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Multiplicação dos pães Jesus vai, de barco, para um lugar deserto e afastado. Ao desembarcar, Jesus se depara com as multidões que, intuindo para onde ele ia, se anteciparam, vindo a pé das cidades. Ao vê-Ias, Jesus é tomado de compaixão por elas e cura os doentes. Tendo o pessoal passado muito tempo com Jesus, ficou tarde e o lugar era deserto. Então, os discípulos ficaram preocupados com a alimentação das multidões e pediram que Jesus as mandasse embora para procurarem alimentos para si e não perecerem ali de fome. Jesus, que entende bem qual é o pão de que as multidões estão realmente famintas, responde aos discípulos: "Não é preciso que vão embora. Vocês mesmos dêem de comer a elas". Afinal, o pão que estas pessoas estão procurando está bem ali. É o próprio Jesus com a sua Palavra. Com efeito, o homem não vive somente de pão, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus (Dt. 8,3). Ora, Jesus é a Palavra encarnada do Pai que desceu do céu para dar vida ao mundo (cf. Jo 6,33). Ele, de fato, o declara: o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo (6,51). Os discípulos não mandam as pessoas embora porque foi Jesus mesmo que as convocou dizendo-Ihe: "Vinde a mim, vós todos que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede meus discípulos e encontrareis descanso. Pois meu jugo é suave e meu fardo é leve" (Mt. 1,28-29). O jugo da Lei será substituído pelo conhecimento e pela experiência do Amor do Pai oferecido no seu Filho que se fez pão para a vida de todos, É desse alimento salutar que as multidões estão famintas. Portanto, os discípulos não têm que se preocupar com o que dar às multidões, pois a missão deles é tão somente distribuir a refeição eucarística em que Jesus é o único a se dar como Pão da Vida. Este Pão é suficiente para saciar toda a humanidade. Basta que haja sempre discípulos que, mediante o anúncio e o testemunho da Palavra, a façam chegar até os confins da terra (cf. Mt. 28,19-20). frei Aloísio Antônio de Oliveira OFV Conv |
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A fome e a sede são mecanismos fundamentais dos seres vivos. Todo ser vivente precisa de nutrição e hidratação, porém nos seres humanos estas necessidades biológicas possuem um caráter social. Em muitas culturas humanas, partilhar a bebida e o alimento são mecanismos de socialização e de integração. O autor aproveita dessa necessidade vital e a translada ao campo da fé para mostrar ao crente que a palavra de Deus é algo mais que uma comunicação divina. A palavra de Deus se converte assim em uma necessidade permanente que alimenta nosso ser e nos vivifica. Jesus mesmo, retomando as reflexões do Deuteronômio (Dt. 8,3; 6,13), combate a tentação contrapondo a vontade divina ao imeditatismo humano (Lc. 4,3-4). O problema da humanidade não é unicamente a satisfação das necessidades básicas, mas também formar uma consciência de justiça, de solidariedade num projeto alternativo em relação a outros que só favorecem o egoísmo. Porém, o autor como bom poeta e profeta, não se contenta em fazer uma polêmica ou um denuncia legal; busca, por meio da imagem, associada aos melhores frutos (trigo, vinho, leite), que o leitor encontre, não somente consolo, mas deleite. A palavra de Deus se converte assim em um manjar delicioso a ser degustado por pura gratuidade divina. O odor do alimento fresco, do vinho bem conservado e do leite fresco, nos lembra os dons que Deus deu ao povo; dons que ajudam ao ser humano a construir um corpo vigoroso, porém que devem ser acompanhados por uma degustação assídua da Palavra. Isaias nos faz um convite a degustar, com sabedoria, todos os dons que Deus nos oferece, sabendo que o melhor que podemos oferecer de nós mesmos é a gratidão ativa, que se volta para os menos favorecidos. O mesmo acontece com a Palavra de Deus: ela deve ser comunicada com sabedoria e generosidade, a fim de que o povo de Deus não desfaleça. A palavra de Deus nos convida e convoca a fazer deste “vale de lagrimas” um jardim frondoso, onde floresça a justiça e a sabedoria (Sl 72, 1-9). A multiplicação dos pães e dos peixes evoca a grande tentação de considerar que unicamente a satisfação das necessidades básicas nos conduz ao Reino. Jesus se preocupou com seus discípulos no sentido de que fossem mediadores efetivos diante das necessidades do povo e não recorrendo à mentalidade mercantilista que reduz tudo à presença ou à ausência do dinheiro (Mt. 14,15). É muito fácil, na falta de um benfeitor, despedir a multidão faminta para que cada qual consiga o necessário. Jesus, porém, não quer isso; ele pede a seus seguidores sejam agentes da solidariedade entre o povo, oferecendo o que são e tudo (o pouco) que têm. Então a razão de três pessoas, cinco pães e dois peixes, se converte no incentivo para que todos contribuam a partir de sua pobreza e possa ser alimentado para todo o povo de Deus, simbolizado nos doze cestos. Na intenção do evangelista, Jesus demonstra desse modo que o problema não é a carência de recursos, mas a falta de solidariedade. O que nos aproxima de Jesus não são as muitas orações, genuflexões ou cerimônias, mas o amor incondicional a ele e à sua causa, o Reino. A diferença entre Jesus e todos os pregadores de sua época foi a capacidade para despertar os melhores sentimentos do povo: amor, generosidade e respeito. Nós deveríamos amar a Jesus com o mesmo amor com ele que nos ama. Se ele nos ama com um amor solidário, generoso, compassivo, não podemos responder com orações melosas nem com choramingos ou explosões de emotividade, porque isto não seria amor recíproco. De fato, se entendemos com que amor Jesus nos amou, estaremos seguros do que Paulo proclama: nada nos pode separar do amor de Cristo. |
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No Evangelho de hoje, Mateus nos fala da grande multidão que seguia Jesus, para onde quer que Ele fosse, e usa uma palavra muito forte para se referir ao sentimento de Jesus, ele diz que o Mestre sentiu compaixão da multidão. Compaixão é muito mais que uma simples preocupação, principalmente quando estamos falando de Jesus. Compaixão no seu sentido mais amplo, no seu sentido divino, é um sentimento que está muito longe do entendimento humano. Para nós, compaixão está ligada à uma preocupação superficial, que chamamos de “pena”, “dó” ou qualquer outra coisa que sentimos por um doente, moribundo, ou marginalizado. Compaixão é algo que vai muito além de ficar penalizado ou doar o que nos sobra. Para Jesus, compaixão é sinônimo de amor. Jesus se compadece da multidão, cura os doentes e dá o pão da palavra para aqueles que o procuram. Dá também o pão alimento, símbolo da vida. Multiplica e distribui o alimento que, ainda hoje é tão escasso em nossas mesas. Milhares e milhares morrem de fome em todo mundo. Outros milhares dependem de leito hospitalar, remédios, exames complementares e até mesmo de uma palavra de conforto, e isso nos deixa (entre aspas) “extremamente compadecidos”. Não basta sentimentalismo externo, é preciso ação. Como dissemos, compaixão é sinônimo de amor e, amor é doação, portanto, o amor só está presente na entrega, na partilha. Ninguém é feliz sozinho, felicidade para ser completa, tem que ser compartilhada. Partilhar, repartir são verbos ainda muito pouco utilizados. Em compensação, um verbo que está sempre presente nas rodas de amigos, que tem presença obrigatória nos “papos” informais ou de negócios, é o verbo multiplicar. Só que não é a multiplicação de pães, nem de empregos. A preocupação é com a multiplicação de renda, de poder e de centralização de bens. Com Jesus é diferente. Onde Cristo está presente, ali está a fraternidade. Os cinco mil homens que o evangelho se refere simbolizam o mundo da época, o povo de Israel. Porém, o mundo atual também sente fome de Deus e precisa ser saciado. O mundo precisa conhecer Jesus, o Verdadeiro Pão. Os primeiros cristãos causavam inveja, porque tudo repartiam e por isso, não havia necessitados entre eles. Vamos imitá-los? Vamos provocar inveja nos que nos rodeiam, vamos viver a alegria de partilhar o pão, a saúde, o emprego, as riquezas, enfim, vamos viver a emoção maior de partilhar o amor. Jorge Lorente |
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Multiplicação dos pães Jesus, ouvindo isso, partiu dali, de barco, para um lugar deserto, afastado. Assim que as multidões o souberam, vieram das cidades, seguindo-o a pé. Assim que desembarcou, viu uma grande multidão e, tomado de compaixão, curou os seus doentes. Chegada a tarde, aproximaram-se dele os seus discípulos, dizendo: “O lugar é deserto e a hora já está avançada. Despede as multidões para que vão aos povoados comprar alimento para si”. Mas Jesus lhes disse: “Não é preciso que vão embora. Dai-lhes vós mesmos de comer”. Ao que os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. Disse Jesus: “Trazei-os aqui”. E, tendo mandado que as multidões se acomodassem na grama, tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos ao céu e abençoou. Em seguida, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos às multidões. Todos comeram e ficaram saciados, e ainda recolheram doze cestos cheios dos pedaços que sobraram. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. A intenção de São Mateus é de narrar um milagre histórico de Jesus. Isso, porém, não é meramente um truque para fazer aparecer pães e peixes para cinco mil pessoas. Aqueles que testemunharam o fato já entenderam o gesto num contexto religioso: revela que é Jesus que está realizando o banquete messiânico prometido para os últimos tempos. Esse fato é também narrado por São Marcos, São Lucas e São João. Principalmente São Mateus observa que Jesus se retirou para o deserto, onde a multidão o segue para ouvir a sua palavra. Assim, ele também alude à Igreja, novo povo de Deus, que será reunida para o banquete final. Curando os doentes, Ele manifesta a sua “compaixão”, o amor materno de Deus para com o seu povo. Podemos interpretar esta narrativa da multiplicação dos pães e dos peixes em três níveis: À luz do antigo testamento: é relembrado o milagre da multiplicação dos vinte pães de cevada com os quais o profeta Eliseu deu de comer a cem pessoas (2Rs. 4,42-44). Há também alusão ao maná com o qual Deus, de modo extraordinário, matou a fome do povo no deserto (Ex. 13). À luz da ceia do Senhor: alguns gestos são realizados com a solenidade de um rito, do rito da ceia do Senhor que se celebrava na comunidade cristã e da ceia pascal celebrada por Jesus. O dom dos pães aconteceu ao entardecer (v. 15), como na ceia pascal. Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama (v. 19). Em seguida, Jesus “tomou os cinco pães..., elevou os olhos ao céu e abençoou. Em seguida, partindo os pães, deu-os aos discípulos” (v. 19). Esses são também gestos de um rito e relembram a última ceia de Jesus com seus discípulos. O motivo dos peixes não é desenvolvido por São Mateus, porque não há correspondência nas celebrações da Igreja primitiva. Jesus aparece como o profeta final que chama todos a participarem do banquete escatológico, da salvação, da vitória sobre a morte. À luz da missão da Igreja: os discípulos estão presentes de forma bem ativa entre Jesus e a multidão. São Mateus vê a continuidade dessa tarefa nos ministros da Igreja que distribuem aos fiéis o pão da palavra e da eucaristia. o milite |
