredientes básicos: oração constante e sincera para compreender a vontade de Deus; participação nos sacramentos para fortalecer-se interiormente diante das tentações; assiduidade à Palavra de Deus; confiança em Deus, que não nos pede sacrifícios além de nossas forças; paz no coração, porque Deus é fiel as suas promessas; atenção às necessidades do tempo em que Deus nos interpela; exercício do amor, que torna concreta a nossa fé”. Maria foi convidada à alegria porque estava perto de Deus. Ante a proximidade do Messias, João Batista saltou de alegria no ventre materno. Todos se alegravam ao ver as maravilhas que Jesus fazia (Lucas 13,7). Nossa alegria deve ter fundamento forte. Não pode se apoiar exclusivamente em coisas passageiras: saúde, notícias agradáveis, bens materiais. Devemos levar a alegria aos outros: um sorriso, uma palavra cordial, um elogio. Pois a missão do cristão é levar a alegria aos outros. padre José Antonio Bertolin, OSJ |
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alegrai-vos. O Senhor está perto!”. (cf. Fl. 4,4.5). A alegria é o tema fundamental deste terceiro domingo do Advento, que a antiga liturgia latina chamava de domingo Gaudete. Quando a esperada vinda está finalmente para se realizar e todos os sinais a confirmam, a esperança e a preparação se transformam em alegria e júbilo. A curto prazo, a perspectiva da vinda transforma-se em antecipação da presença. Por isso o espírito deste domingo é de Alegria, que vem de “Gaudete”, ou seja, “Alegrai-vos”(cf. Fl. 4,4 - 7). A Alegria que brota do sentimento de viver sempre na presença do Senhor e que assim produz em todos os cristãos não só o sentimento que por si só já deve dizer muito, mas deve produz um novo efeito de vida: o epieikes, ou seja, o bom grado – o cristão não apenas tem alegria, mas é uma alegria para quem o encontra. Isso seria verdade? Por isso, o santo Evangelho(Lc. 3,10 - 18), nos ensina que aqueles que acolhem a pregação de João, o Batista, lhe pedem normas de comportamento em vista da vinda do Messias. Essas normas se resumem em uma só palavra: ser gente. O profeta João Batista faz uma pregação muito direta, muito simples e muito objetiva: repartir aquilo que temos. Adverte aos fiscais do governo que devem ser honestos. Para os homens das forças de segurança e do exército de então ensina que não devem molestar as pessoas e contentar-se com o seu soldo. Ser gente para a Sagrada Escritura é viver o Reino de Deus, que deve se realizar no dia a dia de nossas realizações, no chamado cotidiano. O profeta João Batista diz que viver o seu código de fé, os seus “sacramentos”, que iluminam a vida de um Profeta mais importante do que ele está no batismo. É um sinal do verdadeiro batismo, que um mais forte do que ele vem administrar: o batismo no Espírito e no fogo: no Espírito, para os justos, que serão impelidos pelo espírito de Deus, transformados em profetas(cf. Jl. 3) e santos; no fogo, para os ímpios, que queimarão como o refugo na hora da ceifa. Para o “mais forte” já está a pá na mão para limpar o grão no terreiro. O Evangelho de hoje responde à pergunta que normalmente nasce de um coração arrependido e com boa vontade: “O que devo fazer?” Todos devem fazer-se essa pergunta. Mas cabe a cada um corrigir seu próprio caminho para que se encontre pessoalmente com o caminho do Senhor. Somos chamados a conversão. Conversão profunda, dinâmica, renovadora, como deu pistas e ensinou João Batista. Reconhecer-se pecador e querer a conversão é reconhecer em Jesus de Nazaré o Messias, que vem na força do Espírito de Deus, repartindo com o convertido o mesmo Espírito Santo. Por isso Jesus vem no Natal e virá no Juízo final. Durante a primeira vinda, Jesus derrama seu Espírito sobre quantos creram nele. Na segunda vinda, separará o trigo da palha, recolherá o trigo – os bons, que se deixaram fecundar pelo Espírito Santo e produziram furtos de