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“Encheu-se de compaixão” Aliança Eterna Se quisermos entender o sentimento de Jesus, aquele que o movia em todas as situações, podemos dizer que é a compaixão. Jesus não tinha dó do sofrimento do povo. Sentir dó não resolve nada. Ele o sentia na pele e no coração. É o que rezamos no salmo 144: “Misericórdia e piedade é o Senhor, Ele é amor, é paciência, é compaixão… sua ternura abraça toda a criatura”. Os milagres de Jesus não eram espetáculo para divertir o povo faminto. Essa era a mentalidade do império romano: pão e circo. É ópio do povo. A compaixão era a expressão de seu coração e o sentido de sua missão. O Pai, dando-nos Jesus, no-lo deu como afeto de quem se compromete: “Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho único para que todo o que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Deus enviou seu Filho para salvar o que estava perdido, como refletimos nas parábolas do pai amoroso e o filho perdido, a ovelha perdida, o milagre dos pães. O profeta Isaias anuncia um tempo novo no qual Deus fará uma aliança eterna com o povo mantendo as graças concedidas a Davi. Deus é fiel. Jesus vem como expressão desta fidelidade, confirmando essa aliança eterna. Seu sangue derramado, como rezamos na consagração na Eucaristia, é o sangue da nova aliança. A aliança eterna vai além de um simples contrato, ela é firmada e garantida pelo sangue do Filho de Deus, Jesus. Ele é a gratuidade abundante de Deus. Ele é a redenção abundante. A multiplicação dos pães é a expressão da abundância de Deus e mostra também nossa pequenez: só temos cinco pães e dois peixes. Não temos a solução. Jesus, abundância de Deus, é a solução. A multiplicação dos pães e o livro do Profeta Isaias são explicados pelo refrão do salmo da liturgia deste domingo: “Abris a mão e saciais os vossos filhos”. Jesus, tendo se “repartido”, é redenção. Nada nos separa do amor de Cristo Paulo reflete na carta aos Romanos, o que era sua vida e nos dá garantias do grande amor de Deus. Tendo sido tocado pelo amor de Deus, anuncia-O com toda a força e garantia: Nada nos separará do amor de Deus por nós em Cristo. Como aliança, esse amor é perpétuo, total e incondicional. Deus nos ama parque é Amor. E amor é gratuidade. Esta gratuidade em Cristo é marcada pela compaixão que doa a vida. Paulo tem essa certeza e, por ela, se põe totalmente a serviço do Evangelho. E, se é vencedor em tudo, é graças Àquele que nos amou (Rm 8,37). A missão fundamental de Jesus foi manifestar o amor de Deus. Jesus não recua diante das dificuldades. Paulo fez o mesmo. A vida multiplicada Jesus, por sua Vida, Morte e Ressurreição, tornou-se a resposta amorosa de Deus. Ele repartiu conosco seu Corpo, sua Vida e nos ensinou a partilhar para que haja a multiplicação e a abundância gratuita da aliança eterna. Tocados pelo amor de aliança eterna, manifestado em Cristo, todos somos convocados a continuar a compaixão de Cristo. Jesus inaugura o Reino como uma vida nova. Esta se rege pelo amor compassivo de Deus. Este amor é a Vida de Deus em nós. Quanto mais partilharmos com os irmãos, mais o amor de Cristo será fecundo em nós. O episódio da multiplicação dos pães, mais que um milagre é um modo de fazer milagres que Jesus deixou. Se tivermos sua compaixão, faremos milagres. Jesus deu todas as condições de um mundo melhor. Basta usar.
1. O sentimento de compaixão resume a vida de Jesus e é o móvel de sua missão. Ele veio manifestar o amor misericordioso do Pai que amou o mundo e O entregou para que tenhamos vida eterna. É o que vemos em seus milagres e parábolas. Ele realiza a aliança eterna. A multiplicação é a expressão da abundante redenção. 2. Paulo, tocado pelo amor de Deus em Cristo, mantém a certeza que nada o afastará deste amor. Por esse amor se põe a serviço do evangelho. É vencedor graças àquele que o amou. Nem Jesus nem Paulo recuam diante das dificuldades. 3. Tocados pelo amor de aliança eterna manifestada em Cristo, somos convocados a continuar a compaixão Dele. Quanto mais partilharmos, mais o amor será fecundo em nós. A multiplicação, mais que um milagre, é um modo de fazer milagres. Somando para multiplicar Com a criação, Deus abriu os tesouros da vida a todos. O profeta Isaías diz que Deus oferece um banquete a todos, não só aos amigos. Ele mantém a promessa. Sinal desta fidelidade é ter enviado seu Filho para nos dar todos os bens. Este é o sentido da multiplicação dos pães. Se por um lado há um dom de Deus, por outro há o dom de partilhar. Com os 5 pães e dois peixes, o pouco que temos, com o tudo de Deus, todos comeram. E ainda sobrou muito. Deus nos ensina a partilhar o lanche de nossa vida. Se nos seguramos nosso embornal todos passam fome. Nas mãos de Jesus tudo se multiplica. Nas mãos de quem ama Jesus, também. Paulo nos ensina que nada nos separa do amor de Deus manifestado em Cristo. Se tivermos a mesma compaixão que Cristo teve para com os necessitados, faremos muitos milagres de multiplicação de dons, de vida, de salvação. Só teremos abundância no momento que viveremos partilha. padre Luiz Carlos de Oliveira |
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“Deus sacia seus filhos” Pão vindo do Céu O coração humano sempre foi um peregrino faminto e sedento de Deus. Busca saciar esta fome. O homem, no correr da história, criou deuses nos quais colocou sua esperança.No mundo moderno mudam-se os deuses, mas é a mesma busca. Na história da Salvação, Deus se revelou ao povo escolhido através da carinhosa atenção de dar-lhe o pão vindo do céu. Deste modo iniciou um longo caminho até à vinda do Filho. Jesus revelou o Pai: “Quem me viu, viu o Pai” (Jo 14,9).Crer em Jesus é encontrar o Pai. João reflete (cap. 6) sobre a fé em Jesus. Fé é o alimento que sacia: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou... Meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do Céu... Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim, nunca mais terá sede” (Jo 6,29-35). “Esforçai-vos não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e o que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo” (Jo 6,27-29). Moisés alimentou o povo com o pão do céu, o maná. E Jesus diz que é o Pai quem dá o verdadeiro pão do céu. “O pão de Deus é aquele que desce do céu e dá a vida ao mundo”! (Jo 6,32-33). Somente Jesus pode saciar a insatisfação do mundo, tanto a falta de alimento que é grave, como a angústia das pessoas nas crises existenciais. A religião apresenta o alimento para a vida: A fé em Jesus. Ele nos dará a comer sua carne e beber seu sangue pela fé e pela Eucaristia. O milagre da multiplicação dos pães é realizado durante a Páscoa dos judeus. Eucaristia é Páscoa que sacia a fome de Deus. O pão que eu vos darei A Eucaristia, ponto máximo da fé cristã, une o fiel ao Mistério Pascal de Cristo. É a presença real do Corpo e Sangue de Cristo. Não é só uma recordação da ceia. Jesus ensina que comer o pão e beber o vinho realiza a exigência de comer sua carne e beber o seu sangue. O pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo (v. 51). Os evangelistas narram o gesto de Jesus: “Tomou um pão, abençoou, partiu-o e distribuiu-lhes, dizendo: ‘Tomai, isto é meu corpo’. Depois tomou o cálice... disse-lhes: ‘Isto é o meu sangue, o sangue da aliança que é derramado em favor de muitos’” (Mc. 14,22-24). Não disse: significa ou simboliza ou representa, mas é seu Corpo e Sangue. Eucaristia dá a Vida não como o maná: “Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que, não morra quem dele comer” (v. 49-50). Quem come, alimenta-se do Corpo do Senhor. Este alimento nós o encontramos na Eucaristia. Há uma união íntima entre Fé e Eucaristia: “Quem crê tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia” (v.40); “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia (Jo 6,54). “Isso é o pão que Deus vos deu como alimento”, disse Moisés. (Ex.16,15). Jesus diz: “Eu sou o pão da vida” (Jo 6,35). Há uma união profunda de fé e Eucaristia que são para a Vida. Revestir o homem novo. São Paulo, escrevendo aos efésios, convida-os a não viver como os pagãos, isto é, na mentalidade do homem velho cheio de vícios e paixões enganadoras; Anima-os a se despojarem do homem velho e se revestirem do homem novo, criado à imagem de Deus em verdadeira justiça e santidade (Ef 4,22.24). Trata-se da busca de fundar a vida na fé em Jesus. Ele será o alimento. Cada Eucaristia renova a fé e nutre a vida eterna. O Pão da Eucaristia dá-nos o sabor de viver. A Eucaristia não pode ser um ato de devoção como outro qualquer. Ela é o momento em que saciamos a fome de Deus com a fé e o Pão.