santidade, e queimará a palha – os maus, que se encheram com a própria vontade, estéril para o balanço final. As duas vindas, Natal e Juízo final, são motivo de alegria, tema fortemente presente na Missa de hoje, particularmente nas duas primeiras leituras e no salmo responsorial. Na balança da vida devemos colocar as boas obras e as más inclinações, que são chamados de pecados. Jesus veio para todos. Jesus não quer excluir ninguém, assim veio para os bons, veio para os mais, veio para os justos e veio, também para os pecadores. Não é por acaso que, no Evangelho Lucas cita duas classes sociais desprezadas e tidas como pecadoras, que deviam ser evitadas pelo “bons”, embora estivessem presentes na vida de cada dia de toda a sociedade. A primeira classe é a dos publicanos, que são os cobradores de impostos. Os publicanos cobravam os impostos para os romanos e ganhavam sobre a quantidade arrecadada. Eram odiados pelo povo. Fariseus e saduceus não mantinham nenhuma convivência com eles. A segunda classe é a dos soldados. Eram mercenários, considerados permanentemente impuros pela possibilidade de haverem derramado sangue e de estarem a serviço do poder estrangeiro. Como no tempo de Jesus era proibido aos judeus o serviço militar, esses soldados que foram escutar João Batista deviam ser pagãos a serviço de Herodes Antipas. A todos, indistintamente, João pregava a chegada do Senhor: “Todos, verão a salvação de Deus”. (Cf. Lc. 3,6). Assim, João Batista nos ensina a corrigir nossos defeitos e vícios: apego aos bens materiais, simbolizados na posse de duas túnicas ou no armazenamento de comida. A conversão exige o desapego, que se expressa muitas vezes no repartir o que se tem e o que se é com os necessitados. Nossa fé cristã é uma fé da partilha, por isso o apego generalizado que se fé é um contra-testemunho. A ganância é combatida porque ela provoca a fraude e o roubo. Devemos mudar de mentalidade, de caminho, e rumar para a justiça, que nunca explora nem extorque, mas prepara a consciência para a caridade fraterna. O abuso da força é um grave pecado a ser extirpado, como condição para receber o Messias que vem. A violência do tempo de Jesus é a mesma que, infelizmente, nós contemplamos em nossos dias. Violência política, econômica, estrangeira, familiar, abuso de toda a violência que não gera a paz e a concórdia tão necessária no seio da sociedade injusta que se instala o capital em vez da solidariedade, da partilha e do amor. Os três pecados apontados por João costumam andar juntos. O egoísmo não deixa repartir, a ganância, que exige sempre, mais pedem a violência para a sua defesa. Os três tornam o coração humano impermeável à graça santificante de Deus. A primeira leitura(Sf. 3,14 - 18a) nos apresenta uma mensagem central: “O Senhor está no meio de ti”(Sf. 1) exorta à alegria, consola. Deus revogou sua “sentença” – a ameaça dos assírios contra Judá, no final do século VII a.C). Agora é preciso ter coragem. O profeta pede alegria por causa da presença de Javé, Rei de Israel. Em Jesus, Messias, é que esta realidade chega à plenitude. A segunda leitura(Fl. 4,4 - 7) nos aponta a proximidade de Deus: “Alegrai-vos sempre no Senhor: ele está perto”. A proximidade de Deus é razão de alegria e de carinho para com todos os homens e mulheres. Enviado para levar a Boa Nova aos pobres e oprimidos, o apóstolo Paulo, acorrentado, alegra-se com o s seus pela proximidade do Senhor. A certeza de estar em Cristo o torna realmente livre. Qual é a diferença fundamental entre João Batista e Jesus? Ele está na diferença entre o Batismo com água e o Batismo com o Espírito Santo. João é um profeta. Jesus é o Filho de Deus. João recebe tudo de Deus. Jesus é tudo, porque é Deus. Santo Agostinho nos ensinou que João é a voz no tempo, Jesus é a Palavra eterno, que existe desde o princípio. Se tiramos a palavra, prossegue Agostinho, que sentido teria a voz? O