O homem tem fome e sede de Deus. Buscou solução nos muitos deuses. Deus se revelou ao povo escolhido saciando sua fome através do pão vindo do céu, o maná. A revelação culmina em Cristo que nos revela o Pai. Quem crê em Jesus tem a vida eterna. Ele dá sua carne como comida e seu sangue como bebida. Ele é o Pão da Vida. O milagre da multiplicação dos pães, na Páscoa dos judeus, é símbolo da nova Páscoa que acontece em cada Eucaristia e sacia a fome de Deus. A Eucaristia une o fiel ao Mistério Pascal de Cristo. É a presença real do Corpo e sangue de Cristo.Jesus ensina que comer o pão e beber o vinho realiza a exigência de comer sua carne e beber seu sangue para a Vida eterna. Ele mesmo mostra que o Pão e o Vinho da Eucaristia são seu Corpo e Sangue. Há íntima união entre Fé e Eucaristia. Quem crê e quem come sua carne e bebe seu sangue, tem a vida eterna. Paulo convida os efésios a não viverem como os pagãos, na mentalidade do homem velho, cheio de vícios e paixões. Anima-os a se despojarem do homem velho e se revestirem do homem novo, criado à imagem Deus. Trata-se de fundar a vida na fé em Jesus. Cada Eucaristia renova a fé e nutre a vida eterna. Nota: a palavra maná vem do hebraico: Man-hû, que significa: o que é isso? Jesus é um pão Jesus era muito do esperto. Tudo o que Deus pensou para nós, Ele pôs no pão. Resumiu no pão o passado, o presente e o futuro. Quem pensaria assim?! Moisés fez chover pão do céu. O maná! Quando a fome apertou, no deserto... não transformou as pedras em pão. Parece que usou as estrelas. Que festa! Matou a fome do povo. Mais ainda. O maná, diz a Bíblia tinha o gosto que a pessoa escolhia e transformava naquilo que cada um desejava (Sb. 16,21-22). Tão bom assim, só seria superado por Jesus: “Moisés vos deu o pão do Céu; Eu vos dou o verdadeiro pão”. O pão é Ele mesmo. É um alimento a ser comido pela fé: “Eu sou o Pão da Vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Esse pão dá vida ao mundo. O que vai acontecer com a gente, por crer em Jesus? Paulo responde: Renova nossa mentalidade e nos reveste do homem novo (Ef. 4,23-24). padre Luiz Carlos de Oliveira |
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A multiplicação dos pães e peixes foi um fato de notável transcendência que é narrado pelos quatro evangelistas e talvez em duplicata por Mateus (32 +) e por Marcos (Mc. 1+). Dele se serve como é seu costume João (capítulo VI) para o tratar como semeion [sinal ou milagre] com uma finalidade: Jesus, o novo maná da nova Aliança, será o pão da vida de todo aquele que se diga ser seu discípulo. Marcos no capítulo 6 e Lucas no 9 relatam o mesmo sucesso com pequeníssimas variantes, que logo destacaremos no comentário. LUGAR: o único que claramente designa o lugar é Lucas, afirmando que o lugar era Betsaida (10). Mas esquece que era o nome de uma cidade, próxima talvez, mas que nunca poderia ser chamado de lugar desabitado. Lucas está certo em apontar o lugar como do outro lado do Jordão, oposto à Cafarnaum que era a moradia usual de Jesus. João é talvez o único que conhecia o território como nascido e criado nele. Segundo ele, era um lugar do outro lado do mar de Galiléia que propriamente era chamado de Tiberíades na época (Jo 1). Esta mudança de nome concorda plenamente com a história profana desse período. João dirá que grande multidão acompanhava Jesus porque viam os sinais que fazia sobre os enfermos. E era no alto de uma montanha que se sentou com seus discípulos. Tem também um detalhe temporal: estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus (Jo 3-4). Mateus dirá que, ouvindo dizer da morte do Batista por Antipas, se retirou a um lugar inóspito [erëmos significa sem habitantes e não deserto] privadamente, usando como meio o barco (13). Marcos dirá que foi iniciativa de Jesus, feita após a volta da missão dos doze de sua pregação na Galiléia. Pois eram tantos os que os visitavam que nem tempo tinham para comer (31). Vemos aqui o testemunho indireto de um discípulo que sabia por própria experiência, o motivo e a realidade dos acontecimentos. Pedro, narrando o fato, como a tradição afirma, que foi o autor invisível do segundo evangelho? Uma palavra sobre a segunda multiplicação, narrada unicamente por Mateus e Marcos. Das circunstâncias, do número de pães, dos cestos sobrantes, e do número total de alimentados, parece que não podemos afirmar que sejam duplicatas; mas duas narrações similares, porque houve duas multiplicações reais. Mas vamos ficar com os cinco pães e dois peixes das quatro narrações comuns aos quatro evangelistas. COMPADECIDO: o verbo usado em grego significa estar com as entranhas comovidas, que, por serem as entranhas a fonte do amor e da compaixão segundo o sentir da época, significa que se moveu a compaixão, segundo Mateus, pelas doenças e por isso curou seus enfermos. Do grego, diríamos que curou os enfraquecidos por falta de saúde ou vigor. Marcos dirá que o motivo da compaixão era que a multidão se encontrava como ovelhas sem pastor (34). Por essa razão, Jesus lhes falava sobre o reino e curava suas doenças (Lc. 11). Logicamente sem a cura dos doentes o êxito do ministério da palavra seria difícil de explicar. Claramente o diz João quando afirma que grande multidão o seguia ao ver os sinais [milagres] que fazia sobre os enfermos (2). Isso nos leva a introduzir obviamente o poder divino dentro da pregação como também afirma são Paulo em 1Cor. 2,4. Os milagres – chamemo-los poder de Deus - são a resposta, tanto da popularidade de Jesus como da difusão do seu evangelho, destacando entre todos o de sua Ressurreição. Por outra parte, a compaixão para com os necessitados é uma característica do evangelho. Possivelmente não poderemos realizar muitos milagres mas a compaixão para com os necessitados deve ser parte de nossa pregação e elemento essencial de nossa vitalidade cristã. À TARDINHA: chegada à tarde dirá Mateus (15). O Opsias grego pode indicar dois períodos diferentes ou horas, segundo cômputos da época: das 3 às 6 da tarde ou das 6 até o pôr-do-sol. Marcos dirá que já passada muita hora (sic) (35). Em Lucas lemos: porém o dia começou a declinar (12). João não dá informação alguma sobre a hora. Preferimos a expressão à tardinha que indica o fim da tarde lá entre 5 e 6 horas da tarde. Mas todo o contexto sugere que estamos entre uma e duas horas da tarde, hora em que os judeus almoçavam. Os judeus somente tinham duas horas para comer: ao meio dia [almoço], geralmente feita no lugar de trabalho, e outra ao anoitecer [janta] em casa. Somente aos sábados existia o costume de se ter uma terceira refeição. O alimento básico do pobre era pão de cevada e sal. Somente nos dias festivos se comia o peixe, especialmente os pequenos peixes do tamanho de uma sardinha, abundantes no mar da Galiléia que se salgavam como conserva. O banquete de Jesus foi pois, um banquete de pobres. A PERGUNTA: segundo Mateus a pergunta procede dos discípulos (15). O mesmo afirma Marcos (35) e Lucas (12). Segundo João é o próprio Jesus que pergunta a Filipe, o pescador de Betsaida (Jo 1,44), e portanto por ser do lugar era quem poderia conhecer melhor a solução do problema de obter alimentos. Também Pedro e André eram originários de Betsaida, porém eles não moravam lá, mas em Cafarnaum, onde também morava a sogra de Pedro (Mc. 1,29). O importante é porém o pedido: O lugar é inóspito e a hora já está vencida. Despede a multidão para que vá às vilas comprar alimentos (Mt. 15). Marcos (35-36) diz praticamente o mesmo. Usa um novo lugar de procura que traduziríamos por campos contíguos, além das vilas de Mateus. Lucas dá algum detalhe a mais: para descansar e comprar mantimentos (12). Já em João, é Jesus quem pergunta a Filipe: Onde compraremos pães para que comam? Isto disse para tentá-lo pois ele sabia o que devia fazer (5-6). A RESPOSTA: não há necessidade de os despedir. Dai-lhes vós de comer (Mt. 16). Marcos e Lucas coincidem até nas palavras (6, 37 e 9, 13). Em João é o apóstolo Filipe quem comenta desalentado: Duzentos denários de pão não seriam suficientes para dar a cada um um pequeno bocado (6,7). O denário era uma moeda romana e equivalia a uma dracma de prata ou seja 3,41 gera o salário de um dia (Mt 20,2). Dado o número de assistentes, calculado em 5 mil ou perto (João) pelos quatro evangelistas, teríamos aproximadamente mil quilogramas de pão a 200 g por pessoa. Isso sem contar mulheres e crianças que talvez não fossem muitas. Com os 200 denários poderiam se comprar 2.400 pães o que dava ½ pão por pessoa ou meia pizza de tamanho médio. CINCO PÃES E DOIS PEIXES: isso era tudo que os apóstolos tinham como comida para o final do dia. É interessante que João põe na boca de André o irmão de Simão Pedro, de que havia ali um menino que era o dono desses cinco pães e dos dois peixes (8-9). Como eram os pães e os peixes? Tal e como atualmente o pão era de cevada e sem fermento, por vezes misturado com feijões, lentilhas, etc. uma espécie de hóstia grande, como do tamanho de um prato de sopa ou até de 50 cm. de diâmetro e delgada de 1 cm. de grossura. No centro havia um buraco, pois o pão não era cortado mas rasgado em pedaços e repartido pelo pai-de-família no início da refeição após a bênção correspondente (Lc. 24,30). O pão servia de colher e no fim da comida para limpar as mãos como se fosse um pedaço de papel higiênico ou guardanapo,que logo se atirava aos cachorros (Mt. 15,27). A carne e o peixe eram comidos envoltos no pão como num sanduíche. E o peixe que os três sinóticos nomeiam com a palavra grega de Ichthyes, João, muito mais tecnicamente, diz que eram Opsaria. A diferença é que o primeiro era o peixe vivo ou morto, mas sem cozinhar, e o segundo era a porção de peixe cozinhado ou assado e também, o que era mais comum, salgado como um bacalhau; ou seja um peixe preparado para se comer de imediato. Eles estavam no cesto de um menino [paidarion] palavra grega que significa uma criança nos primeiros anos de escola, ou seja até 8 anos em que se iniciava a instrução religiosa na sinagoga. Porém era infrequente que um menino menor de 12 anos acompanhasse os pais nas viagens e peregrinações a Jerusalém (Lc. 2,42) O número de pães [5] era o mesmo que o número dos livros da Torah, igualando o alimento espiritual que os todos meninos recebiam; e com os dois peixes completavam o número perfeito, o 7. E os apóstolos não tinham nada de comida? Porque eles sempre levavam a comida, melhor os pães. Porém, numa ocasião eles esqueceram ao passar de barco para a outra margem como narra Mateus (16,5-7). OS CESTOS: a pergunta é: de onde saem esses doze cestos? O grego fala de Kófinos cesto feito de vimes ou varas de salgueiro. Os quatro evangelistas claramente falam de 12 cestos, talvez um por cada apóstolo. Mas Mateus na segunda multiplicação (15,32 +) fala de 7 Spyridas, o latim sportas que podemos traduzir por esporta , alcôfa ou seira, feita de esparto ou junco. Os galiléus, nas suas viagens a Jerusalém deviam levar seus mantimentos para uma semana; daí o uso dos cestos e dos alforjes (Mt. 10,10). O alforje é uma tela comprida que termina nos dois extremos em bolsas quadradas de modo que o peso se reparte por igual ao pendurar o alforje nos ombros, facilitando o transporte de comida ou mercadorias ao se locomover de um lugar a outro. Já os cestos eram atados às costas do viajante. Os judeus eram os homens do cesto, dos quais o poeta Marcial se burla, porque sempre viajavam com um cesto nas costas. Em parte também era para se lembrar dos cestos que seus antepassados carregavam quando tinham que transportar barro e palha para fabricar os adobes nos tempos da escravidão do Egito. SENTADOS NA GRAMA: era costume entre os judeus ficar de pé, ouvindo as explicações do mestre de turno, e comer sentados. Parece que Jesus seguiu este costume ao mandar que se assentassem na grama que era abundante, segundo João (10) por ser período perto da Páscoa (4). E sentaram-se em grupos de cem e de cinquenta. Era essa a maneira como, após horas de viagem, as caravanas tomavam sua refeição perto de um manancial ou fonte de água. Por que não contam as mulheres e as crianças? Seu número era insignificante porque não era costume acompanhar os homens ou comer com eles nas viagens de caravana mas à parte e mesmo as famílias só podiam se reunir à noite. A BÊNÇÃO: provavelmente era a costumeira feita entre os judeus: Bendito sejas Javé, rei do Universo, que fazes que a terra produza pão. O dono da casa abaixava os olhos; mas vemos que neste caso Jesus eleva os olhos para o céu. O que acontece também quando da ressurreição de Lázaro (Jo 11,41). E à semelhança do que se fazia na hora da refeição em comum, ele partiu os pães e os repartiu aos discípulos, para que estes os dividissem entre os convivas, que, a seu mandato, estavam recostados na relva, formando grupos e não de pé pois eram homens livres e podiam comer recostados. AS SOBRAS: apesar de serem cerca de 5 mil homens [sem contar mulheres e crianças (Mt. 21)]. Todos coincidem no número de homens que foram alimentados até se fartar e no número de cestos sobrantes:12. Estes foram recolhidos por mandato de Jesus para que nada se perdesse (Jo 6, 12). CONCLUSÃO. Existem os que negam o milagre, o chamado banquete dos pobres, e o explicam através da solidariedade, impulsionada pela doação do menino (Jo 9) e apoiados em que nenhum dos 3 evangelistas sinóticos narra o fato como sendo admitido pela multidão como extraordinário. É possível que unicamente os discípulos soubessem da multiplicação e a multidão pensasse que os mantimentos eram obtidos de forma natural. Porém existe o fato de que João o qualifica com seu regular apelativo de sinal, como milagre. E é João precisamente, que nos diz por que Jesus mandou seus discípulos entrar no barco (todos 4) e se refugiou sozinho no alto de um monte (todos os evangelistas narram este fato): Porque vendo o sinal que ele fizera, aqueles homens exclamavam: Esse é verdadeiramente o profeta que deve vir ao mundo. Jesus porém, vendo que viriam para fazê-lo rei, refugiou-se de novo, sozinho, na montanha (Jo 6,14-15). Quando foram escritos os evangelhos sinóticos, estava ainda recente a morte de Cristo, como castigo na cruz por se ter declarado Rei dos judeus. Apresentar um fato como este da multiplicação, tão notável e diretamente relacionado com seu poder messiânico, era perigoso para os primitivos cristãos. Mas quando foi escrito o 4º evangelho o perigo não existia e as verdadeiras consequências como a vontade da turma de afirmar a realeza de Jesus, podiam ser ressaltadas sem dificuldade alguma. E João aproveitará ao máximo o relato, para comparar Jesus com Moisés e os Pães com o maná e sua promessa do verdadeiro pão do céu. PISTAS 1) O DESCANSO: a saída de Jesus de Cafarnaum para o outro lado do lago, era devido a que não podiam comer por causa da multidão que os constrangia em todas as horas (Mc. 31). O descanso é necessário, não unicamente como horas de sono, mas também como tempo de repouso e relaxação. 2) Assim as multidões buscam Jesus por causa das doenças que as afetam. Para elas Jesus era o médico e o remédio de suas enfermidades (Mt. 14). Jesus se compadece delas. É lícito buscar em Jesus e seus discípulos [também eles receberam o poder de curar (Mt. 10,8)] o remédio para os males físicos do corpo. 3) Diante do problema das doenças e da fome das multidões foi de maternal compreensão (Mt. 14). Isso quer dizer que devemos escutar o clamor dos indigentes pelo pão e o pedido dos enfermos pela saúde, especialmente os que podem remediar ambas necessidades como dirigentes sociais e trabalhadores da saúde. 4) DAI-LHES DE COMER (Mt. 15): a situação era de fome. Hoje no mundo essa situação é habitual em muitos países. A Igreja tem ouvido este mandato de Jesus que tem quase a mesma importância que o anúncio ou kerigma evangélico. Reparti entre eles o pão que eles necessitam para viver e que sobra em vossas mesas. 5) Como podemos dar comida se temos pouca para nós? Precisamente esta é a grande questão do mundo rico. Deixar que os estrangeiros trabalhem é diminuir as chances dos nativos que se encontram desocupados. Porém, isto é uma falácia porque os trabalhos que os estrangeiros ocupam são precisamente os que os nativos não querem por serem duros ou mal pagos. EXEMPLO: Um conto chinês descrevia assim duas situações opostas como são céu e inferno. Um visitante foi levado primeiro ao inferno. Diante de um caldeirão cheio de bom arroz havia muitas pessoas com fome sem poder tomar sua refeição porque os palitos eram demasiado longos para levar a comida a sua própria boca. Quando visitou o céu a pessoa viu o mesmo tipo de caldeirão e os mesmos palitos compridos nas mãos dos comensais. Porém todos estavam satisfeitos e bem comidos. A diferença com o inferno era que no céu, não podendo levar a comida à própria boca, a davam à pessoa que estava na frente e assim cada qual comia com os palitos do vizinho. padre Ignácio |
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Todos andamos perturbados com a carência de alimento e com a insuficiência de água existentes no mundo. Na realidade, é um problema que afeta grande parte da humanidade. Ora, a liturgia da Palavra deste domingo leva-nos a refletir com que iguarias procuramos nós satisfazer a nossa fome ou em que fonte matamos a nossa sede. Procura ainda levar-nos a pensar se nos sentimos satisfeitos ou desiludidos com o que descobrimos, ou se, pelo contrário, os nossos desejos mais profundos não se estão a realizar plenamente. O que falta a cada um de nós, para nos saciarmos? Procuremos pensar naquilo que possuímos e nas graças que devemos dar a Deus por tudo isso, mas lembremo-nos também de pedir perdão pelas incoerências quotidianas que realizamos na nossa vida. Primeira leitura: Isaías 55, 1-3 A leitura, tirado do final do 2º Isaías, o chamado «livro da consolação» (Is. 40–55) contém um apelo aos exilados que se mostram renitentes em regressar à pátria, apelo que tem grande atualidade para a alma indecisa e apegada a tantas solicitações que a afastam do amor de Deus: somente a quem tem «sede» de Deus e não está desapegado do «dinheiro», isto é, dos bens efêmeros, (v. 1) é que pode participar no «banquete messiânico», saboreando os bens da «aliança eterna», da graça da salvação (v. 3), simbolizados no «vinho e leite» (v. 1) e no «comer do melhor e saborear pratos deliciosos» (v. 2). Segunda leitura: Romanos 8,35.37-39 Neste domingo acaba de se ler a última parte do texto do capítulo 8º de Romanos, um capítulo que constitui a parte central de todo o ensino doutrinal da epístola – um dos mais altos cumes do pensamento paulino –, desenvolvendo o tema do amor salvador de Deus antes proposto (em 5,1-11). Neste capítulo é posto em relevo todo o alcance da nova realidade misteriosa que é o «estar em Cristo Jesus», fórmula com que se abre a secção (8,1) e se encerra (8,39). São Paulo, depois de expor a realidade da nossa libertação em Cristo e da vida no Espírito (vv. 1-11), mostra como o dom do Espírito, que nos faz filhos adotivos de Deus, é garantia de salvação universal (vv. 12-30); nos vv. 31-39, o Apóstolo irrompe num impressionante hino, um apaixonado e vibrante canto de vitória, em que volta ao tema, desenvolvendo-o em duas estrofes paralelas (vv. 31-34) e (vv. 35-39, a leitura de hoje), com uma argumentação cerrada e entusiástica: «se Deus é por nós, quem será contra nós?» (v. 31), «criatura alguma poderá separar-nos do amor-de-Deus-que-está-em-Cristo-Jesus-Senhor-Nosso». É esta realidade única e sublime – daí que a tenhamos ligado e transcrito com maiúsculas – que dá firmeza inabalável à esperança cristã, uma realidade posta em evidência com a pergunta retórica do início da 2ª estrofe deste hino (v. 35): «quem poderá separar-nos do amor de Cristo?». Não deixa de ser interessante a especificação enfática de que nem nada nem ninguém o poderá conseguir, a saber, nenhuma força terrena – «a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, ou a espada», isto é, a morte violenta (v. 35) –, nem nenhuma força cósmica, por mais poderosa que seja (segundo as crenças populares da época, as mais fortes e hostis, mas Paulo não pretende especificar-lhes a natureza nem documentar a sua existência objetiva), como os «anjos, os principados, as potestades» (é mais provável tratar-se aqui de forças demoníacas ocultas: cfr. Ef. 6,12), «a altura e a profundidade» (possível alusão a estrelas funestas, tanto mais maléficas, quanto mais no zénite ou na tangente da terra, ou então, segundo outros, umas potências malignas a pairar no ar, ou atuando nas profundezas da terra). Evangelho: Mateus 14,13-21 Nesta passagem, Mateus deixa-nos ver os sentimentos mais profundos do coração de Cristo, a sua grande dor pela morte cruel e injusta de João Baptista, e a sua misericórdia para com todos os que padecem necessidade: «cheio de compaixão» pelas multidões sofredoras e famintas (vv. 13-14). 