batismo com água era o símbolo de conversão, o símbolo de purificação. O batismo com o Espírito Santo é a santificação, a divinização, a participação na vida nova de Deus. O batismo com o fogo significa o calor e a luz, simbolizando a majestade e a força divina, limpando o coração humano, separando o ouro da graça das muitas impurezas. Jesus é o Juiz Supremo que dá o céu aos bons e o inferno aos maus. Jesus vem com a força divina para purificar e para salvar. A criatura humana aceita a salvação, se quiser. A salvação vem para todos. Bela a palavra de João Batista que disse que ele não era digno de “desamarrar a correia das sandálias” daquele que viria depois dele. Jesus é, claramente, Salvador e Juiz, Juiz benigno e misericordioso, acolhedor e paterno. A esperança/esperança do Advento alimenta a nossa fé. Que o domingo Gaudete, seja o momento de conversão, justiça, amor, paz e alegria, para constituir como sinais concretos de renovação em nossa vida para esperarmos pelo Cristo, colocando-nos do jeito que Jesus quer que nós esperemos por Ele: servindo ao irmão e nos amando-nos na diversidade. padre Wagner Augusto Portugal |
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O texto que estamos lendo pertence ao último livro do livrinho do profeta Sofonias. Sofonias 3,9-20 é oráculo de restauração do pós-exílio, (538 a.C. para cá) embora o profeta Sofonias seja do tempo do rei Josias. Ele, na verdade, atuou entre 640 a 630 a.C. e foi uma força para a reforma religiosa do grande rei. Este oráculo, portanto, foi acrescentado muito tempo depois que o profeta já tinha morrido. É uma mensagem de otimismo, alegria e esperança para o pequeno e sofrido resto do povo que ficou em Judá. Os versículos de hoje são um grito de alegria e exultação, um convite para a festa. Vamos celebrar com júbilo, vamos dançar com alegria; aliás, o próprio Deus dança de alegria. Alegre-se filha de Jerusalém! Mas alegrar-se por quê? Porque Javé mudou a sentença de castigo contra você, ele eliminou o inimigo que oprimia você. Ele agora está do seu lado, está no seu meio, ele é o seu rei. Ele mesmo vai governar você. Coragem. Javé é Libertador. Não tenha medo. O curioso no texto é que a alegria é bilateral. Também Javé está exultante de alegria. Javé agora está todo feliz por causa de você e renova seu amor por você. Ele vive dias de festa e dança de alegria por sua causa. Deus é sempre força libertadora e motivo de alegria para nós. Será que reconhecemos e tentamos retribuir? 2a leitura - Fl 4,4 – 7 O v. 2 retrata um problema na comunidade de Filipos. Duas senhoras distintas e piedosas causaram um certo escândalo por causa de desentendimentos. Eh! Estas coisas acontecem também com gente boa. Elas se chamavam Evódia e Síntique. Paulo pede que elas façam as pazes e pede a Sízigo que dê uma força a elas, afinal elas são “gente fina”, prestativas. “Seus nomes estão no livro da vida” (v. 3). A comunidade de Filipos tem muitas qualidades e isto não vai prejudicar a alegria que lhe é própria. A tônica da carta é esta alegria contagiante da comunidade. Paulo no v. 4 renova o convite à alegria no Senhor. Os filipenses são bons e alegres. O apóstolo deseja que a bondade deles seja notada por todos, sirva de propaganda para a fé. Vale a pena sacrificar-se e ser bom, pois o Senhor está próximo. A comunidade pode ficar tranquila, sem inquietações. A oração seja um momento forte para a busca do equilíbrio e de remédio para os momentos de tensão. A Deus devem ser apresentadas todas as necessidades da comunidade. Toda a vida da comunidade deve transformar-se numa ação de graças. O importante é a paz de Deus obtida pela salvação em Jesus Cristo. Este é o fundamento da alegria cristã. O v. 7º termina com esta afirmação bonita: “E a paz de Deus, que supera todo entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos no Cristo Jesus”. Como vão a alegria, a paz e a