13 «Jesus retirou-se…». Nada faz supor que se trata de uma retirada estratégica ditada pelo medo, mas podemos pensar em como o Evangelista quer sublinhar a desolação e a tristeza que Jesus sente pelo assassinato de João, que Herodes Antipas tinha acabado de mandar matar (vv. 3-12). É interessante notar que o relato da multiplicação dos pães revela, em Mateus ainda mais do que em Marcos e Lucas, afinidades notáveis com os gestos de Jesus no relato da instituição da Eucaristia: «tomou», «recitou a bênção», «partiu», «deu» (cf. Mt. 26,26). Tratava-se de gestos bem gravados na tradição apostólica e na vida das primitivas comunidades, que desde a primeira hora celebravam a Eucaristia (cf. 1Cor. 11,23 ss.; At. 2,46; 20,7). Parece que a própria celebração da Eucaristia veio a fornecer o cliché literário para os seis relatos da multiplicação dos pães, que temos nos quatro Evangelhos, pois aparecem como uma figura da Eucaristia. Já a releitura do Evangelista insinua a dimensão eucarística do relato da multiplicação dos pães, que a tradição cristã interpretou como uma figura da Sagrada Eucaristia, o autêntico banquete messiânico servido pelo próprio Deus ao seu povo, segundos os anúncios dos profetas (cf. 1ª leitura). Sugestões para a homilia A fome e a sede O profeta Isaías, na primeira leitura deste domingo, prometia aos israelitas que abandonassem o exílio da Babilônia, onde se encontravam, a obtenção sem custo, do alimento indispensável para as suas vidas, em vez de consumirem o que possuíam naquilo que não satisfazia. Porém, os regressados da terra de cativeiro nada disso descobriram. Pelo contrário, foram mal recebidos e suportaram imensas dificuldades na sua própria terra. O mesmo acontece, ainda hoje. Certamente, o homem precisa de pão, precisa do alimento do corpo, mas no íntimo de si mesmo precisa sobretudo da Palavra, do Amor, do próprio Deus. Quem lhe der isto dá-lhe «vida em abundância». E deste modo liberta também as forças pelas quais ele pode sensatamente modelar a terra, pode encontrar para si e para os outros os bens, que podemos possuir apenas mutuamente, pois estudos efetuados demonstram que o problema da fome mundial está relacionado com a distribuição de alimentos e concentração de lucros e não com a escassez de produtos. Infelizmente nem sempre o homem procura a resposta às suas inquietações onde realmente a pode encontrar. Muitas vezes ele gasta dinheiro naquilo que não é pão e naquilo que não satisfaz. Mas, se a Palavra de Deus é atual, qual é a terra de cativeiro (ás vezes doce e deliciosa) que hoje somos solicitados a repudiar? Do que sentimos fome? Com que guloseimas enchemos a nossa miséria e abafamos a nossa sede? O que falta para que neste mundo em que vivemos se possa realizar a profecia anunciada, uma vez que o Messias já veio há mais de 2000 anos? Quando e como se realizará, então, a profecia? A realização de uma profecia A resposta a esta pergunta podem encontrá-la no Evangelho que ouvimos proclamar. Jesus, o novo Moisés que todos esperavam, realiza a profecia. É-nos mostrado com uma imensa multidão que o seguia em direção ao deserto. A vida no deserto servira para ensinar Israel pois, desprovido de qualquer segurança humana, aprendera a acreditar somente em Deus. Foi por esta razão que Jesus os conduziu ao deserto. A multidão sentiu fome e os discípulos de Jesus aconselharam-n’O a afastar a multidão para que pudesse arranjar alimento. Como procedeu Jesus? Sentiu compaixão perante as necessidades dos irmãos. Sentir compaixão é a primeira circunstância para nos sentirmos motivados para a ação. Depois, o Evangelho narra o que Ele começou a fazer: curou os doentes e, à tarde, satisfez a fome à multidão. Não se limitou a enunciar linguagem espiritual ou a fomentar orações; esforçou-Se de maneira concreta para resolver todos os reais problemas do homem. Não lançou sobre os outros a resolução do problema da fome: as pessoas que tinham fome não seriam expulsas, «os próprios discípulos deviam dar-lhes de comer». Então, se queremos seguir Jesus, o que fazemos em concreto, individual ou coletivamente, para enfrentar os problemas que angustiam tantas pessoas? Jesus não resolveu sozinho o problema da fome das multidões. Ele serviu-se daquilo que as pessoas colocaram à sua disposição: cinco pães e dois peixes, isto é, sete fatores materiais. Em linguagem bíblica este número simbólico representa a universalidade. Daí que a mensagem de Jesus se torne clara: a comunidade deve criar em comum tudo o que possui para se poder realizar o «milagre» de proporcionar alimento para todos. Ora, a fome não é o resultado de uma produção agrícola insuficiente, mas sim um grave problema socioeconômico. Não reside na falta de tecnologia apropriada, mas na distribuição de rendimento e de alimento entre a população mundial. Só quando todos os homens, onde nos incluímos, se dispuserem a pôr em comum tudo o que têm – aptidões, proveitos, tempo – é que se poderão resolver as gigantescas dificuldades dos irmãos, mais próximos ou mais afastados de nós. Depois de a multidão ficar satisfeita (cinco mil homens, segundo o texto, o que indica a totalidade do povo israelita), sobejaram ainda doze cestos, número que anuncia o novo povo de Deus, caracterizado pelos doze apóstolos, isto é, a Igreja. A este povo jamais faltará o pão que é Cristo e haverá sempre um resto para reiniciar a partilha. Alimentados pelo pão eucarístico, como centro da existência cristã, Deus dá-nos o maná que a humanidade aguarda, o verdadeiro «pão do céu», aquilo de que podemos no mais íntimo de nós mesmos viver como homens. Ao mesmo tempo a Eucaristia apresenta-nos o permanente encontro do homem com Deus, no qual o Senhor se dá a Si próprio, fortificando o espírito, a fim de que tenhamos força para lutarmos pelo alimento perecível, mas necessário para a subsistência corporal, nossa e dos nossos irmãos. Quando alimentamos o irmão, quando resolvemos as suas carências materiais, tornamos presente Jesus que se desdobra para zelar pelo homem em todas as circunstâncias da vida. As circunstâncias da vida Na nossa vida, os eventos amargos, mas também o êxito e a fortuna, podem originar a tentação de dispensar Deus, porque já temos tudo o que ambicionamos. Porém, são sobretudo as adversidades que nos levam ao desalento e que procuram separar-nos do amor de Deus e de Cristo, conduzindo-nos a outra espécie de fome, a que alude S. Paulo na segunda leitura: «a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada». Quem pode dizer que nunca se sentiu desalentado diante das próprias debilidades, ou diante de pressões que se criam na sociedade eclesial ou civil? A todos acontece encarar circunstâncias difíceis na vida. Perante as contrariedades da situação social, econômica e política em que muitos vivem é sempre iminente a tentação de preferir uma vida oposta aos princípios do Evangelho. Mas «nada nos pode separar do amor de Deus e de Cristo», diz-nos ainda S. Paulo. Como estamos a viver a nossa existência cristã? Somos coerentes com a nossa fé? Não sentiremos outras fomes e outras sedes opostas à nossa condição de batizados em Cristo? O que fazemos concretamente e que proveito auferimos da comunhão do verdadeiro «pão do céu» que nos é proporcionado? É bom que pensemos seriamente nisto… António E. Portela - Geraldo Morujão |
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“Daí-lhes vós mesmo de comer.” Jesus se retira do povo para estar junto ao grupo dos discípulos. Sua intenção é estar a sós, mas, em seguida, a multidão o segue por todas as partes. Essa atitude da multidão produz em Jesus uma profunda comoção interior, que revela a misericórdia do coração de Deus. A freqüência com que aparece a multiplicação dos pães nos evangelhos (duas em Marcos e Mateus, uma em Lucas e outra em João) é um reflexo da importância desse acontecimento da vida de Jesus para os primeiros cristãos. Aquela primeira experiência vivida pelo grupo dos que acompanhavam foi relembrada no seio das comunidades cristãs, as quais foram descobrindo nesse acontecimento uma profunda mensagem sobre Jesus, a Igreja e a Eucaristia. Em primeiro lugar, o relato relembra a multiplicação dos pães realizada por Eliseu e o episódio em que Deus alimenta o seu povo com o maná no deserto. As duas referências mostram que Jesus superou os personagens e acontecimentos do Antigo Testamento, e que nele se cumprem plenamente as promessas de Deus. A referência à Igreja aparece com clareza no papel que os discípulos desempenharam como intermediários entre Jesus e a multidão. Essa ação prefigura a missão dos cristãos como mediadores entre Jesus e os homens, e a dos apóstolos com relação à comunidades. O relato tem também um tom litúrgico que relembra em seus numerosos detalhes a instituição da Eucaristia: “ao anoitecer”, “pronunciou a benção”, “partiu o pão e o deu aos seus discípulos”. |
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Dai-lhes vós mesmos de comer! Os comensais ficarão felizes! Para concretizar sua benevolência para com as pessoas, Deus as convida para um festim delicioso. Haverá vinho, leite e carnes saborosas esperando os convivas. (Is.55,2) Tomado de compaixão para com o povo, Jesus não quer mandar embora as pessoas com fome. Ele não pretende retê-las, mas, depois que curou gratuitamente corpos e corações feridos, sem nada esperar de volta, ele cuida de seus filhos enfraquecidos. (Mt. 14,14). Nestes ágapes, não vejamos somente imagens da relação de nossa alma com Deus. Não somos puros espíritos! Entendamos bem, que a comida abundante é sinal do amor transbordante de Deus, sempre pronto para restaurar a sua Aliança com os homens. Quanto às palavras que descrevem o sinal dos pães, elas nos remetem para a celebração da eucaristia. Além disto, o cuidado de Jesus com as pessoas, que estavam com fome, atesta também sua atenção para com o homem. Ele alivia seu corpo sofredor, cura sua afetividade ferida e reaviva sua fé cambaleante. Neste empreendimento, Jesus conta com nosso apoio: "Dai-lhes vós mesmos de comer!". A amplidão da missão pode nos massacrar. "Ninguém é obrigado ao impossível," diríamos nós ao Cristo. E se para dar de nossos pães e de nossos peixes fosse necessário um pouquinho de loucura...muito pouco de nós? Com Jesus, coloquemo-nos ao serviço dos mais pobres, emprestemos-lhes nosso ouvido para ouvir suas tristezas e seus rancores. Demos-lhes nossa voz para sustentá-los e fortificar. Em fim, sejamos a oração daqueles que não sabem mais a quem recorrer nas angústias. Não duvidemos, Deus multiplica os frutos de nossa boa vontade muito além daquilo que podemos imaginar. Tradução "Prions en Église” |
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Não faltou pão para ninguém Jesus é o grande sinal de esperança que brilha no Evangelho. Todos acorrem a Ele, para ouvir sua palavra, para pedir cura para seus doentes, e para dele receber conforto e coragem. E, mesmo inconscientemente, lá no fundo de seu coração, o que estão procurando é o encontro com Deus. Se Deus nos fez para Ele - é Santo Agostinho que o recorda - nosso coração vive inquieto, enquanto não se encontrar com Ele. O Evangelho, em todas as maravilhas de suas narrações, é o grande encontro do povo com Jesus, preludiando o encontro com o mundo inteiro, que vai acontecendo e continuará a acontecer ao longo dos séculos: Jesus Cristo ontem, hoje e sempre. Hoje relemos, num dos belos momentos em que Jesus se mostrou como sinal de esperança, o milagre da multiplicação dos pães. É um dos dois milagres de multiplicação que os evangelistas nos narram, sendo que um deles é trazido só por São Mateus e São Marcos, ao passo que este é narrado pelos três sinópticos e ainda por São João. E é justamente depois desse milagre, que São João nos traz o duplo discurso de Jesus sobre o "Pão da vida": o Pão da fé e o Pão da Eucaristia. A multidão viera ao encontro de Jesus, em busca de sua palavra e de seus milagres. De Cafarnaum onde se encontrava, Ele quis retirar-se para um lugar deserto - perto de Betsaida, como nos informa São Lucas - e para isso tomou uma barca. Mas o povo foi por terra e, quando Ele desembarcou, viu-se diante de muita gente. Teve pena deles, curou os doentes que lhe foram apresentados, e pregou para todo o Reino de Deus, no que se prolongou até o cair da tarde. Foi quando os discípulos se aproximaram dele e lhe fizeram ver que era tarde e o lugar era deserto. Que ele então despedisse o povo, para que pudessem ir às aldeias vizinhas para comprar alimentos. Mas o pensamento de Jesus era muito diferente. Não se devia falar em comprar. Ia acontecer uma grande hora de gratuidade. "Não precisam ir comprar- disse Ele; dai-Ihes vós mesmos de comer". Como dar de comer - perguntavam eles - se, procurando tudo o de que dispunham, não podiam contar senão com cinco pães e dois peixes? Mas Jesus, sem se perturbar, com majestosa serenidade, disse a eles que fizessem o povo sentar-se na relva verde. Era perto da Páscoa e era primavera. Eles se sentaram em grupos de cinqüenta e de cem: a cena ficou muito bonita. São Marcos usa uma palavra que significa "canteiros" para Indicar os grupos assim formados. Porque, na verdade, sentados no verde do campo e com as diferentes cores de suas túnicas e de seus turbantes, formavam como que canteiros floridos. Jesus tomou o pão e os peixes, ergueu os olhos ao céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e os peixes, deu-os aos discípulos e eles os deram ao povo (É fácil perceber nesta narração a influência do rito eucarístico). E aconteceu o milagre! Como água que vai jorrando de uma fonte ininterruptamente, os pães e os peixes foram brotando das mãos dos discípulos, à medida que eles os iam dando ao povo. Todos comeram à farta. No fim, Jesus mandou que se recolhessem os pedaços que tinham sobrado; e se recolheram doze cestos, sendo que o número dos que haviam comido era cerca de cinco mil homens, sem contar as mulheres e as crianças (cfr. Mt. 14,13-21 ). Talvez a grande lição deste milagre possa ser a de que nós também seremos capazes de repetir o prodígio da multiplicação, se soubermos pôr em prática a gratuidade. Se, em vez de nos apegarmos àquele pouco ou àquele muito que tivermos, formos capazes de distribuir com quem precisa. Se fizermos assim, não faltará comida para ninguém. Será o mundo da fraternidade. Onde ninguém se sentirá feliz, se seu irmão não estiver feliz também. Longe o egoísmo! Longe a ganância! Cresça o amor e a fraternidade! Esse é o princípio que deveria estar na base de todos os sistemas econômicos. padre Lucas de Paula Almeida, CM |
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Partilhar com os muitos “Lázaros” que povoam o planeta O projeto de Deus é claro: que todos tenham vida em abundância! (Jo 10,10)). Nas leituras de hoje tudo fala de abundância, de gratuidade. Tal é a salvação que o nosso Deus nos oferece generosamente. A todos! O profeta (I leitura) convida todos a beber água, vinho e leite em abundância, «sem dinheiro, sem pagar» (v. 1); promete coisas boas e vinhos suculentos. O Salmo responsorial insiste sobre a ternura e bondade do Senhor, que é paciente e misericordioso para com todos, sacia a fome de todo o ser vivo e está próximo de quantos o procuram de coração sincero. O apóstolo Paulo (II leitura) afirma com entusiasmo que criatura alguma «poderá separar-nos» do amor de Cristo, pois «somos mais que vencedores graças Àquele que nos amor» (v. 37). Um sinal tangível de tal abundância é a multiplicação dos pães (Evangelho), graças à qual muitas pessoas comem até à saciedade pão e peixe, que ainda sobram. A situação inicial de dificuldade (lugar deserto, falta de alimento, quantidade de gente…) é superada pela compaixão de Jesus para com a multidão (v. 14). Ele renuncia inclusive ao tempo de luto pela morte do amigo-parente João Baptista (v. 13), põe em acto o Seu poder miraculoso e a partilha, para que o alimento chegue a todos, com superabundância. Para resolver o problema da gente faminta, os discípulos pensam em duas soluções: mandá-los embora ou comprar… Jesus opõe-se a estas propostas. «Jesus não manda embora as multidões, nunca mandou embora ninguém. Os discípulos falam em comprar, Jesus fala em dar. Abre um novo modo de ser: dar sem calcular, dar sem pedir, generosamente, gratuitamente, sendo primeiros. Quando o meu pão se torna o nosso pão, o dom é semente de milagre» (Ermes Ronchi). Jesus envolve os discípulos e implica-os na solução do problema: «Dai-lhes vós de comer» (v. 16). O milagre começa a partir do pouco que os discípulos oferecem: cinco pães e dois peixes, que nas mãos de Jesus se tornam muitos; melhor, superabundam. O comprar é substituído pelo compartilhar. O sistema do comprar cria afortunados e desafortunados: há quem pode e quem não pode. Segundo o Evangelho a palavra de ordem é: partilhar! Jesus quer que os discípulos tomem consciência e discirnam com criatividade e audácia as possíveis soluções. Sem delongas! Só na lógica da partilha é que é possível superar grandes problemas como a fome no mundo, as doenças endêmicas… Sem a partilha prevalece a lógica da acumulação, pelo que até as mais ingentes multiplicações dos bens acabariam sempre nas mãos de poucas pessoas. Sem a partilha, vigora o império do egoísmo. São freqüentes os apelos dos Papas à solidariedade e à partilha, em documentos, em cimeiras da FAO, do G8 e noutras circunstâncias, erguendo a voz contra o escândalo da fome e a favor dos pobres da terra, especialmente da África, continente muitas vezes negligenciado e particularmente necessitado. (*) Sobre as areias de Vila El Salvador, na periferia a sul de Lima (Peru), na manhã de 5 de Fevereiro de 1985, o Beato João Paulo II encontrou-se com um milhão de pobres. Durante a liturgia da Palavra, foi proclamado o Evangelho da multiplicação dos pães e o Papa fez a sua exortação missionária. No final do encontro, visivelmente impressionado, fez uma vigorosa síntese da sua mensagem com estas palavras: «Hambre de Dios, SÍ. Hambre de pan, NO» (Fome de Deus, SIM. Fome de pão, NÃO). Esta síntese doutrinal deu imediatamente a volta ao mundo e ficou gravada no monumento que no local recorda aquela visita do Papa. É uma síntese que explica e apóia o trabalho missionário: um empenho sério para incrementar a fome de Deus e debelar a fome de pão. A multiplicação dos pães tem uma referência intrínseca e tradicional à Eucaristia, entendida sobretudo como banquete do Pão que se parte e se divide por todos. Também a missão é pão repartido para a vida do mundo. Desse modo, Eucaristia, missão e partilha constituem um trinômio indivisível. A Eucaristia é o banquete dos povos: a missão convoca todas as gentes para este banquete da Vida da graça; e estimula à partilha fraterna e solidária, para que haja pão sobre a mesa para todos. Nós cristãos, que nos alimentamos com o pão da Palavra e da Eucaristia, nós que muitas vezes estamos saciados do pão sobre a mesa, somos seriamente interpelados ao empenho pela missão e desenvolvimento dos pobres. Oremos «para que o pão multiplicado pela vossa Providência seja repartido na caridade» e para que nos abramos «ao diálogo e ao serviço para com todos os homens» (oração coleta). Para que todos tenham Vida em abundância. (*) «A fome ceifa ainda inúmeras vítimas entre os muitos Lázaros, a quem não é permitido sentar-se à mesa do rico avarento. Dar de comer aos famintos (cf. Mt. 25, 35.37.42) é um imperativo ético para toda a Igreja... Eliminar a fome no mundo tornou-se, na era da globalização, também um objetivo a alcançar para preservar a paz e a subsistência da terra» (Bento XVI - Encíclica Caritas in Veritate - 29.6.2009, n. 27) |