oração em nossa comunidade? Lembrem-se, o Príncipe da Paz já está procurando em nossos corações um cantinho para renascer, neste Natal. EVANGELHO - Lc 3,10 – 18 O v. 18 deixa transparecer que o nosso texto descreve um dos “muitos outros modos” da atividade evangelizadora de João. Este modo é muito interessante. João prega através da técnica do diálogo, através de perguntas e respostas. Primeira parte (vv. 10 - 14). Aqui temos três grupos diferentes: multidões, quer dizer, um grupo generalizado, cobradores de impostos (= publicanos) e soldados. Fundamental é um esquema novo de viver, um novo modo de se relacionar com os irmãos, um programa diferente de vida. Por isso a pergunta é a mesma para todos: “O que devemos fazer?” Resposta às multidões – Aqui, necessariamente, estamos todos nós. Devemos partilhar o que temos. Todo cristão deve fundamentar sua vida na partilha (cf. At 2,44 - 45), na colocação em comum dos seus bens. Rico não se salva, porque não sabe partilhar. O dia em que ele aprender a partilhar ele começará a vislumbrar a salvação. João não fala de esmola, mas de partilha. Noventa e nove por cento dos católicos apenas sabem dar esmolas. A mesma esmola que ele dá na porta de sua casa, ele tem coragem de dar na coleta da Igreja e coisa parecida ele ousa dar de dízimo. O dízimo do católico beira as raias do ridículo. Leia o v. 11 e veja a proposta da partilha. Resposta aos cobradores de impostos - Estes eram exploradores do povo, cobravam além da taxa estabelecida. A resposta de João é na linha da honestidade e justiça: eles só devem cobrar a taxa estabelecida. Este versículo serve de modo especial para aqueles que querem ganhar a vida e se enriquecer desonestamente, explorando o povo: políticos, industriais, patrões, etc. Resposta aos soldados - Quem eram os soldados? Eles estavam a serviço do governador e ajudavam os cobradores de impostos a explorar o povo com intimidações, falsas acusações e violência. O recado de João é para que acabem com o abuso de poder. Eles devem evitar a violência, as falsas acusações e devem ficar contentes com o seu salário. No caso de violência o texto é direto para a classe militar que acha que sua função é bater e exibir violência. A criminalidade diminuiria muito se os soldados fossem cristãos de verdade. Com relação ao abuso do poder, de modo geral, o texto é direto para toda a classe política, servidores públicos que servem mais a si que ao povo. O texto serve também para os agentes de pastoral em todos os níveis, que não descobriram ainda que o núcleo do ser cristão é estar a serviço e não ser servido. Segunda parte (vv. 15 - 18) - João esclarece a dúvida do povo dizendo que ele não é o Messias, mas apenas prepara o povo para a chegada do Messias. Ele mostra, com toda humildade, as características do Messias: * É mais forte e mais digno que João. * Ele vai batizar com o Espírito Santo e com fogo (alusão ao Pentecostes). * Ele vai exercer o julgamento, limpar a eira, recolher o trigo, limpar a palha. Diante do anúncio de João como você deve se preparar para o Natal? dom Emanuel Messias de Oliveira |
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O tom da liturgia deste terceiro domingo do Advento é a alegria. A cor rosácea, usada como opção ao roxo, sinaliza para esta exultação que perpassa toda a liturgia hodierna. “Alegrai-vos!” – diz são Paulo na segunda leitura; “Canta de alegria, rejubila, alegra-te e exulta de todo o coração” - convida o profeta Sofonias na primeira; “Exultai cantando alegres” – exorta o Salmo de meditação. Mas, qual o motivo de tamanha alegria? Para um cristão, para alguém responsável, e realmente consciente, é possível alegrar-se, quando há tanta dor no mundo, tanto fracasso, tristeza, solidão e morte? Alegrar-se num mundo assim, não seria uma insuportável falta de solidariedade, uma falta de compaixão para com quem sofre e geme? E, no entanto, a Palavra santa insiste: Alegrai-vos! Mas, “alegrai-vos sempre no Senhor!” Eis o modo de alegrar-se, no Senhor, porque ele pode sustentar nossa existência, ele pode dar sentido às nossas dores e nos consolar depois da pena! E a Palavra santa prossegue: “Alegrai-vos: o Senhor está perto”. O motivo da nossa alegria é a certeza que Deus não nos abandonou, a convicção que ele é um Deus presente e que no seu Filho Jesus, ele veio pessoalmente ao nosso encontro. Então, irmãos, alegrai-vos, pois ainda que haja tantas realidades dolorosas e sombrias, o Senhor está perto com seu amor, sua misericórdia, sua salvação. E o nome dessa salvação é Jesus! Já no Antigo Testamento, Deus consolava o seu povo, sustentava-lhe a esperança, prometia-lhe uma bênção no futuro. Ele mesmo haveria de ser essa bênção, um Deus no meio de sua gente, um Deus próximo: “O rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal. O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva!” Israel nunca poderia imaginar que essas palavras haveriam de cumprir-se ao pé da letra. Como Deus poderia vir habitar pessoalmente no meio do seu povo, se ele é o Infinito, Santo e abarca tudo quanto existe no céu e na terra? Para nós, cristãos, no entanto, de modo maravilhoso, esta promessa cumpriu-se em Jesus: ele é o Deus-conosco, Deus entre nós, Deus para nós, Deus como nós: com nosso semblante e com nossos gestos! Ninguém poderia imaginar algo assim! A surpresa foi tanta, é tanta, que Santo Irineu exclamava, a respeito de Cristo: “Ele trouxe toda a novidade quando se trouxe a si mesmo!” Por isso são Paulo nos convida a que nos alegremos no Senhor; não em qualquer alegria! Somente no Senhor que se dá a nós, a nossa alegria pode ser autêntica, porque brota da certeza que não estamos sós, que o pecado e a morte foram vencidos! Alegrai-vos, pois, mas na alegria de saber que, mesmo com tanta dor e sofrimento no mundo, o amor e a graça de Deus triunfam em Jesus Cristo. Alegremo-nos porque o Senhor está próximo: ele está próximo o seu Natal, ele está próximo no nosso cotidiano, ele está próximo na sua Vinda final... próximo, porque é urgente que nos decidamos por ele, que o acolhamos, que lhe abramos as portas do coração! Por isso, ao lado da alegria, o evangelho de hoje, ao apresentar-nos o ministério de João Batista, coloca-nos uma questão fundamental: “Que devemos fazer?” – é a questão de levar a sério o Cristo que vem; a questão de abrir espaço para ele na nossa vida, a questão de decidir-se realmente por ele! Como devemos viver para acolher sua vinda no dia-a-dia, para bem celebrar o seu Natal, para estar diante dele quando vier na sua glória? Que devemos fazer? A resposta somente pode ser uma: convertei-vos, abri vosso coração para que o Rei da glória possa entrar! Entrar no vosso modo de viver, entrar nas vossas opções, entrar no vosso coração, entrar em todas as dimensões da vossa existência! Não recebais em vão a graça de Deus, o dom do Cristo que nos vem sempre! Não torneis inútil a salvação que Cristo vos concedeu. É importante observar o apelo de João, o Batista, precursor do Messias. A cada grupo de pessoas que perguntavam o que fazer, o Batista responde de modo muito concreto, indicando uma direção a partir do modo de vida e da atividade de quem perguntava... e sempre relacionando com o respeito e o amor aos outros: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; quem tiver comida, faça o mesmo; não cobreis mais que o estabelecido; não tomeis à força dinheiro de ninguém; não façais falsa acusação”. Ainda hoje este é o critério para acolher Jesus: um coração em disposto à conversão... e uma conversão que passe pelo relacionamento com os irmãos, sobretudo os mais necessitados. Pois bem: “alegrai-vos no Senhor!” Que vossa alegria no Senhor que vem, vos faça bondosos para com todos, sem excluir ninguém, pois o Senhor a todos nos acolheu! Que vossa alegria no Senhor vos