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O Evangelho se inicia com a notícia que “Jesus partia”. Partia porque soubera da morte de João Batista e se encaminha para um lugar deserto e afastado. No episódio anterior (14,1-12) Herodes está promovendo a festa de seu aniversário, junto a seus oficiais. É a festa dos poderosos. E, com esta narrativa, Mateus quer fazer um contraste entre o “banquete da morte” promovido por Herodes, com o “banquete da vida”, que terá como protagonista, Jesus Cristo. Jesus se retira a um deserto, evocando a idéia do êxodo, e uma numerosa multidão o acompanha. Jesus parte de barco e o povo o segue por terra, tentando se livrar do poder de Herodes e de seu sistema explorador. Ao desembarcar, Jesus vê a numerosa multidão e tem compaixão e quer inaugurar um mundo novo, dando vida ao povo, quer sofrer com quem sofre, cura os doentes e devolve esperança e vida ao povo. Em seguida, os discípulos querem despedir a multidão (v. 15), mas Jesus rejeita a idéia. Da mesma forma, quantas vezes para nos livrar dos problemas, “despedimos” as pessoas por que achamos que elas atrapalham a nossa caminhada. Muitos precisam de nossa ajuda, mas nunca temos tempo, nos achamos limitados para ajudar. Outro aspecto que observamos neste versículo, é que os discípulos querem despedir as pessoas para “comprar” víveres na aldeia. Ao contrário, Jesus utiliza o verbo “dar”. “Dai-lhes vós mesmos de comer”. “Eles não precisam ir embora”. Os discípulos reagem demonstrando impotência: “nós não temos aqui mais que cinco pães e dois peixes”, uma desproporção quando comparado com o v. 21: “os convivas … cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças”. Jesus pede a todos para sentar, que fiquem em silêncio e reflita cada um sobre a sua vida. Dividam, partilhem uns com os outros: planos e sonhos, na perspectiva de Deus, à luz da Sua Palavra e de Seus ensinamentos. Quando recentemente participamos dos Exercícios Espirituais, experimentamos ocasião semelhante, com muito espaço para descobrir nossos dons, talentos, aptidões, riquezas e bens espirituais, que são nossos cinco pães e dois peixes. Jesus eleva os pães e os peixes para dar graças ao Pai. Devemos fazer o mesmo com o pouco que temos: nosso trabalho, nossa família, nossa vida, nossos amigos, comunidade, enfim tudo o que recebemos, com gratidão devemos devolver a Deus, para que Ele disponha de tudo, segundo a Sua vontade e não a nossa. Devemos, somente, receber de Deus: Amor e Graça, para multiplicação de nossos talentos: Capacidade de olhar; de sorrir; de cantar, de amar, de sonhar e de desejar. Precisamos ser “pão repartido” para os outros, pois, ainda hoje, Cristo continua nos animando e nos dizendo “Dai-lhes vós mesmo de comer”. E nós: – Temos partilhado com as pessoas a nossa vida? Temos colocado nas mãos do Senhor, nossos talentos e nossos dons? Pois, será você, sou eu, que temos que alimentar às cinco mil pessoas que vivem ao nosso redor. O que temos é pouco. Mas colocando nas mãos de Jesus, será o suficiente para matar a fome de muitas pessoas. Hoje 31 de julho, dia do Senhor, mas não podemos esquecer a memória de santo Inácio de Loyola, autor dos exercícios espirituais. Queremos concluir com sua oração: Tomai, Senhor, e recebei Toda a minha liberdade, A minha memória também O meu entendimento E toda a minha vontade. Tudo o que tenho e possuo Vós me destes com amor: Todos os dons que me destes, Com gratidão vos devolvo; Disponde deles, Senhor, Segundo a Vossa vontade. Dai-me somente O vosso amor, a vossa graça. Isso me basta Nada mais quero pedir. |
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Primeira leitura Isaías 55,1-3 A salvação é oferecida gratuitamente aos pobres Neste trecho, o profeta anônimo, que os exegetas chamam de Dêutero-Isaías [Isaías 40-55], fala da situação do povo em exílio na Babilônia: ele tem uma carência absoluta de independência econômica, com a ausência total dos bens básicos, passa fome e luta para sobreviver, enquanto as elites oprimem. Este profeta anônimo, que chamamos de Segundo Isaías, sai às ruas imitando os vendedores ambulantes de água, cereais, vinho e leite, convocando o povo a matar a sede, comprar sem dinheiro, comer sem pagar, beber vinho e leite à vontade. É um convite para a abundância, para se libertar da opressão. Quem oferece esse banquete gratuito? É Javé, que por meio do profeta suscita a memória da Aliança selada com Davi, o rei que favoreceu a abundância. Javé vai renovar a Aliança levando o povo para a terra onde corre leite e mel. É um banquete bem mais amplo. Com base em que o profeta anuncia isso? Primeiro, ele vê a experiência sofrida do povo e, depois, tem certeza de que Javé é o libertador que não fecha os ouvidos ao clamor do povo. Por isso, pede ao povo que escute a Deus, pois a libertação não tardará. Javé provocará um Êxodo maior que o anterior, pois fará jorrar água no deserto, símbolo da vida para um povo sem esperança, e o vinho será a bebida da terra prometida, visto que videiras não crescem no deserto, portanto ele é o símbolo da vida nova recebida gratuitamente. Segundo o profeta, a solução não está em adotar os ídolos babilônios. Estes não provocarão um novo Êxodo, assim como o bezerro de ouro não o conseguiu no primeiro Êxodo. O kérygma que este profeta anuncia é a Palavra de Deus que será cumprida. Segunda leitura: Romanos 35.37-39 Nenhuma criatura nos afastará do amor de Deus Neste capítulo, Paulo apresenta dois princípios básicos que orientam o cristão: o Espírito que comunica a vida [vv.1-13] e a filiação divina do cristão [vv.14-30]. Os demais versículos [vv.31-39] são um hino ao amor de Deus manifestado na morte e ressurreição de Jesus. Nossos versículos pertencem a esse hino. Paulo escreveu aos romanos na sua terceira viagem a Corinto, quando se considerava “prisioneiro do Senhor” [2 Coríntios 11,23-28], e descreveu os vários perigos que enfrentou. Neste contexto, descreve a vida nova que irrompe no cristão, uma vida na qual está presente a Páscoa, o Espírito do ressuscitado que une o cristão a Deus, e por isso nada consegue interromper o amor de Deus por nós em Cristo. Para explicitar esta convicção, o apóstolo argumenta: “Quem nos separará do amor de Cristo?”. E relata sete obstáculos externos e visíveis que são conseqüências para o cristão viver o profeta de Deus. Paulo viveu esses obstáculos. São a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo e a espada [v.35]. O anúncio do Evangelho lhe acarretou perseguições, prisões com suas conseqüências e por fim a morte [a espada]. Ser cristão é ter consciência dessas adversidades, mas ter também a certeza da vitória. “Em tudo isso somos mais que vencedores” [v.37], graças ao amor de Cristo. Por isso, nada poderá separar o cristão do amor de Deus, nem a vida, nem a morte, nem nenhuma força superior, nem as energias cósmicas adversas. Evangelho: Mateus 14,13-21 A primeira multiplicação dos pães Neste texto, Mateus tem a intenção de narrar um milagre histórico de Jesus. Jesus retirou-se para o deserto depois da morte de João Batista [v.13]. Antes Herodes havia oferecido um banquete por ocasião do seu aniversário, um banquete dos poderosos, um banquete de morte. Depois disso Jesus retirou-se para o deserto. O deserto lembra o Êxodo, onde a nova sociedade se forjou. Assim, a partir do deserto Jesus vai inaugurar o novo mundo, dando vida em vez de opressão. O povo saiu da cidade à sua procura [a cidade indica o lugar onde Herodes impera com o seu sistema opressor]. O povo encontra Jesus no deserto e Jesus se compadece dele, atitude diferente da de Herodes, que oprime e mata. Ele se apresenta como o verdadeiro pastor anunciado por Ezequiel que cumpriu o plano de Deus: “Irei em busca da ovelha desgarrada, apascentarei a que está ferida e curarei a que está doente” [Ezequiel 34,16]. O povo sem comida pede aos discípulos que voltem à cidade para comprar alguma coisa para comer [v.15]. Comprar significa voltar à sociedade que explora e cria dependência. Jesus propõe que os discípulos dêem de comer [v.16], isto é, quebrem o mecanismo de exploração. Os discípulos sentem-se impotentes para cumprir a proposta de Jesus [v.17]. Jesus toma a frente e ordena que o povo sente-se para comer [v.19]. Sentar para as refeições era privilégio dos livres. Jesus pega os cinco pães e os dois peixes e os abençoa, reconhecendo com esse gesto que o alimento é um dom de Deus e deve ser partilhado, e não objeto de exploração. Todos comeram e ficaram satisfeitos e ainda houve sobras: o amor partilhado garante a abundância. À luz do Antigo Testamento, esse milagre de Jesus lembra o milagre da multiplicação dos vinte pães com os quais Elizeu saciou cem pessoas [2 Reis 4,42-44]. É uma alusão também ao maná com o qual Deus saciou de modo extraordinário o povo no deserto [Êxodo 16]. À luz da ceia do Senhor, alguns gestos têm o mesmo procedimento de um rito: o rito da ceia do Senhor que era celebrado com a comunidade. À luz da missão da Igreja, revelam que os discípulos estão presentes de forma ativa. Têm a tarefa da mediação entre Jesus e o povo. Reflexão A narração do Evangelho faz referência à multiplicação dos pães para saciar a fome da multidão em que se manifesta a graça messiânica de Jesus. Nela se manifestou a solidariedade de Jesus com os pobres e marginalizados. Jesus ensinou que é preciso distribuir os bens, que os pobres são objeto do amor divino. Vemos continuamente cenas chocantes de injustiça, notícias trágicas nos jornais, mas logo as esquecemos. “É possível falar de Deus", disse Gandhi, “quando se fez um bom almoço e se espera fazer um melhor amanhã, mas é impossível aquecer-se ao sol da luz de Deus quando milhares de famintos batem às suas portas”. Por isso, muitas ações na Igreja não começam com a catequese, mas com o ambulatório, a escola da economia doméstica... Este milagre de Jesus teve uma grande importância na comunidade primitiva por causa de sua enorme carga semiótica, isto é, por seu longo alcance de sinal. De fato, o sinal dos pães e dos peixes adquiriu desde o início um lugar de destaque na simbologia e iconografia cristã, presente em mosaicos e afrescos das catacumbas. No milagre de hoje cumpre-se em plenitude o que a primeira leitura anunciava [Isaías 55,1-3]. Este texto foi composto durante o Exílio na Babilônia [597-538 a.C.] e previa Deus alimentando o povo gratuitamente e em abundância. Além desse sinal messiânico, este milagre aponta para a Eucaristia como alimento do povo de Deus. Este milagre mostra em seu simbolismo que a presença de Jesus era para todo o povo de Israel, pois o número cinco mil indicava todo o povo de Israel. padre José Antonio Bertolin, OSJ |