faça serenos ante os problemas e desafios do mundo e da vida! Que vossa alegria no Senhor guarde vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus! É isto que nos é pedido neste santo Advento! É esta a condição para um Natal verdadeiramente cristão, verdadeiramente no Senhor! Ó santo Emanuel, tu que assumiste nossa humana condição, tu que não te envergonhaste de ser um de nós, um como nós, um conosco, acolhe nossa súplica, alegra o nosso coração com a alegria da tua chegada... a mesma que alegrou a Virgem, a José, a João no ventre materno... a mesma que fez Isabel exultar e Zacarias cantar... a mesma que alegrou os pastores e o magos... Santo Emanuel, que nossa alegria esteja numa vida vivida na tua presença, fazendo a tua vontade, cumprindo o teu mandamento! Vem, Senhor Jesus, que precisamos de ti! Vem e renova o nosso coração e o coração do mundo... até a tua Vinda na glória.
Este terceiro domingo do Advento é conhecido na liturgia como domingo Gaudete – “Domingo alegrai-vos!” Com efeito, a alegria é a nota, o clima de toda a Eucaristia da hoje. E por quê? Basta escutar o Apóstolo, na segunda leitura: “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos! O Senhor está próximo!” Vede, caríssimos, que o nosso desejo de Advento está para ser realizado: o Senhor vem, vem para salvar-nos, e nós veremos seu rosto, nele haveremos de encontrar a alegria, nele teremos a graça da salvação. Mas, a que vinda a liturgia de hoje se refere? De qual chegada a Igreja fala? Das três, caríssimos; daquelas três vindas de que nos falava são Bernardo de Claraval nos seus sermões. Escutemos o que ele nos ensina: “Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última há uma terceira vinda. Aquelas são visíveis, mas esta não. Na primeira vinda o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens. Foi então, como ele próprio declara, que o viram e o odiaram. Na última, todos os homens verão a salvação de nosso Deus e verão aquele que traspassaram. A vida intermediária é oculta. Nela somente os eleitos o vêem em si mesmos e recebem a salvação. Na primeira o Senhor veio na fraqueza da carne. Nesta ele vem na força do Espírito e na última virá no esplendor de sua glória. Esta vinda intermediária é como um caminho que conduz da primeira à última. Na primeira Cristo foi nossa redenção; na segunda aparecerá como nossa vida; nesta é nosso repouso e consolo”. Então, amados em Cristo, três vindas de uma só vez nós preparamos neste santo Advento; para três chegadas procuramos estar vigilantes: a do Natal, princípio da nossa salvação; a de cada dia, que marca e torna efetivo nosso acolhimento ou nossa rejeição da salvação trazida pelo santo Messias de Deus; e, finalmente, a vinda do final dos tempos, quando, na sua glória, tudo será manifestado e aparecerá claramente nossa salvação ou nossa danação, de acordo com nosso comportamento hoje em relação ao Senhor! Portanto, alegremo-nos porque o Senhor vem e sua vinda traz a salvação! Celebrando sua vinda no Natal, experimentaremos o quanto Deus é fiel às suas promessas e encher-nos-emos de alegria e ânimo para reconhecer suas vindas a cada dia, preparando-nos para o encontro com ele no Final dos tempos, quando toda dor, todo pranto, toda morte serão vencidos! Cuidado, irmãos, com o desânimo; cuidado com a tibieza, cuidado com a frieza de coração! Cuidado também com o espírito do mundo, com o paganismo em nossos pensamentos e ações! Cuidado para não descuidarmos das coisas de Deus, para não desacreditarmos de suas palavras e não fechar para ele o nosso coração! Ele vem, e vem porque nos ama, e vem para salvar! Assim sendo, acolhamos as consoladoras palavras de Sofonias: “Canta de alegria, Sião; rejubila, Israel! Alegra-te exulta de todo coração! O Senhor está no meio de ti, nunca mais temerás o mal! Não temas, Sião; não te deixes levar pelo desânimo! O Senhor exultará de alegria por ti, movido por amor, como nos dias de festa”! Meus caros, que tristeza a vida se tivéssemos de vivê-la sozinhos, se não houvesse um Destino bendito! Que tédio a nossa existência, se não houvesse um Deus-Salvador que visse nosso caminhar, que recolhesse nossas lágrimas, que fosse nosso companheiro na solidão e na dor, no medo e na angústia de cada dia! A vida não pode ser somente viver e morrer; nosso caminho sobre a terra não pode ser uma passageira ilusão, uma distração maluca e alucinada para não nos lembrar que aqui estamos de passagem e que um dia morreremos... Caminhamos para o Senhor que vem, meus irmãos! E ele vem mesmo, porque é fidelíssimo! Pois, alegremo-nos: o nosso Deus é um Deus próximo; Deus de perto e não de longe! Saibamos reconhecê-lo. Saibamos acolhê-lo! “Não vos inquieteis com coisa alguma! A paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento, guardará os vossos corações e pensamento em Cristo Jesus!” E, no entanto, amados em Cristo, a certeza da Vinda do Cristo deve fazer que procuremos sinceramente acolhê-lo pela estrada da conversão sincera! Por isso mesmo, no meio da alegria deste Domingo cor-de-rosa, surge a figura dura e austera de João Batista, o profeta vindo do deserto, vestido de pele de camelo atada por um cinto de couro. Sua figura rústica e sua palavra dura não são para nos amedrontar, não têm como objetivo apagar a alegria, mas são uma séria advertência! Eis a questão: o mundo procura a alegria. Agora mesmo, final de ano, o champagne correrá solto, os sorrisos e votos de felicidade e paz serão abundantes, a alegria encherá tantos corações e estará estampada em tantos lábios. Mas, é uma alegria duradoura? É uma alegria verdadeira? Temos, realmente motivo para tanto? Não qualquer alegria, caríssimos, é autêntica alegria! No mundo há dor, solidão, pobreza, doença, morte; no mundo há treva, há nossas lutas interiores, há as quebraduras do nosso coração, nossas frustrações e fracassos, há nossas ansiedades, apreensões e feridas mal curadas... Como, então, alegrar-nos de verdade? Como fazer que nossa alegria não seja uma alienação, uma fuga vazia, uma mentira deslavada? “Alegrai-vos sempre no Senhor”, diz-nos o Apóstolo. E João Batista nos recorda e adverte que tal alegria somente pode ser fruto da sincera conversão que nos une a Deus! Hoje lhe perguntam no evangelho: “Que devemos fazer?” Também nós devemos repetir esta pergunta: Que devemos fazer para bem prepararmos o santo Natal? Que devemos fazer para acolher o Senhor no dia-a-dia? Que devemos fazer para estar de pé diante dele quando ele se manifestar em sua glória? ... E a resposta de João é bem concreta: sede fraternos, sede solidários, sede caridosos, não sejais violentos nem gananciosos! Em outras palavras: Convertei-vos, abri vosso coração! Abrir o coração para os irmãos é abri-lo para acolher o Deus que vem em Jesus! Ora, meus caros, é dessa nossa atitude que dependerá o destino de nossa vida! O santo Messias que esperamos e que sabemos que virá para salvar é aquele que, no fogo do seu Santo Espírito, “virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga!” Quão triste a nossa situação diante de Cristo se nossa vida não for mais que palha! Serviríamos apenas para sermos queimados no fogo eterno! Sendo assim, alegremo-nos! Mas, alegremo-nos de verdade! Alegra-se de verdade quem se alegra no Senhor e por causa do Senhor. Alegra-se no Senhor quem o procura com sinceridade no caminho da conversão, amando-o e amando o próximo por amor dele! Façamos sincera revisão de nossa vida, procuremos o sacramento da confissão, mudemos o que em nós precisa ser mudado! É este o caminho para o encontro com Aquele que vem! E que pelas preces de são João Batista, a santa Eucaristia que agora celebramos realize em nós a obra da salvação de Cristo, nos purifique dos pecados e nos prepare para as festas que se aproximam. dom Henrique Soares da Costa |