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Depois de ensinar sobre o Reino com diversas parábolas, Jesus foi para Nazaré, sua cidade, e lá soube que o tetrarca Herodes havia decapitado João Batista. Por causa dessa notícia o Senhor partiu dali numa barca e foi para um lugar deserto. O povo acompanhou Jesus a pé. Quando Jesus Cristo saiu da barca, viu a multidão que o seguia, compadeceu-se de todos e, curou os doentes. Já era tarde e os discípulos de Jesus estavam preocupados porque o povo que seguia Jesus para ouvi-lo falar, estava faminto e não havia alimento por perto para saciar a fome de tão grande multidão. Os discípulos então pediram a Jesus que despedisse todas as pessoas para que elas fossem até à aldeia para comprar alimento. Ao que Jesus Cristo respondeu: “Não é necessário; dai-lhe vós mesmos de comer”. (v. 13-16) Jesus se compadece da multidão - Embora sofrendo pela morte de João Batista, Jesus colocou seu olhar misericordioso sobre os doentes que estavam a esperar por Ele, para serem curados de seus males. Jesus Cristo cheio de compaixão olha por todos nós também hoje, porque somos continuamente tentados pelo inimigo (Satanás) que não quer que sejamos curados, libertos e salvos. O papa Bento XVI disse: “Também hoje o olhar compassivo de Cristo pousa incessantemente sobre os homens e os povos. Olha-os ciente de que o projeto divino prevê o seu chamamento à salvação. Jesus conhece as insídias que se levantam contra esse projeto, e tem compaixão das multidões: decide defendê-las dos lobos, mesmo à custa da sua própria vida. Com aquele olhar, Jesus abraça os indivíduos e as multidões e entrega-os todos ao Pai, oferecendo-Se a Si mesmo em sacrifício de expiação”. Jesus disse aos seus discípulos: “… dai-lhe vós mesmos de comer”. (v. 16) - O b eato João Paulo II explicou-nos: “O Evangelho destaca como o Redentor experimenta singular compaixão por aqueles que vivem em dificuldade; fala-lhes do Reino de Deus e cura os enfermos no corpo e no espírito. Depois diz aos discípulos: «Dai-lhes vós mesmos de comer». Mas eles reparam que só têm cinco pães e dois peixes. Essa ordem de Jesus é também para nós hoje, como então os Apóstolos em Betsaída, dispomos de meios, sem dúvida, insuficientes para valer eficazmente a cerca de oitocentos milhões de pessoas famintas ou mal nutridas, que, às portas do ano 2000, lutam ainda pela sua sobrevivência. A terra está dotada dos recursos necessários para saciar a humanidade inteira”. E o Beato disse ainda que é preciso saber usar esses recursos naturais “com inteligência, respeitando o ambiente e os ritmos da natureza, garantindo a equidade e a justiça nas trocas comerciais, e uma distribuição das riquezas que tenha em conta o dever da solidariedade”. Achamos que Deus tem culpa pela fome que assola tantos países e tantos povos, mas Deus criou um mundo e o abastece dia e noite com a vida que brota da terra, da água e do ar para que tenhamos sempre o necessário para saciar a nossa fome e sede. Os primeiros cristãos nos deram um exemplo de partilha e solidariedade que podem servir de ensinamento para nossas vidas, segundo a nossa realidade hoje. A Palavra de Deus diz: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça. Nem havia entre eles nenhum necessitado…” (At. 4,32-34) E o Beato João Paulo II conclui: “Alguém poderia objetar que se trata de uma enorme e quimérica utopia. O ensinamento e a ação social da Igreja, porém, demonstram o contrário: sempre que os homens se convertem ao Evangelho, esse projeto de partilha e solidariedade torna-se uma estupenda realidade”. Mas a maior fome que o homem e a mulher podem experimentar é a fome de Deus. Santo Agostinho ressalta que é necessário termos essa fome de Deus: “Nós devemos ter fome de Deus”. A humanidade tem fome de dignidade, da verdade, da justiça, da paz e do amor: esses e muitos outros bens, que vem de Deus. Essa fome só será saciada pelo próprio Jesus, o Pão da Vida, através da sua Palavra e da Eucaristia. Ao ser tentado no deserto por Satanás, Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt. 4,4) Os discípulos responderam a Jesus: “…nós não temos aqui mais que cinco pães e dois peixes”. (v. 17) Generosamente um jovem ofereceu cinco pães de cevada e dois peixes que ele possuía. O beato João Paulo II disse: “Jesus aceitou esta pobre dádiva e, pelo seu poder divino, deu-lhe dimensões que o pequeno dador não podia imaginar. Jesus então disse aos discípulos: “Trazei-mos”. Continua nos explicando o beato João Paulo II: “Na realidade, Jesus queria provar-lhes a fé: Ele contava não com uma adequada disponibilidade de bens materiais, mas com a generosidade deles ao oferecerem o pouco que possuíam”. O versículo 19 fala que Jesus mandou a multidão sentar-se na relva, em seguida tomou os cinco pães e dois peixes, elevou os olhos ao céu, abençoou, partiu os pães e deu aos seus discípulos para distribuírem à multidão. E o versículo 20 diz: “Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios”. O Beato João Paulo II disse que “Jesus apresentava-se naquele momento como, mais do que Moisés, que no deserto tinha saciado o povo israelita durante o êxodo; apresentava-se como mais do que Eliseu, que com vinte pães de cevada e trigo novo tinha dado de comer a cem pessoas. Jesus manifestava-se; e hoje a nós manifesta-se como Aquele que é capaz de saciar para sempre a fome do nosso coração”. E cita a Palavra do Senhor: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome e o que acredita em mim jamais terá sede”. (Jo 6,35). O milagre da multiplicação dos pães é o anúncio profético da Instituição da Eucaristia na Última Ceia. Vejamos o que diz o Catecismo (1335): “O milagre da multiplicação dos pães, quando o Senhor proferiu a bênção, partiu e distribuiu os pães a seus discípulos para alimentar a multidão, prefigura a superabundância deste único pão de sua Eucaristia”. Jesus na última Ceia repete o gesto da Multiplicação dos Pães: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho” (Mc. 14,22) Desde então esse gesto é repetido todos os dias no mundo inteiro, a cada missa que é celebrada. Foi um pedido do Senhor Jesus: “…fazei isto em memória de mim”. (22,19b) O Catecismo (1329) diz: “….este rito, próprio da refeição judaica, foi utilizado por Jesus quando abençoava e distribuía o pão como presidente da mesa, sobretudo por ocasião da Última Ceia. É por este gesto que os discípulos o reconhecerão após a ressurreição, e é com esta expressão que os primeiros cristãos designarão suas assembléias eucarísticas”. “Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios. Ora, os convivas foram aproximadamente cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças”. (V.20 e 21) - O Pão Eucarístico é o milagre da multiplicação, pois Jesus é presença viva em cada fragmento da hóstia consagrada. O Catecismo (1377) ensina: “A presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e dura também enquanto subsistirem as espécies eucarísticas. Cristo está presente inteiro em cada uma das espécies e inteiro em cada uma das partes delas, de maneira que a fração do pão não divide o Cristo”. O Beato João Paulo II conclui: “Trata-se dum prodígio surpreendente, que constitui como que o início de um longo processo histórico: o constante multiplicar-se na Igreja do Pão da vida nova para os homens de toda a raça e cultura. Este ministério sacramental foi confiado aos Apóstolos e aos seus sucessores. E eles, fiéis à recomendação do divino Mestre, não cessam de partir e de distribuir o Pão eucarístico de geração em geração”. O Pão da vida, o Pão descido do céu, que é o Senhor Jesus, é alimento e comunhão para a vida da Igreja. O Catecismo (1329) ensina: “Com isso querem dizer que todos os que comem do único pão partido, Cristo, entram em comunhão com ele e já não formam senão um só corpo nele”. O Milagre – A cada dia deparamos com os milagres de Deus: a vida de cada ser desse universo, o ritmo da engrenagem dos corpos que estão no espaço e principalmente do corpo humano; a natureza que não cessa de fecundar; os pensamentos que brotam do cérebro humano a cada centésimo de segundo. Tudo isso é milagre de Deus. Portanto é muito simples para o Senhor Jesus, um só Deus com o Pai e o Espírito Santo, multiplicar pães e peixes, já que isso é feito por Deus todos os dias em nossa mesa: O pão nosso de cada dia nos dai hoje, Pai! Santo Agostinho disse: “Governar todo o mundo é maior maravilha do que saciar cinco mil homens com cinco pães. Todavia, ninguém se admira com aquilo, mas se enche de admiração por isto, não porque seja maior, mas porque não é frequente. Quem sustenta ainda hoje o universo inteiro, se não aquele que, a partir de poucas sementes, Multiplica as searas? Há aqui uma operação divina. A multiplicação de poucos grãos, de que resulta a produção das searas, é feita pelo mesmo que, nas suas mãos, multiplicou os cinco pães”. Cabe à Igreja, através do ministro ordenado, a sagrada tarefa de abençoar, partir e distribuir aos seus fiéis o Pão da Eucaristia, Corpo e Sangue do Senhor Jesus. E também levar a todos o Pão da Palavra, que é o próprio Jesus, o Verbo de Deus encarnado. E é isso o que acontece a cada Celebração Eucarística. E saciados com esse sagrado alimento do céu, os fiéis entram em comunhão com Cristo, formando um só corpo com Ele. E que todos possam assim repartir o pão e o peixe de sua mesa com o mais necessitados, os pequeninos de Deus. A Palavra diz: “Poderoso é Deus para cumular-vos com toda a espécie de benefícios, para que, tendo sempre e em todas as coisas o necessário, vos sobre ainda muito para toda espécie de boas obras. Como está escrito: Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça subsiste para sempre”. (2Cor. 9,8-9) Foi intenção nossa ao criar o blog “ideeanunciai”, que ele multiplicasse o Pão da Palavra e desse uma humilde contribuição à nossa Igreja Católica para levar o Evangelho também aos internautas, juntamente com outros irmãos católicos que já fazem o mesmo. Padre Raniero Catalamessa disse assim sobre o blog em que ele escreve seus posts: “No fundo, o que estamos fazendo neste momento também é uma multiplicação dos pães: o pão da Palavra de Deus. Eu parti o pão da palavra e a internet multiplicou minhas palavras, de forma que mais de “5 mil homens, sem contar as mulheres e crianças”, também neste momento, se alimentaram e ficaram saciados. Resta uma tarefa: recolher “os pedaços que sobraram”, fazer a Palavra chegar também a quem não participou do banquete. Converter-se em “repetidores” e testemunhas da mensagem”. Jane Amábile |